Aquele beijo


Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos - Provérbios 27.6

Uma definição que podemos ter sobre o beijo (ósculo) encontra-se na Pequena Enciclopédia Bíblica, que diz que é o ato chegar de os lábios fechados a alguém ou a alguma coisa e em seguida abri-los com um pequeno ruído. 

O beijo geralmente significa uma demonstração de carinho, afeto e amor. É uma saudação praticada em várias culturas, e também na nossa, pois quando encontramos alguém logo damos um, dois ou “três beijos para casar”.

A Bíblia nos mostra vários tipos de beijos, como por exemplo, o de carinho (Gn 27.26-27; Lc 7.38); o de reconciliação (Gn 33.4; 2Sm 14.33); o de despedida (Gn 31.28; Rt 1.14); o de homenagem (Sl 2.12; 1Sm 10.1); o de amor fraterno (Rm 16.16; 1Co 16.20; 2Co 13.12; 1Ts 5.26; 1Pe 5.14); o de idolatria (1Rs 19.18; Jó 31.27; Os 13.2) e o de traição (2Sm 15.5; Mt 26.48-49; Pv 27.6).
O beijo foi, nos tempos de Jesus, uma saudação comum, significando um sinal de lealdade, de sujeição, de respeito e de amizade. Jesus foi traído com esta saudação, com um beijo. Não era normal, segundo Fritz, que o discípulo saudasse primeiro o seu mestre, pois quando assim ocorria, este ato revelava um sinal de insubordinação. No evangelho de Mateus, vemos que Judas beijou a Jesus, revelando a sua não submissão ao Senhorio de Cristo. 

O pastor Guilherme Kerr compôs os seguintes versos sobre este episódio: “Beijos, beijos, beijos... beijos nem sempre são o que parecem, beijando-lhe o rosto, fingindo-se amigo, Judas a Cristo traiu”. Judas mostrava-se como um discípulo, mas traiu Jesus com um gesto de intimidade, com um beijo.

Vejo que ainda hoje há muitos “Judas”, muitos que não são criteriosos e cuidadosos em relação à própria vida, deixando que as coisas do mundo lhes beijem, sugando-lhes toda a vida dada por Jesus Cristo.

Ser criterioso com o que vemos e ouvimos é fundamental para um relacionamento com Deus. Assim, devemos aproveitar a oportunidade para juntos, em família, conversarmos e julgarmos cada novo programa que as emissoras de televisão querem nos mostrar. Ensinar aos nossos filhos e filhas a assumirem um compromisso real e definitivo com Deus. Essa é a nossa tarefa como seus discípulos.

Cuidemos para que a TV e outras programações, não nos roubem a paz, a intimidade e a comunhão com Deus, tornando nossa vida seca, mirrada, sem sabor e sem o colorido de Deus. Não deixemos que os “beijos mortais” deste mundo nos iludam e nos desviem da verdadeira prova de amor de Deus para com o ser humano, Jesus Cristo, que sofreu e morreu numa cruz por nós pecadores, simplesmente por nos amar.

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Gilberto Bueno Filho, é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2001. Pós-Graduação em Ética, Cidadania e Subjetividade pela Escola Superior de Teologia em 2007. É fundador e editor do blog familiafariabueno.
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