Ficar ou não ficar: eis a questão



“To be or not to be” – ser ou não ser, já dizia William Shakespeare.

Parodiando poderíamos dizer: “Ficar ou não ficar”. Ultimamente canta-se, tribalisticamente, em alto e bom som num ritmo envolvente que já se sabe namorar, “que sou de ninguém, eu sou de todo o mundo e todo o mundo é meu também”.

Os adeptos e a “geração tribalista” perderam os referenciais, as bases, os absolutos que regem e normatizam a vida com o mínimo de decência e ordem. Numa relação cujos beijos descompromissados, afetos descartáveis e intimidade destituída do amor verdadeiro revelam um mundo sem Deus no coração, refletindo uma falta de compromisso e descaso com o seu próprio corpo e do próximo.


Esta dicotomização da vida traz prejuízos grandes para todos – as famílias, a igreja, a sociedade, o país e, diretamente, esses jovens que assumem essa postura e maneira de viver sem rumo e direção, sem limites, instruções e normas para uma vida saudável, perdendo a capacidade de realizar escolhas.

Vários programas na televisão e propagandas estão de maneira inversa sendo germinados nas mentes dos seus espectadores com o vírus da autonomia, de viver uma vida sem Deus e sem responsabilidades para com o próximo e consigo mesmo. Você consegue ver e perceber a inversão de valores nestes comerciais e programas na televisão que poderíamos enumerar?

Assim o mundo mostra-se contra os princípios de Deus. Sabemos que toda a ação tem uma reação. Como o futuro se mostrará para você se houver desleixo e descaso com princípios e valores de Deus? Namorar é a palavra cantada, mas muitos não namoram mais. “Ficar” com um é também coisa do passado. A palavra de ordem hoje é “Namorix”, é ter ou ficar com uma, duas, três pessoas... ao mesmo tempo.

Isto é a banalização de uma relação criada por Deus para ser boa, saudável e madura. Não sair por aí como se estivéssemos em um shopping numa loja de calçados e pudéssemos experimentar todos os tênis, sandálias e sapatos enquanto estivéssemos naquela loja. A ordem na vida de toda pessoa deve ser: Adorar a Deus. Amar as pessoas. Gostar das coisas.

Diante de posturas loucas e irresponsáveis de uma geração que negligencia a Palavra de Deus você e eu devemos refletir e nos posicionarmos em relação a este assunto. Esse relacionamento cultivado entre uma mulher e um homem requer tempo, que se inicia com o namoro, chegando até a um compromisso público – o casamento, para estão, e só então, conhecerem-se mutuamente entregando-se em compromisso de amor.

O tempo, desde modo, é o nosso melhor companheiro para tornar uma relação madura, saudável e prazerosa. Tal como certos vinhos que se tornam melhores com o passar do tempo, e mesmo em meio às provações tornam-se como o ouro depurado pelo fogo. Lembre-se que o amor é demonstrado em cada momento da vida, por toda a vida e em cada estação do ano.

Gerações existem em todas as épocas. A geração Hippie, a geração Jeans, a geração Cara-pintada, a geração Coca-Cola... Mas existe uma geração diferente formada e criada por Deus através de Jesus, a geração compromisso, que crê, lê e estuda a Bíblia, que clama, ora e confia em Deus, que respeita, valoriza e trata o próximo como criatura de Deus.

Ser ou não ser uma geração compromisso. Eis a questão.

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Gilberto Bueno Filho, é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2001. Pós-Graduação em Ética, Cidadania e Subjetividade pela Escola Superior de Teologia em 2007. É fundador e editor do blog familiafariabueno.
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