Finados



Hoje é Dia de Finados, isto é, dia dos que finaram, dos que findaram seus dias aqui. Nesse dia o povo se lembra, de maneira mais profunda, de seus mortos queridos. Os túmulos nos cemitérios são pintados, as covas rasas são limpas, o cemitério é visitado e muitas lágrimas são derramadas.


Há diversas posições sobre o Dia de Finados. Uns acham que esse dia é um dia triste, pois é um dia em que são lembrados os mortos. Outros argumentam que é um dia que mais prejudica do que ajuda as pessoas, principalmente àqueles que vão ao cemitério reviver sofrimentos passados, uma vez que para os mortos nenhuma significação tem um dia dedicado a eles!

Cremos que os mortos vivem na lembrança dos vivos e jamais serão esquecidos. Cremos também que reviver sofrimento não faz bem a ninguém.

Vemos um benefício no Dia de Finados por ser um dia que exige um pouco mais de reflexão sobre a morte e também sobre a vida. Alguns acham que não existe vida. Argumentam que isso que chamamos vida é um processo lento de morrer. O homem começa a morrer no dia em que nasce e termina de morrer no dia em que se fina neste mundo. 

Outros acham que não existe morte. O que chamamos morte é apenas uma transição de um tipo de vida para outro tipo de vida, ou pior ou melhor do que esta, dependendo das circunstâncias em que se viveu esta. Parece que esta posição é mais consentânea à mensagem cristã. Jesus referiu-se inúmeras vezes à vida num contexto de continuidade, principalmente para aqueles que aceitassem a sua mediação junto a Deus.

Ele disse: "em verdade, em verdade vos digo que quem ouve estas minhas palavras e crê nAquele que me enviou, tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida... Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim ainda que esteja morto viverá e todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá..." 

O apóstolo João exilado na ilha de Patmos, ouviu do céu uma voz que dizia: "e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor porque já as primeiras coisas são passadas" 

Jesus afirmou a tantos quantos quisessem ouvir: "eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" e diante da recusa por parte do homem, lamenta: "e não quereis vir a mim para terdes vida!"

Dessas citações concluímos que a vida, segundo o pensamento bíblico, é comunhão com Deus, e morte é exatamente a separação, a ausência de Deus da vida do homem. Então é fácil. Se queremos vida é só procurá-la na sua fonte que é Jesus Cristo. Cada pessoa vive uma só vez neste mundo, pois como a própria Bíblia diz na carta aos Hebreus 9:27 "e como aos homens está determinado morrerem uma só vez vindo depois disso o juízo" segue-se que aos homens está determinado viverem também uma só vez.

Então cada pessoa deve cuidar de si nesta vida de tal modo que ela não se fine no dia da morte, mas que ela apenas mude de qualidade não mais temporal, mas eterna, não mais solitária, mas com a presença de Deus, não mais na escuridão de tantas incertezas, mas na luz clara da presença de Jesus Cristo, que afirma ser Ele a luz do mundo!

Meu amigo leitor, neste Dia de Finados pense mais em si mesmo. Cuide de sua vida aqui e agora. Engaje-se num cristianismo prático. Lembre-se de que é a você que Cristo diz: "vinde a mim..." e é a você que Ele aconselha: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho...".

Viva em comunhão com Deus através de Jesus Cristo, que não haverá finados para você, mas apenas uma transição de uma vida boa para uma vida muito melhor na presença de Deus.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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