Duas moscas


Tenho, porém, contra li que abandonaste o teu primeiro amor (Ap 2.4).

Conta-se que, certa vez, duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente. Assim, logo ao cair, nadou até a borda do copo. Mas como a superfície era muito lisa e ela tinha suas asas molhadas, não conseguiu sair. 

Acreditando que não havia saída, a mosca desanimou, parou de nadar e se debater e afundou. Sua companheira de infortúnio, apesar de não ser tão forte, era tenaz. 

Continuou a se debater, a se debater e a se debater por tanto tempo que, aos poucos, o leite ao seu redor, com toda aquela agitação, foi se transformando e formou um pequeno nódulo de manteiga, no qual a mosca tenaz conseguiu com muito esforço subir e dali alçar voo para algum lugar seguro. 

Durante anos, ouvi esta primeira parte da história como elogio à persistência que, sem dúvida, é um hábito que nos leva ao sucesso. 

No entanto, tempos depois, a mosca tenaz, por descuido ou acidente, novamente caiu no copo. Como já havia aprendido em sua experiência anterior, começou a se debater, na esperança de que, no devido tempo, se salvaria. 

Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da companheira de espécie, pousou na beira do copo e gritou: “Tem um canudo ali, nade até lá e suba por ele!” 

A mosca tenaz não lhe deu ouvidos, baseando-se na sua experiência anterior de sucesso e, continuou a se debater e a se debater, até que, exausta, afundou no copo cheio de água. 

Quantos de nós, baseados em experiências anteriores, deixamos de notar as mudanças de ambiente, não ouvimos os outros e ficamos nos esforçando para alcançar os resultados esperados, até que afundamos na própria falta de visão? (Autor desconhecido). 

Espiritualmente, muitos vivem uma religião apenas de formalidade. Devemos ser persistentes, mas tomar cuidado para não fazer de nossa fé apenas uma ação mecânica. Se apenas repetirmos as mesmas ações, mas sem o mesmo amor do início, podemos afundar. 

No lugar da repetição, aja com o coração.

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