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Os 5 "ésses" que derrubam qualquer pastor



Para a sociedade hodierna pastor virou sinônimo de oportunista. E não é para menos, há muito oportunista posando de pastor. Mas nós devemos evitar generalizações e entender que quando alguém é chamado por Deus para ser o pastor de um rebanho, essa pessoa não está escolhendo necessariamente uma profissão fácil.

Ou o que você pensa de fazer 4 anos de teologia, pegar toda a sua família e se mudar para uma região para fazer ali uma igreja crescer? Exige desprendimento, uma boa dose de coragem e obediência a Deus, pois nem sempre ele leva o obreiro no lugar que o obreiro quer ir. Há muito campo cheio de pedregulho, duro, árido, mas precisa de um obreiro ali que ajude a afofar a terra.

Tendo dito isto, pensemos um pouco nos perigos que rondam o ministério pastoral. Certa vez uma professora do seminário que cursei trouxe para nos dar uma palestra um pastor jubilado (aposentado), e muito sabiamente ele disse: “O pastor deve ter cuidado com os três ‘s’. [1] S de Saia; [2] S de Sono e [3] $ do cifrão”

Aproveitando a ideia inicial deste sábio pastor e acrescentando duas minhas, pensemos um pouco nos perigos que rondam o ministério pastoral:


1° perigo: “S de Saia”
O primeiro dele refere-se à exposição do pastor como alguém público e de destaque, motivo pelo qual pode ser assediado ou assediar usando do cargo que tem.


Há muitas pessoas carentes na igreja e há sempre o risco de se confundir as coisas. Se o pastor é solteiro, o perigo é ainda maior e começa ser um sinal de alerta se o mesmo só conversa e anda com mulheres.


2° perigo: “S de Sono”
Sono se refere à maneira de como o pastor administra o seu tempo. O uso do tempo no ministério pastoral é algo bastante flexível e por isso exige equilíbrio. O ministro pode se acomodar em fazer pouco ou mesmo achar que o ativismo vai acelerar as bênçãos de Deus e o crescimento da igreja. Os dois extremos obviamente não são bons e causam prejuízo tanto ao pastor como para a igreja. O pastor acomodado vai ser visitado sempre pela culpa de que tem sido negligente.


O que faz demais verá na saúde e na família o grande prejuízo. No caso de igrejas ativistas, isso pode ter até um efeito inverso do desejado (crescer), especialmente quando os familiares descrentes implicarem dos seus cônjuges e filhos passarem tanto tempo na igreja e praticamente terem abandonado a família.


3° perigo: “$ do cifrão”
Aqui o perigo é o dinheiro. É certo que a Bíblia ensina que as igrejas devem sustentar de maneira digna os pastores, de forma que eles não precisem se preocupar em ter outras profissões para ajudar na despesa da casa. Por outro lado, também é fato que muito se perdem gastando mais do que possuem.


Pastor endividado é um problema porque a cobrança vai para a igreja e não tem coisa pior do que pastor emprestando dinheiro de membro ou recorrendo sempre ao Conselho como um banco – se alguém quer perder rapidamente a credibilidade é só fazer isso.

Por outro lado, pastores que estão em lugares de melhores condições financeiras não podem se vender ao poder do dinheiro. Isso significa que aceitar indiscriminadamente benefícios financeiros ou presentes de pessoas específicas deve ser muito bem avaliado pois em alguns casos esconde a tentativa de se comprar simpatia ou opinião. Não nos enganemos, quem tem dinheiro sabe o poder que o dinheiro tem.


4° perigo: “S de Sentimentos”
Por ser uma pessoa pública e lidar com diversas opiniões diferentes, o pastor sempre está sujeito a críticas, indiferença ou não valorização. Oposição existe em igreja e nem sempre é educada e velada. Muitas vezes seu trabalho de anos é simplesmente não observado pelos críticos, que focam apenas os pontos fracos e ignoram as coisas boas.


Isso consequentemente gera uma série de sentimentos destrutivos não só no pastor como na sua família e a rejeição é algo que pode ser muito forte para algumas pessoas. A amargura sempre tentará criar raízes. Portanto trabalhar esses sentimentos sem levá-los ao púlpito e sem fazer uma “guerra santa” é um grande desafio, pois quando se falha nisso, todos perdem. Perde-se a paz, o foco, o controle e o respeito. E no fim o pastor perde a igreja também.


5° perigo: “S de sedução pelo poder”
Toda igreja possui uma hierarquia com cargos prontos a serem ocupados por pessoas capacitadas. Pena que muitos olham para tais cargos apenas com sede de poder, de destaque.


Quando o desejo de se obter poder toma conta, perde-se o foco, pois a motivação difere do que Jesus ensinou, o servir. O que busca o poder pisa, fala mal, centraliza, não aceita o sucesso do outro e geralmente terá uma opinião muito elevada sobre si mesmo – por isso sempre tem uma crítica na ponta da língua para aqueles que cruzam seu caminho.

A palavra “eu” começa ser usada com muita frequência e há uma tendência de se comportar como quem olha de cima para baixo. O que tem sede de poder pode até subir, mas diante de Deus ele apenas desce.

Ore pelo seu pastor
Falhas todos estamos sujeitos. Mas a posição e responsabilidade do pastor exige muito mais vigilância. Antes de criticarmos os pastores, reconheçamos que são humanos e falhos como nós, sujeitos a uma série de sentimentos e que precisam ser pastoreados e amparados em oração.

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004.
É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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