As Bem-Aventuranças (7) - Os Pacificadores

Finitude inevitável


O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus (Sl 50.23).

W. Somerset Maugham reconta um antigo mito. 

Um mercador de Bagdá envia seu servo ao mercado para fazer compras. Mas o homem volta pouco depois de mãos vazias, pálido e tremendo de medo. Ele conta ao chefe que uma mulher na multidão deu um encontrão nele. 

Ao olhar mais de perto, ele viu que era a Morte. “Ela olhou para mim e fez um gesto ameaçador”, afirma o servo. “Senhor, por favor, empreste-me o seu cavalo para que eu saia da cidade e evite o meu destino. Vou para Samarra. Lá a Morte não me encontrará”. 

O mercador empresta o cavalo e o servo sai cavalgando às pressas. Mais tarde, o mercador vai ao mercado fazer ele mesmo as compras. 

Lá, ele vê a Morte e pergunta por que ela ameaçou seu servo mais cedo. “Aquilo não foi um gesto ameaçador”, responde a Morte. “Foi apenas uma reação de surpresa. Eu me surpreendi por vê-lo em Bagdá, pois tenho um encontro marcado com ele hoje à noite em Samarra”. 

Frank Ostaseski comenta esta fábula dizendo: 

Como ocorreu com Joe, quando fazemos vista grossa para a inevitabilidade da morte, ela nos pega de surpresa. Mesmo fugindo em outra direção, sempre chegamos à sua porta. E nos assustamos porque não percebemos os sinais que ela deixa à vista. Na maioria das vezes, imaginamos que a morte virá mais tarde e que, portanto, não faz sentido se preocupar com ela agora. O depois cria a ilusão confortável de uma distância segura.

Não precisamos acelerar e nem podemos retardar o dia de nossa morte. Morrer é inevitável, saber disso deve nos levar a uma atitude constante de respeito e comedimento. Os nossos dias de vida são uma oportunidade de arrependimento. 

Vivemos melhor quando lembramos que a morte não é um fantasma de quem fugimos, mas um lembrete que precisamos nos manter vigilantes, firmes nos caminhos de Deus. “Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus” (Am 4.12b).

Aproveite a vida com consciência.

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