Sociais

Compromisso ou irrelevância



Quando visitei o Museu da Bíblia em Barueri (SP) fui informado que para traduzir uma Bíblia em uma língua indígena são necessários aproximadamente 40 anos. 


De fato, em agosto de 2013, foi finalizada a Bíblia na língua indígena Kaiowa, um trabalho de tradução que teve início na década de 70, ou seja, há cerca de 40 anos. Fico imaginando a dedicação e compromisso destas pessoas para com a obra de Deus.

Hoje está na moda ter gente “meio compromissada” com o Evangelho, “meio compromissada” com a igreja. Você não tem essas pessoas por inteiro. Apenas a sobra do seu tempo, uma pequena parte de sua dedicação. Esta não é uma boa atitude para alguém que foi chamado por Jesus. 

Perceba que a falta de compromisso com o Reino de Deus é um assunto sério, é um problema grave. Quando não há compromisso a igreja não cresce. Porque uma igreja para crescer precisa de gente dedicada, trabalhadora, esforçada na obra do Senhor. 

Quando não há compromisso, perde-se a perspectiva de futuro. Porque as crianças e jovens olham para nós como modelos, portanto ser um “meio crente” prejudica não apenas a nós nos presente, mas as futuras gerações que não terão exemplos ou referências ou quem lhes ensine hoje.

O resultado desastroso da falta de compromisso é a irrelevância. Se não somos sal nem luz como cristãos, então não temos utilidade, somos insossos e seremos absorvidos pelo caldo da cultura sem fazer nenhuma diferença.

Já pensou se na história os cristãos tivessem esse tipo de atitude descompromissada? Será que teríamos as cartas de Paulo se ele fosse “meio compromissado”? E se a Igreja Primitiva fosse repleta de gente sem compromisso? Haveria cristãos dispostos a enfrentar a perseguição e a própria morte pela sua fé e expansão missionária? Ou estaria o cristianismo hoje apenas presente nos livros de história, como uma religião curiosa que começou e acabou por lá mesmo? 

Haveria Reforma Protestante com líderes sem compromisso com Deus? E presbiterianismo no Brasil? Será que haveria igreja por aqui se Simontom e os demais missionários tivessem “um pé na igreja e o outro no mundo”? Tudo o que herdamos hoje como cristão é porque houve compromisso. 

A igreja, em todas as épocas, sempre precisou de gente compromissada. Qual a avaliação que você faz do seu compromisso com Deus e com a igreja? De 0 a 10, que nota daria a si mesmo? Você vai entrar para a história da igreja como? Como alguém compromissado ou irrelevante?

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Atualmente cursa Licenciatura em História. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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