Causa e efeitos


Rev. Samuel Barbosa

Todos nós estamos sujeitos a ataques de elementos estranhos à nossa maneira de ser e de viver. Quanto ao físico são os agentes causadores das doenças. As doenças quando atacam mostram os efeitos, os sintomas, cujas causas devem ser combatidas. Não adianta curar todos os dias uma dor de cabeça a poder de analgésicos, o que importa é combater a causa.

Quanto à moral são os maus costumes, são os vícios que, sorrateiramente, nos atacam e muitas vezes nos vencem. O que é preciso é identificar os sintomas e combater as causas. Uma vez localizados os agentes causadores da perturbação, mister se faz enxotar esses agentes imediatamente. 

Os vícios prejudicam o homem. Uma vez reconhecido isso, é preciso que se elimine o vício, mesmo que nessa luta haja grande desgaste. Quando combatemos uma doença esse combate nunca é agradável, nunca é do gosto do doente. Às vezes é preciso "injeção" e quem gosta de tomar injeção? Outras vezes é necessário até uma cirurgia que além de dolorosa, é cara. 

Mas a tudo a gente se submete para livrar-se do mal. Há muitas pessoas que quando percebem que estão se tornando viciadas, começam a filosofar sobre como o vício entrou, e nessa pesquisa gastam dias e dias preciosos para o combate ao mal. Não interessa saber como o vício entrou, é preciso fazê-lo sair.

Um senhor certa vez percebeu que um boi havia entrado em seu jardim e estava destruindo os canteiros. Começou a andar em torno do jardim à procura do "rombo" na cerca por onde o boi pudesse ter entrado. - Não é possível, dizia o homem, não há nenhum buraco por onde possa ter entrado! A mulher que estava observando o marido já há algum tempo, interveio: - Em vez de ficar procurando o lugar por onde o boi entrou, trate logo de expulsá-lo do jardim antes que ele acabe com tudo!

É isso aí. Nada de ficar pensando como o vício entrou. É preciso encontrar imediatamente um meio de acabar com ele. Os vícios são inimigos sutis. Não mandam avisos diretos. As vezes há avisos dos males de um vício de maneira indireta, observando o que acontece com os outros. Não podemos perder tempo estudando as condições impostas pelo inimigo, o que precisamos é combater abertamente esse inimigo sem nenhum tipo de concessão.

Um general grego cercou uma cidade e mandou um emissário perguntar ao rei daquela cidade, de que modo seria recebido - se como amigo ou como inimigo. - Vou pensar, respondeu o rei. O general despachou um outro emissário com um novo recado: - Enquanto tu pensas, eu entro como inimigo.

O problema é esse. Não dar tempo do mal dominar. Tomar iniciativas imediatas e corajosas. Qualquer tipo de vício deve ser tratado como inimigo. Não merece nenhuma concessão, nenhuma contemplação.

--------------------------------------------------
Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
Tecnologia do Blogger.