Colossenses 3:12-17
A comunidade cristã deveria ser um dos espaços mais alegres do mundo. Não deveria existir um lugar mais prazeroso do que o ambiente da Igreja. Contudo, isto não tem sido uma realidade na prática de muitas das igrejas brasileiras.
Às vezes falta a alegria da participação nos cultos públicos de adoração. Muitos saem dos templos como se estivessem saindo de um velório; ou, às vezes, com uma expressão carrancuda de raiva e ressentimento. Perdemos as oportunidades de realização de festas.
Associamos sempre a ideia de festa com o pecado e nos omitimos, não celebrando como festa o Pentecoste Cristão, a Páscoa Cristã, o Natal, a Eucaristia etc. O comércio acaba ocupando este espaço e de forma errada.
A separação entre "material" e "espiritual" acabou prejudicando demasiadamente a vida e a visão da Igreja a respeito deste assunto.
As reuniões "sociais" da comunidade nem sempre são encaradas como "espirituais". Tudo isto foi minando a sociabilidade da Igreja, e o que deveria ser alegre, passou a ser triste; o que deveria seduzir, passou a ser evitado.
Sociabilidade é o "que pode ser unido", é a tendência para a vida em sociedade. Cremos que a comunidade cristã pode e deve ser uma sociedade agradabilíssima, sem deixar de ser fiel ao seu Senhor.
O objetivo deste estudo é resgatar a vida social da e na igreja, mostrando que ela pode unir o útil ao agradável, sem perder de vista o seu alvo maior: a evangelização deste mundo. Vamos à reflexão!
1 - SOCIABILIDADE - FATOR DE EVANGELIZAÇÃO
A sociabilidade praticada pela Igreja só tornará a evangelização uma tarefa mais agradável e menos complicada. Quantas pessoas conheceram o Evangelho através de uma partida de futebol com a "turma" da Igreja!
Outras através de um almoço festivo promovido pela comunidade; ou, por meio de um teatro num sábado à noite, começaram a se interessar pelo Evangelho, ao ver que os cristãos são pessoas normais e sociais.
Geralmente, ao lado de cada templo, existe sempre um salão social com um espaçoso palco que deveria ser usado para teatros, festas folclóricas e chás sociais promovidos pelos vários ministérios da comunidade.
Esses eventos só facilitariam a evangelização da Igreja nos dias atuais. No teatro da Igreja poderiam ser encenadas peças de cunho evangelístico ou encenações de vários episódios das Escrituras ou da vida de Jesus.
Poderia, também, ser usado para uma noite de artes, em que os membros da comunidade recitariam poesias, fariam esquetes, apresentações; enfim, a Igreja poderia usar todo o seu potencial criativo, colocando o seu talento e o seu espaço teatral a serviço do anúncio das Boas-Novas.
Paulo fala do seu senso de adaptação ao outro com o objetivo de proclamar o Evangelho (I Co 10:19-23).
Lucas registra o modo de viver dos primeiros cristãos de Jerusalém, informando que eles contavam "com a simpatia de todo o povo" (At 2:42-47).
O saudoso professor de Ética Cristã, Rev. Francisco Penha Alves, dizia: "para você ganhar um irmão, é preciso, primeiro, ganhar um amigo".
Dentro da sociabilidade da Igreja, só ela deveria promover festas, eventos, confraternizações, até para mostrar ao mundo como deve ser feito, de uma forma bonita, alegre, sóbria, servindo de modelo.
A Igreja não faz... O que acontece? O mundo faz por ela, e aí surgem aberrações que a Igreja critica e condena... O lema da Igreja deveria ser a orientação apostólica: "Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele" (I Co 10:23).
Nosso Senhor Jesus Cristo sempre desenvolveu uma vida social agradável, e estava presente em festas, banquetes e jantares, e nunca perdeu uma oportunidade nesses lugares para falar do objetivo de sua missão (Mt 9:14-17; Lc 7:36-50; Jo 2:1-12).
2 - SOCIABILIDADE - FATOR DE INTEGRAÇÃO
É inegável que a sociabilidade na vida da Igreja seja um fator de integração. As festas na vida da comunidade deveriam ser mais usadas para levar os novos convertidos a uma perfeita integração.
Assim, portanto, por que não usar o Pentecoste, que relembra a descida do Espírito Santo, para fazer uma bonita celebração de alegria, onde a sociabilidade esteja presente?
Outra festa que deveria ser mais aproveitada na área da sociabilidade da comunidade é o Natal, até para se divulgar o real significado do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, tão ofuscado pelo aproveitamento comercial da festa.
Por que a Igreja não faz isto? A grande verdade é que, a maioria dos evangélicos no Brasil, foi ensinada a ver qualquer festa como um ambiente pecaminoso. Talvez, por isso, o Cristianismo perdeu muito o seu aspecto festeiro, passando a imagem de uma religião triste, ou, como em muitos casos, de uma alegria baseada numa falsa espiritualidade.
Vale a pena o registro do comentário de Colossenses 2:16-23, da Bíblia Sagrada Edição Pastoral, que diz:
"Morrer para os elementos do mundo, significa fazer que o mundo volte a ser simplesmente mundo: que o mundo não seja um sagrado opressor, uma norma de salvação. Aceitar Cristo como o único sacramento, faz com que o mundo se torne relativo. Desse modo, o cristão pode mover-se nele com plena liberdade" (pág. 1517). A orientação apostólica aos filipenses é de alegria: "alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor" (Fp 4:4-5).
A integração à vida da Igreja seria menos traumática, se as nossas igrejas aprendessem e praticassem mais a sociabilidade, usando-a como fator de união do povo de Deus.
Causaria, assim, inveja no mundo, fazendo-o copiar o modelo de sociabilidade da comunidade cristã. A Igreja do primeiro século aproveitou muito bem a sociabilidade como fator de integração dos novos convertidos (At 2:42-47).
3 - SOCIABILIDADE - FATOR DE EXALTAÇÃO DO NOME DE CRISTO
A sociabilidade na vida da Igreja, que pode ser útil para a evangelização e a integração é, sobretudo, para a exaltação do nome de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Diz o apóstolo: "E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai" (Cl 3:17).
A vida social da Igreja deve visar sempre a glorificação de Deus. Toda a ação da Igreja no mundo deve ter como motivação a glorificação de Jesus Cristo.
A sociabilidade na Igreja não é um fim em si mesma; a preocupação primeira da comunidade não será a sua vida social, mas sim, a glória de Deus.
Comer, beber, celebrar, festejar, confraternizar ou qualquer outra coisa mais, devem subordinar-se a esta consideração mais importante: a exaltação do nome de Jesus Cristo.
O reformador João Calvino comenta que Paulo
"ensina que não há parte alguma de nossa vida ou conduta, por mais insignificante que seja, que não esteja relacionada com a glória de Deus (...) Se formos zelosos pela glória de Deus, como de fato o devemos, até onde estiver em nosso poder, evitaremos que suas bênçãos se transformem em objetos de abuso (I Co 10:31)". ("I Coríntios" - pág. 323 - João Calvino).
4 - SOCIABILIDADE - FATOR DE GRATIDÃO
A sociabilidade da Igreja também é fator de gratidão. A vida cristã é um constante desafio a uma atitude de gratidão. O apóstolo orienta a Igreja sobre essa ação de graças: "... sede agradecidos" (v.15) e"... dando por ele graças a Deus Pai" (v.17b). O propósito da sociabilidade promovida pela comunidade cristã será também a gratidão.
Ninguém promove uma festa ou uma reunião social sem um motivo de alegria no coração. Encontramos em toda a Escritura expressões de gratidão a Deus pelos muitos benefícios derramados (Sl 103:1-2).
As festas de Israel, que eram festas religiosas, mas também festas de sociabilidade, tinham sempre propósitos de gratidão pela ação de Deus na vida do povo. Que outra comunidade teria mais motivos para festejar do que a Igreja cristã?
Assim sendo, cremos que inúmeras igrejas, na omissão quanto aos vários aspectos da sociabilidade, têm perdido uma excelente oportunidade para a propagação do Evangelho, para a integração, para a gratidão e para honrar e glorificar o nome de nosso Senhor Jesus.
Talvez por medo de escandalizar, talvez porque foi educada assim, "talvez por achar que a vida social não tem nada a ver com a espiritual, talvez porque vê pecado em quase tudo no mundo... talvez por isso, a Igreja não desfruta das boas coisas da vida, coisas que foram criadas para deleite do próprio homem. Nosso Senhor Jesus veio para que tivéssemos vida e vida de qualidade! (Jo 10:10).
DISCUSSÃO
1 - O estudo recomenda que as igrejas realizem festas folclóricas e do calendário cristão. O que você acha disso? Justifique!
2 - A sua Igreja é uma comunidade que participa da sociabilidade da sociedade em que está inserida?
Autor: REV. AÍLTON GONÇALVES DIAS FILHO
Lista de estudos da série
1. Você é o líder que sua igreja precisa? – Estudo Bíblico sobre Liderança Cristã2. O segredo da igreja que enxerga além – Estudo Bíblico sobre Visão e Propósito
3. Sua fé é forte ou apenas uma miragem? – Estudo Bíblico sobre Doutrina Sadia
4. A bússola moral que o mundo perdeu – Estudo Bíblico sobre Ética Cristã
5. As paredes nos definem ou nos limitam? – Estudo Bíblico sobre Organização da Igreja
6. O manual da adoração que toca os céus – Estudo Bíblico sobre Liturgia
7. A igreja está falando grego no século 21? – Estudo Bíblico sobre Comunicação
8. Festa também é evangelismo de verdade – Estudo Bíblico sobre Comunhão
9. O guia infalível da missão integral – Estudo Bíblico sobre o Chamado da Igreja
10. Sua fé tem coragem para mudar o mundo? – Estudo Bíblico sobre Engajamento Social
11. Como sua igreja pode finalmente crescer – Estudo Bíblico sobre Maturidade Espiritual
12. As 3 chaves da tolerância sem fraqueza – Estudo Bíblico sobre Unidade na Diversidade
13. A surpreendente verdade sobre a união das igrejas – Estudo Bíblico sobre Ecumenismo``
