Rute e o Poder Transformador da Lealdade - Estudo Bíblico sobre Personagens do AT


Rute 1.15-22

O valor teológico do livro de Rute é muito expressivo em relação com a universalidade de Deus. Neste sentido os hebreus tinham progredido muito pouco. Para eles, o Todo-Poderoso não atuava fora dos limites territoriais do seu povo.

Nem mesmo os judeus da Dispersão podiam ter a presença de Deus com eles. Neste sentido, o livro de Rute é de grande e inspirativa luz.

Ele mostra que Deus pode suscitar grandes líderes dentre todos os povos do mundo. Pois Davi, o segundo rei dos Hebreus, que, sem favor, foi o mais eficiente e prestigioso rei de Israel, era descendente direto da moabita Rute.

1 - EMIGRANTES DE BELÉM

A) MOTIVOS DA EMIGRAÇÃO

No tempo dos Juízes houve grande seca e muita fome em Belém de Judá. Um homem da elite social, de nome Elimeleque, natural dessa pequenina terra que se tornou histórica desde esse tempo, e teve suas culminâncias com o nascimento de Jesus Cristo, emigrou e foi peregrinar nas terras férteis de Moabe, na planura oriental do Mar Morto, com sua esposa, de nome Noemi, e dois filhos, chamados, Malom e Quiliom.

Não foram bem sucedidos nas plagas onde outrora existiram as cidades de Sodoma e Gomorra, devoradas por "fogo e enxofre" nos dias do patriarca Abraão.

Era lugar fertilíssimo, mas de clima abafado e pestilento, numa depressão de quase 400 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. Aí, por perto do Mar Morto, Elimeleque armou sua tenda e viveu poucos anos, vindo a morrer, certamente, vitimado pelas doenças do próprio clima.

Nesse lugar seus filhos se casaram com jovens de bons sentimentos, cujos nomes eram, Orfa e Rute. Quase dez anos se passaram e os dois moços acompanharam seu pai na morte, ficando as duas viúvas na companhia de Noemi, as quais passaram a experimentar fortes agruras.

B) VOLTA DE NOEMI A BELÉM

Os revezes cada vez mais cresciam. Noemi teve notícia de que na sua terra havia pão, pois passara a seca e seu povo tinha fartura de alimento. Por isso, resolveu voltar aos seus parentes.

Suas noras a acompanharam neste gesto, mas ela lhes mostrou as dificuldades que três viúvas pobres teriam de encontrar em Belém de Judá, sob o preconceito racial dos judeus e da pobreza que teriam de enfrentar. Outro problema de maior vulto ainda era o preconceito religioso dos judeus.

Como poderiam suas noras praticar seu culto pagão na terra de Judá? Ela, Noemi, podia voltar sozinha, porquanto não tinha qualquer responsabilidade social ou legal por sua emigração para Moabe. O que ela não tinha razão e nem direito de fazer, era levar viúvas estrangeiras para aumentar os problemas de sua cansada terra.

C) ATITUDES DIFERENTES

Ouvindo as judiciosas ponderações de sua sogra que lhes dizia: "Não, filhas minhas, voltai ao vosso povo e aos vossos deuses, porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o Senhor descarregado contra mim a sua mão", Orfa, chorando, apartou-se de sua sogra com um beijo e se foi aos seus parentes moabitas.

Rute, porém, não se conformou a tanto. Apegou-se a Noemi e não atendeu a qualquer dos seus argumentos. Somente lhe disse:

Rute 1:16-17
"Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pousares, pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e aí serei sepultada, faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti"

2 - AMOR UNIVERSAL DE DEUS

A) BÊNÇÃOS DO AMOR DE DEUS

Nenhuma outra força há que supere a força do amor de Deus. Fora deste amor de Deus, nada é permanente no mundo, nem no tempo e nem no espaço.

Os amores humanos só têm função útil em termos do amor eterno de Deus, que é mais forte que a morte e mais sublime que a nossa própria vida humana. Pois nenhuma vida é completa sem o concurso direto do amor de Deus.

No Antigo Testamento, apesar do exclusivismo dos judeus, encontramos claras mostras da universalidade de Deus e do seu grande amor, revelado em muitos episódios da vida nacional israelita.

O próprio Deus disse a Abraão: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3; Gl 3.8). A mesma declaração o Senhor Deus fez ao jovem Jacó, quando este fugia de seu irmão Esaú (Gn 28.14).

A lição de hoje, é sobretudo, clara no sentido de mostrar como Deus está sempre interessado em se apresentar a todos os povos da terra.

O "ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16.15); a visão apocalíptica dos salvos na glória (Ap 7.9); e outros tantos testemunhos, mostram que Deus não é propriedade de um credo e nem de qualquer povo ou nação aqui na Terra.

Nos casos aqui mencionados e nos resultados dos trabalhos missionários em todo o mundo, vemos como Deus tem as mãos cheias de fartas bênçãos para os que, como Rute, o aceitam para a vida e para a morte.

B) FRATERNIDADE DOS CRENTES

Rute e Noemi se identificaram tão fraternalmente, porque usaram todos os seus dotes naturais a prol do bem coletivo. Do seu apego mútuo, deduzimos a vida piedosa que elas mantinham nas relações domésticas.

Não havendo fraternidade amorosa no lar, não pode haver compreensão mútua e nem comunhão espiritual entre os membros da família.

O maior esforço da Igreja no mundo presente deve estar na direção do lar. A vida humana universal depende do lar em todos os sentidos.

As nossas maiores alegrias residem na fraternidade sincera que mantemos com os nossos irmãos em Cristo. Sem tal fraternidade não pode haver verdadeira comunhão com Deus e nem os seus salutares efeitos em benefício dos que estão, ainda, "na região da sombra e da morte" (Mt 4.16).

C) OS PRIVILÉGIOS DE RUTE

A confiança que Rute demonstrou no Deus da sua nova fé foi, fartamente, compensada por copiosas bênçãos, logo que chegou ao convívio do seu novo país. Sua naturalização, ela a fizera, diante mão pela fé, quando disse: "... o teu povo será o meu povo".

Chegou numa terra estranha, como se fosse a sua própria terra. Realmente, o melhor lugar do mundo deve ser aquele em que precisamos viver. Aí chegando, Rute não encontrou reação de ninguém, porque todos logo souberam que o Deus de Rute era, agora, o Deus de Israel.

Seu casamento com um príncipe entre os judeus, com a orientação de Noemi, foi outra compensação elevada e justa. Contudo, a maior compensação, que Deus lhe deu, foi a de ela passar à História tomando parte integrante na genealogia de Jesus.

CONCLUSÃO

"Deus é fiel! Ajusta as aflições que a nós melhor convém".

Salmos 125:1-2
"Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não se abala, firme para sempre. Como em redor de Jerusalém estão os montes, assim o Senhor em derredor do seu povo, desde agora e para sempre"

Do lindo poema, que é o livro de Rute, aprendemos que Deus abençoa e protege a quantos nele confiam e, cada vez mais, une os corações dos que o amam em verdade.


Lista de estudos da série

1. Noé e a Estratégia Divina para Sobreviver ao Caos – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

2. Abraão e o Poder da Obediência Radical – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

3. Isaque e os Segredos da Paz que Prospera – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

4. Jacó e a Jornada da Transformação Radical – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

5. José e a Arte de Vencer a Traição – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

6. Moisés e os Passos de uma Liderança Imbatível – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

7. Josué e a Coragem para Conquistar o Impossível – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

8. Rute e o Poder Transformador da Lealdade – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

9. Ana e a Oração que Move o Coração de Deus – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

10. Samuel e Como Ouvir a Voz de Deus Hoje – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

11. Jônatas e o Valor de uma Amizade Verdadeira – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

12. Ester e a Coragem para Mudar o Destino – Estudo Bíblico sobre Personagens do AT

Semeando Vida

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