O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus (Sl 50.23).
W. Somerset Maugham reconta um antigo mito. Um mercador de Bagdá envia seu servo ao mercado para fazer compras, mas o homem volta pouco depois de mãos vazias, pálido e tremendo de medo.
Ele conta ao chefe que uma mulher na multidão deu um encontrão nele. Ao olhar mais de perto, viu que era a Morte. “Ela olhou para mim e fez um gesto ameaçador”, afirmou o servo.
“Senhor, por favor, empreste-me o seu cavalo para que eu saia da cidade e evite o meu destino. Vou para Samarra. Lá a Morte não me encontrará”. O mercador emprestou o cavalo e o servo partiu.
O encontro marcado em Samarra
Mais tarde, o mercador foi ao mercado fazer as compras pessoalmente. Lá, ele avistou a Morte e perguntou por que ela havia ameaçado seu servo mais cedo.
“Aquilo não foi um gesto ameaçador”, respondeu a Morte. “Foi apenas uma reação de surpresa. Eu me surpreendi por vê-lo em Bagdá, pois tenho um encontro com ele hoje à noite em Samarra”.
Frank Ostaseski comenta esta fábula dizendo que, quando fazemos vista grossa para a inevitabilidade da morte, ela nos pega de surpresa. Mesmo fugindo em outra direção, sempre chegamos à sua porta.
A ilusão da distância segura
Nós nos assustamos porque não percebemos os sinais que o fim deixa à vista. Na maioria das vezes, imaginamos que a morte virá muito mais tarde, criando a ilusão confortável de uma distância segura.
Não precisamos acelerar e nem podemos retardar o dia de nossa partida. Morrer é inevitável, e saber disso deve nos levar a uma atitude constante de respeito, vigilância e comedimento.
Os nossos dias de vida são uma oportunidade preciosa de arrependimento. Vivemos melhor quando lembramos que a morte não é um fantasma de quem fugimos, mas um lembrete para estarmos firmes com Deus.
“Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus” (Am 4.12b). Aproveite cada momento da sua vida com consciência e fé, pois o nosso tempo pertence ao Senhor.
Autor: Hebert Gonçalves