Realidades inseparáveis


Quase tudo que existe no mundo, principalmente aquilo que é passível de reprodução, existe aos pares. Deus, ao criar o homem, depois de o haver feito chegou à seguinte conclusão: "não é bom que o homem esteja só". 


E fez-lhe uma companheira para estar com ele sempre, para lhe ser sua ajudadora. Sobre esse assunto, bem mais tarde, Jesus viria dizer: "portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem". 

Nessas palavras está confirmado o caráter indissolúvel do casamento. Isso atende ao fato de o homem precisar completar-se no casamento; de viver também aos pares. A língua grega é bem coerente com referência ao número dos substantivos. Ao lado do singular e do plural existe também o Dual reservado para indicar as coisas que existem aos pares na natureza. 

Quando Noé fez a arca, por ocasião do dilúvio, que veio sobre a terra. Deus lhe deu uma ordem de colocar um par de cada animal para preservar a espécie. 

Na própria vida há realidade que são inseparáveis, realidades que, quando separadas, indicam anormalidade e trazem consequências graves para a própria vida do indivíduo. 

Por exemplo: vida religiosa x vida secular. Muita gente diz que sua vida religiosa nada tem a ver com sua vida secular. O homem é uma unidade corpo-alma-mente. Não se pode pensar no homem em termos de apenas uma dessas faculdades. Elas são ligadas entre si. Não podem ser separadas. 

Uma grande dor física pode abater o espírito, como uma grande experiência psíquica, espiritual pode afetar o corpo. É errado religião só de Igreja, ou só de domingo ou só de família. O homem deve ser religioso.

Alguns apenas ficam religiosos em alguns dias ou em alguns lugares. Deve haver uma perfeita harmonia entre a vida espiritual e a vida secular do indivíduo, principalmente na vida do cristão. O ser humano é um todo indivisível. 

A religião, e aqui entendemos a religião cristã, deve determinar o padrão de vida secular de cada pessoa. O cristianismo nos ensina a viver em sociedade, a viver no século. 

A um homem que estava trocando os pneus do carro, tirando os novos e pondo os velhos, perguntaram porque ele estava fazendo aquilo e ele disse que ia vender o carro. Mas você não é cristão? Como pode fazer isso? E daí, replicou o sujeito. 

Minha religião nada tem a ver com meus negócios. A religião não o impedia de continuar ladrão. É exatamente na vida de cada dia que o homem tem de mostrar o valor de sua religião. 

Um famoso evangelista, ao ver passar um moço disse a respeito do mesmo: - esse moço é militar. Como você sabe, perguntaram - pela sua maneira de andar, respondeu o evangelista. 

O ideal é que nos identifiquem como cristãos pela nossa maneira de "andar", de proceder na vida secular, na nossa vida em sociedade. A influência da nossa religião, de nosso cristianismo deve ser o determinante da nossa maneira de exercermos nossa profissão, seja ela qual for. 

O ser cristão deve ser uma qualidade a mais em nossa identificação. A todas as qualificações do seu RG, ele acrescenta a palavra Cristão. Ele não fica cristão. Ele é cristão.

--------------------------------------------------
Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
Tecnologia do Blogger.