Olhos voltados a Deus


E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira 
Êxodo 17.15

Na linguagem do futebol sempre é dito que o ataque precisa de um atacante de referência. Alguém para quem outros possam olhar a fim de passar a bola e marcar o gol.

Na verdade, referência não é apenas uma necessidade do futebol. Em todo segmento, todos precisam ter para quem olhar. 

Assim é num país, estado ou cidade que têm os seus governantes como referência. Assim é na família, onde, a figura dos pais é tida como referência. 

Não é diferente em relação ao Senhor. O nome “O Senhor é nossa Bandeira” possui essa mesma conotação. Isto é, o Senhor deve ser aquele para quem nós devemos olhar. 


Note que antes de subir para o monte Moisés diz a Josué: “Amanhã, estarei eu no cimo do outeiro, e o bordão de Deus estará na minha mão”. 

Enquanto o povo pelejasse, ele olharia para esse bordão. Bandeira e bordão são coisas diferentes aqui? Não. São palavras diferentes para se referir a uma mesma coisa. A palavra para a qual traduzimos bandeira é a mesma para traduzir bordão. 

Mas qual é a importância desse bordão? Para entendermos isso temos que olhar para o que Deus falou para Moisés em Ex 4.17: “Toma, pois, este bordão na mão, com o qual hás de fazer os sinais”. 

Com esse bordão, Deus operou grandes sinais: Ele virou uma serpente e engoliu a dos magos. Por meio dele, Deus mandou pragas. Transformou as águas do Nilo em sangue (Ex 7. 17-20) 

Por meio dele veio a praga das rãs (Ex 8.5) dos piolhos (8.16-17), da chuva de pedra e fogo (Ex 9.23), dos gafanhotos (Ex 10.13). Por meio desse bordão o mar Vermelho se abriu (Ex 14.16). Enfim, com esse bordão, Deus fez brotar água da rocha (Ex 17.6). 

O bordão, portanto, é um símbolo do poder de Deus. Não era apenas o bordão de Moisés, mas o bordão de Deus com o qual salvaria mais uma vez o povo. Naquele contexto, olhar para o bordão era o mesmo que olhar para Deus. 

E quais são efeitos disso? Quais são os efeitos de se olhar para Deus. 


1 – Relacionamento com Deus 

Deus salvou Israel da escravidão e demonstrou todo o seu poder por meio das pragas, da abertura do Mar Vermelho. Também demonstrou sua força matando a sede do povo. 

Todos esses atos prodigiosos do Senhor foi um convite para que este povo olhasse pra Ele e o reconhecesse como único e poderoso Deus. E com Ele desenvolvesse um relacionamento íntimo. 

Muitos servos do Senhor no passado olharam para o Senhor se relacionaram Ele. Isaías, por exemplo quando viu o Senhor sentando num alto e sublime trono se dispôs a servir ao Senhor. 

No Novo Testamento, Deus manifestou o seu poder por meio de Cristo. Certa ocasião Jesus disse: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9.3).

A cura efetuada por Cristo era a própria manifestação do poder de Deus. Esse poder levou muitos a se converterem a ele e se relacionarem com ele. Um exemplo é Tiago que era conhecido como quem tinha joelhos de camelo devido o grande tempo que passava em oração. 

Implicações 
Partindo do pressuposto que conhecemos a Deus, há uma pergunta muito simples e honesta que devemos fazer.

O que temos feito com todo esse suposto conhecimento? Tem sido para nós estímulo para nos relacionarmos com Ele? Ou ele apenas tem sido motivo para nos orgulharmos, para arrotarmos santidade? 

O salmo 25.14 diz assim. “A intimidade do SENHOR é para os que o temem. (Sl 25.14). O texto basicamente ensina que somente quem teme, de fato conhece. 

No AT muitos, apesar do conhecimento histórico de Deus, não se relacionaram com ele e padeceram. No NT, o mesmo aconteceu. Se olharmos no livro do Apocalipse, muitos que conheciam a Deus ao invés de orarem a ele pedindo força para suportarem a aflição, resolveram se curvar diante de um homem. 

Que não estejamos no rol daqueles que dizem conhecer, mas não se relacionam intimamente com o Senhor (oração, Bíblia, igreja). 


2 – Lembrança de quem Deus é (v. 14) 
“Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu”. 

Ordem dada diretamente por Deus para que o seu ato fosse registrado. Um dos objetivos era para que esse registro servisse ao povo de instrumento de recordação daquilo que o Senhor fizera no passado. 

Implicações 
Qual é o objetivo da lembrança? O que isso tem a ver com o fato de Deus ser a nossa bandeira, o nosso referencial? 

A lembrança daquilo que Deus fez nos faz refletir sobre aquilo que Ele é, sobre o seu caráter. Um Deus zeloso, amoroso, fiel, justo, que tem prazer na misericórdia, cuidadoso, que se deixa ser achado por todos os que o buscam. 

A lembrança daquilo que Deus é nos faz reafirmar nosso compromisso com Ele. Faz-nos recuperar a esperança, a intensificar a nossa fé e a fortalecer o nosso espírito. 

Essa lembrança é possível por meio da Escritura, mas também é possível mediante nossa experiência com Deus durante nossa vida. 

Se está desanimado ou prostrado talvez seja necessário que você faça a mesma oração de Jeremias: Lam_3:21 Quero trazer à memória o que me pode dar esperança (Lm 3.21). 


3 - Glorificação de Deus (v. 15) 
Dois textos servem de base para essa afirmação: 

O primeiro (v. 14) - “Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu”. Deveria ficar claro para as gerações seguintes o que Deus havia feito. 

O segundo (v.15): “E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira”. Por meio desse altar seria divulgado a grande vitória que Deus deu para seu povo. 

Esses dois textos apontam tem o mesmo propósito: Tornar Deus conhecido – esse é o sentido da expressão “glorificar a Deus”. 

Assim como esse altar divulgaria e relembraria os hebreus de quem Deus era, no NT, há cerimônias que nos fazem lembrar da grande libertação promovida por Deus. Uma delas é a Santa Ceia. Nela Jesus diz: E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim (Lc 22.19). 

Implicações 
Quando Deus é um referencial de uma pessoa, Ele é apontado para que outras vidas a fim de que sejam guiadas pelo mesmo caminho.

Isso é o mesmo que compartilhar com alguém a respeito de um bom lugar, uma boa comida. Quem experimenta algo bom, sempre indica para outras pessoas. Assim, também é com o Senhor. 

Portanto, todos nós que temos experimentado o que significa ser cristão, que temos experimentado a esperança da vida eterna em Cristo, da paz e da misericórdia de Deus, somos incumbidos de compartilhar com os outros àquilo que Deus é para que experimentem aquilo que já tem sido uma realidade em nossas vidas. 

Somos incitados a apontar para os perdidos, o caminho pelo qual ela deve seguir para se encontrar. Esse caminho, obviamente, é Cristo. 

Se Deus é de fato nossa referência, não podemos deixar de falar para os outros aquilo que vimos e aprendemos em Cristo. Ter Deus como referência significa ser um evangelizador fervoroso. 

Conclusão 
Dizer que o Senhor é a nossa bandeira é o mesmo que afirmar que Ele é nosso referencial. Quando Ele o nosso referencial, algumas coisas devem comprovar isso. 

São elas: Interação, lembrança e glorificação (evangelização) 

Se Ele de fato é nossa referência, a interação a lembrança e a evangelização certamente farão parte de nossa existência aqui na terra. 

Se essas qualidades forem vistas em nossas vidas, estaremos além de sermos apenas religiosos, mas demonstraremos que somos discípulos, vibrantes no relacionamento com Deus, na adoração, e na evangelização.

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