Cristo nos escolheu como amigos


João 15.12-17

A “Canção da América” de Milton Nascimento é uma bela música que fala da valorização da amizade. Diz um conhecido trecho: “Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito... Mesmo que o tempo e a distância digam ‘não’... Mesmo esquecendo a canção... O que importa é ouvir... A voz que vem do coração”.

Interessante é que as amizades começam desde muito cedo, vão seguindo até a juventude ou idade adulta. Vemos uma espécie de amizade, ou no mínimo companheirismo até no mundo animal, ás vezes até os mais improváveis, como cães e gatos entre outros. Mas, ao contrário do dito popular, o melhor amigo do homem não é o cachorro. Veremos um amigo muito melhor, de fato insuperável.



1 - Cristo nos escolheu como amigos, cabe a nós amarmos uns aos outros.
O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno. João 15. 12-14;17

Amigos brigam, às vezes discutem feio e precisam de humildade para pedir perdão e por um ponto final na situação. O relacionamento humano é muito complexo e cheio de detalhes que podem fazer uma amizade perdurar por muito tempo ou terminar rapidamente. É um balanço entre os extremos.

Infelizmente, magoar um amigo é muito fácil, o difícil é fazer a mágoa passar.

Mas Cristo não está dizendo estas palavra a amigos comuns, eles são amigos especiais! Cristo capacita a perdoar, a agir com bondade, a ajudar, sendo esse um amor prático, sacrifical. Contudo, é um amor menor do que o de Jesus, pois foi ele que fez o ato maior de amizade, como diz o texto, de morrer pelos seus amigos.

Vemos o caráter prático deste amor no decálogo em Êxodo 20, onde poderíamos dividir em dois blocos de 5 leis, um em relação direta entre o homem e Deus, e o segundo, do homem em relação a ele mesmo e seu semelhante.

A segunda parte também se refere a Deus indiretamente, pois todo pecado apesar de ofender ao próximo, às vezes a si mesmo (quando contra o próprio corpo), também ofende a Deus, pois o homem carrega consigo a Sua imagem e semelhança. 

Portanto, a amizade de Cristo depende não somente no nosso respeito, devoção, dedicação e louvor a Ele, mas também de respeito, consideração e auxílio mútuo ao nosso próximo. 

Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão (Marcos 9. 41).
Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo (Gálatas 6. 2).

Cristo nos escolheu para amigos, cabe a nós amarmos uns aos outros. O amigo sempre quer ver o outro bem, quer ajudar, por isso não há espaço para indiferença e mágoas no nosso circulo de amizade com Cristo.


2 - Cristo nos escolheu como amigos, cabe a nós desenvolvermos intimidade
Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido (João 15. 15).
Neste verso Jesus está mostrando aos discípulos pela metáfora da amizade que eles agora passaram a um nível de intimidade muito maior do que a que existe entre um servo e seu Senhor. Essa intimidade com Cristo pelo conhecimento do Pai Celestial.

Uma vez que Jesus nos escolheu como amigos, é preciso desenvolver nossa intimidade com Ele, aprendendo das suas palavras, sempre meditando nelas, é preciso conversar com Ele pelas orações todos os dias. É preciso ter comunhão com Cristo e com nossos outros amigos cristãos também, para nossa edificação. É preciso “investir” nessa amizade.

Certa vez eu assisti uma comédia romântica em que a garota deu ao rapaz o que ela chamava de “samambaia do amor”. Dizia ela que se ninguém regasse e cuidasse da planta, prestando atenção e regando quando necessário, ela começaria a murchar e morrer e assim seria com o amor entre eles.

Amados, a nossa amizade em Cristo precisa ser regada, cuidada, precisamos dar atenção a ela, do contrário ela também pode começar a murchar e morrer.

É importante ressaltar que:

(...) o Senhor detesta o que procede mal, mas reserva sua intimidade para os homens retos. Provérbios 3.32

Ou seja, além de buscar conhecimento e comunhão, desenvolver intimidade com Deus depende da busca por uma vida correta diante do Senhor, implica em mudanças de atitude, de escolhas e de prioridades.


3 – Cristo nos escolheu com amigos, cabe a nós frutificar amizades
Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome (João 15. 16).

Em outra versão: Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

Assim como no bloco anterior que fala da videira e os ramos, os frutos tem duplo significado, o primeiro tem haver com o que o Ap. Paulo chama de frutos do espírito:

Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, (Gálatas 5. 22).

Se somos legítimos amigos de Cristo, estes frutos vão aparecer na nossa vida e isso vai chamar outras pessoas para este circulo de amizade.

Este é o segundo sentido para fruto no texto, veja Jesus diz, conforme uma versão de tradução: “eu os escolhi para irem e darem fruto”, na outra: “os nomeie para que vades”. A parte final do verso, “a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome” mostra a questão da investidura de autoridade que Cristo deu a seus discípulos.

Em todos os casos de envio, o que está em questão, fundamentalmente é a pregação do evangelho, em outro caso como na missão dos setenta, deu até autoridade sobre espíritos e para curar doentes anunciando que o Reino de Deus estava próximo,como vemos em Lucas 10.

É Deus nos enviando para frutificar amizades para Ele. Isso requer bom testemunho daquilo que Jesus tem dado a conhecer do Pai.

Esse fruto permanecerá pela eternidade, pois ambos os frutos são para galardão, recompensa de Deus nas moradas celestiais. E o pecador que se arrepende ouvido à mensagem do Pai celestial, permanecerá conosco para sempre também.

Hoje, um dos métodos de evangelismo tido como mais eficaz é o da amizade. Como vimos no texto, isso não é algo novo, sendo que pessoas seguem pessoas. Na internet, há uma onda de seguidores, no Google, no Twitter, Linkedin, sempre com interesses em comum.

Tenho visto uma frase no MSN de umas pessoas que diz o seguinte: “de 100 pessoas, uma lerá a Bíblia, 99 lerão o Cristão”.

Como tem sido nosso testemunho? Temos usado o canal da amizade como canal da graça de Deus?
Que Deus nos ajude nesses objetivos, para que nosso fruto seja o que permanece para eternidade.

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Danilo Cassemiro de Campos é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2010. Ordenado em 2011. Bacharel em Design (Projeto do Produto) pela Faculdade Asseta de Tatuí (2008), além de Técnio em Processamento de Dados e Hardware (1998 e 2002). É fundador e editor do site www.desimax.com.br
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