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Saudades do Paraíso



Por mais que um homem viva, deve desfrutar sua vida toda. 
Lembre-se, porém, dos dias de trevas, pois serão muitos...
Eclesiastes 11.8

Senhoras e senhores, apresento-lhes a vida... Uma turbulenta jornada de altos e baixos. Entre os acasos e descasos, entre a dor e a felicidade, entre as pressões e impressões quanta coisa acontece que escapa do nosso olhar? Quantas interpretações de um mesmo acontecimento, quantas lembranças, quantos questionamentos?

Cada dia é um dia único. Mesmo os que parecem ser iguais. Se em um dia estamos no topo da montanha a contemplar o céu azul e o brilho do sol ofuscando nossos olhos, noutro dia experimentamos os vales, com os pés encharcados de lama, atolados e pesadas, a cabeça baixa, sem coragem de encarar o horizonte. 


Ah vida... Tentamos planejá-la, mas ela é extremamente imprevisível. Quantos dias teremos de alegria? Quantos dias estaremos abatidos? Solidão, desânimo, dor? Tentamos fugir desesperadamente destas coisas ou até ignorá-las. Na superfície pensamos que somos de fato completos e felizes... doce ilusão. Ilusão de paraíso terrestre inexistente.

Como negar todas as pressões e sentimentos que nos assolam durante os dias maus no escuro da noite? Quem já não chorou sozinho com a face voltada para a parede em seu quarto? Quem já não desejou por tempos melhores? Quem já não lamentou a perda de alguém? 

Em meio a esta realidade inexorável não faltam paliativos. Várias receitas, bulas, indicações. Mas nada, nada consegue nos tirar da dura realidade da vida. Seguimos então as ilusões produzidas pela 'era do entretenimento'. Sentimo-nos durante algumas horas algum bem-estar... mas ao sair do cinema, ao fechar o livro, ao final da festa vendo os confetes no chão, quando olhamos para a crua realidade vemos que estas coisas não satisfazem nossa fome espiritual.

Será que Adão ao desobedecer a Deus conseguiria prever tamanho vazio que atingiria o coração da humanidade caída? Aquele que conheceu "o outro lado do rio" como deve ter se sentido diante da miséria do pecado, da miséria da vida? 

Com certeza houve um momento que ele pensou. Sentiu saudades de estar com Deus. Saudades da comunhão, das conversas com o Pai divino ao por do Sol. Do amparo e segurança de estar em comunhão com o Criador. De ver seus dias sendo preenchidos com a luz gloriosa transbordando tudo de sentido e razão. 

Como qualquer ser humano, descendente de Adão, também tenho saudades do paraíso... Saudades do futuro... E nos dias difíceis e vazios, a certeza da presença misericordiosa de Deus, o auxílio do Espírito Santo que me fortalece e a esperança nas promessas são o que me fazem andar e encarar o horizonte. 

A partir daquele grande Dia não haverá mais choro, doença, perda, despedidas ou sequer vazio. Mas sim, a plenitude de vida. A alegria completa, inimaginável e real de viver em comunhão eternamente com Deus.

Lá então, senhoras e senhores, seremos apresentados à Vida Eterna. Maranata! Vem Senhor Jesus!

Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, 

nem jamais penetrou em coração humano 
o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. 
1 Coríntios 2.9

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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