Três considerações sobre o pastor da igreja


Ah, o pastor da igreja. Como diriam alguns: "o invisível durante a semana; o incompreensível aos domingos'...

Só quem é ou tem na família um pastor sabe das realidades e desafios do ministério. Há um número altíssimo de pastores que abandonam gradualmente o ministério. Proponho três considerações sobre o pastorado:

1 – Todas as pessoas têm problemas sérios, crises e inconsistências - inclusive pastores. 
As pessoas passam por períodos terríveis de dúvida, questionamentos, desânimo e enfrentam dias, semanas ou até mesmo meses não conseguem dormir com problemas.

Os problemas que elas enfrentam o pastor também enfrenta. Afinal, uma vez que o pastor é humano, por que ele não pode passar pelo mesmo tipo de coisa?

Os pastores sérios são oprimidos por essa “imagem” televisiva e marqueteira de que pastor é super-homem. As pessoas assistem os grandes (?) pregadores na TV e acreditam que eles lidam com os problemas como quem faz embaixadinhas com uma bola.

Na verdade as coisas não são bem assim. No mundo teremos aflições – e isso não exclui o pastor.

2 – A avaliação de um pastor não deve ser apenas quantitativa. 
No fundo, no fundo, todo pastor quer ver sua igreja crescendo, animada, com música de qualidade, ministérios nas mais variadas áreas. No fundo, no fundo, muito disso é vaidade.

Sim, essa vaidade que anda de perto com os “cultos-shows” que existem hoje em dia e a prosperidade, onde o ser humano, e não Deus, é o centro.

Há uma grande pressão pelo “sucesso” dentro das igrejas. Tudo “tem que dar certo”. Tem que crescer, tem que fluir, tem até gente que avalia pastor observando a porcentagem anual de pessoas na igreja. Tudo é direcionado a tamanho e crescimento.

Devemos observar tal aspecto, porque é normal e saudável crescer. Mas quando usamos apenas disso para avaliar o trabalho pastoral, era melhor que tivéssemos nas nossas igrejas pessoas formadas em administração de empresas – e não pastores.

Pois muito do trabalho do pastor não é visto pelas pessoas. É o trabalho de pastoreio íntimo, de cuidado, de aconselhamento, de visitação, etc. Muitas pessoas julgam o seu pastor mas não possuem a noção de quantas pessoas já foram ajudadas e restauradas por Deus através da vida do ministro do evangelho.

Acredite. Essa ideia de que “tudo tem que dar certo” em “todo tempo”, que a igreja tem que ser cheia com o culto pop, é um conceito que toma o particular como geral e assim ignora uma série de áreas importantíssimas no trabalho pastoral. Torna-se opressiva especialmente aos pastores que estão em lugares difíceis onde o crescimento é insuficiente aos olhos dos homens.

O resultado disso, é a comparação imediata que os membros da igreja (e também o pastor) fazem. E o resultado dessas comparações (que não consideram uma série de coisas como contexto, cultura, etc) é quase sempre negativo, especialmente ao líder da comunidade.

3 – O pastor deve buscar forças em Deus e não nos homens. 
Você bem sabe do que o ser humano é capaz. Mas, no caso do pastor, é extremamente difícil enfrentar oposição e o criticismo crônico dos membros de sua igreja.

As pessoas são insatisfeitas com tudo. Hoje elas elogiam, amanhã criticam. 80% do tempo que ouço crentes falarem de pastores, é para falarem mal – nada de bom é destacado. Ou, quando algo de bom é destacado, sempre vem junto algo de mal só para “equilibrar”.

A maioria da igreja não reconhece o verdadeiro trabalho do pastor – já ouvi várias vezes dizerem que "pastor não faz nada". Cansei de contar as vezes nas quais ouvi uma pessoa (ou um grupo delas) durante até mesmo uma hora. Depois, quando fui falar a respeito de mim, as pessoas verificam as horas nos celulares, ou olham para outros lugares, mostrando claramente que não estão dispostas a ouvir.

O ser humano frustra em quase todos os aspectos. Daí a importância do pastor renovar a sua força apenas e tão somente em Deus.

Pense

  • Como pastor, você está ciente destas realidades?
  • Como membro de igreja você é daqueles que estende a mão para ajudar o pastor? Ou é daqueles que estende a mão para esbofetear?

1 Samuel 30.6b – “Porém Davi se reanimou no Senhor, seu Deus”.

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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