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Carnaval e folclore


Há tempos, num programa de televisão, um pastor convidado a responder sobre a existência de satanás, antes de responder à pergunta específica, disse gratuitamente que o carnaval nada tem de diabólico, mas é apenas uma festa folclórica. Eu disse gratuitamente porque ninguém lhe perguntou nada sobre o carnaval.

Pode ser festa folclórica, mas não se pode negar que satanás se aproveita dela para fazer sua colheita. 

Se não é assim veja-se o que acontece nessa festa "folclórica". Mulheres nuas a pularem freneticamente nos salões sem a mínima demonstração de pudor. Promiscuidade livre nas ruas e nos salões, numa demonstração de decadência moral em todas as escalas sociais. Desde as mais vulgares gafieiras até os clubes mais sofisticados é a mesma coisa, o mesmo desrespeito pela vida, pela pessoa humana.

Razão tinha mesmo aquela criança que, entrevistada pelo repórter sobre o que achava do carnaval, disse que carnaval é uma festa com muito movimento e muita senvergonhice. Certa a menina!

Os jornais de hoje, quarta-feira, começam a publicar o balanço dos dias de loucura coletiva que é o carnaval. Muitos abortos, muita loucura, muitos suicídios muitos homicídios, estupros sem conta, etc. Se uma festa que produz tudo isso, além do desespero, do vazio, da depressão, do tédio, que fatalmente restam depois da folia, não é diabólica, então como classificar o carnaval?

Felizmente há pessoas que pensam em aproveitar esses feriados de maneira diferente. São aquelas que ainda conservam um senso de valor mais elevado, que sabem para que vieram a este mundo e o que estão fazendo aqui. 

Esses aproveitam esses dias para meditação, para retiros espirituais, durante os quais fazem uma avaliação, ou melhor, uma reavaliação de sua vida e de suas possibilidades. Até jovens que poderiam agir com menos responsabilidade, procuram retirar-se nesses dias, não para fugir do carnaval, mas para fortalecer um pouco mais o seu espírito, a sua alma.

Os jornais dedicam colunas inteiras aos comentários desses retiros, comentários isentos de sangue ou de lágrimas como soem ser os comentários da festa "folclórica" que o pastor desavisado chama o carnaval.

Os pais mandam seus filhos aos retiros e ficam sossegados em casa sabendo que nada de mal lhes pode acontecer.

O mesmo não acontece com os pais cujos filhos estão nos clubes ou nas algazarras de rua. Sabem que vão, mas não sabem se voltam. Isso é festa? Que festa é essa que depois deixa um saldo negativo de mortes, de desonra e de tristeza? Que festa é essa que mancha o corpo, a mente e a alma?

Mas afinal, as pessoas são responsáveis, sabem o que é melhor para si, sabem escolher seu alimento. Só não devem estranhar os efeitos de alimentos tão deteriorados! A congestão é certa. E para esse tipo de congestão os médicos não receitam e as farmácias não vendem remédio.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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