Santa ignorância


“Apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a saber o que é loucura e o que é estultícia; e vim a saber que também isso é correr atrás do vento. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza.”
Eclesiastes 1.17-18.

Quando lemos esta passagem bíblica percebemos que os tempos vividos do rei Salomão são semelhantes aos nossos. Há uma busca desenfreada pelo saber, pela informação. É fundamental estar “in”, isto é, por dentro, obtendo assim sucesso e prosperidade na vida.

Pater Large diz que “nos últimos 30 anos, produziu-se um volume de informações novas maior que no 5 mil anos precedentes. Cerca de mil livros são publicados no mundo por dia e o total do conhecimento impresso duplica a cada 8 anos.”


O problema dessa busca obcecada reflete em nossos relacionamentos, pois longe de contribuir para um amadurecimento relacional, nos torna cabeças ambulantes, sem coração e sentimento. Onde “eu” sei tudo e não preciso da ajuda de ninguém. Levando os seres humanos a uma completa e total alienação de quem realmente somos. Seres criados a imagem de Deus (Gênesis 1.27).

Diante dessa avalanche de informações, devemos ser seletivos na busca do saber mais. Devemos nos ater ao que é fundamental, como nos disse o rei Salomão no final de seu livro (Eclesiastes 12.13), “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.”

A busca pela informação que se pode alcançar por meio de estudos, da observação e do raciocínio é útil e desejável (Cf. Ec 7.5, 11-12, 19), mas essa busca pela informação, pela sabedoria não consegue responder satisfatoriamente às perguntas que mais inquietam o espírito humano (Ec 3.11), nem assegura aos “sábios”, os detentores da informação um destino melhor que os que não possuem.

Daí a afirmação do rei Salomão ao dizer que na muita sabedoria, isto é, na informação, há também uma fonte de pesar e insatisfação (Eclesiastes 1.18). Deixemos toda essa ansiedade causada pela busca da informação e apeguemo-nos ao que é fundamental, Temer a Deus.

Lembre-se:

1) Ninguém sabe tudo. Assuma sua ignorância e seja feliz com ela.
2) Aprenda sempre com todos.
3) Saiba filtrar o que realmente é fundamental para a vida.

Assuma a sua “santa ignorância” e viva a vida de maneira correta e linda diante dos homens e de Deus.

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Gilberto Bueno Filho, é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2001. Pós-Graduação em Ética, Cidadania e Subjetividade pela Escola Superior de Teologia em 2007. É fundador e editor do blog familiafariabueno.
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