Os três grandes 'porventuras'


Lucas 24.13-35 (18,26,32)

Uma palavra dentro de um contexto, muitas vezes, não tem nenhum significado. No entanto, em determinado lugar, revela um universo de grandes realidades. A palavra porventura pode passar despercebida em muitas situações, apenas como recurso de linguagem. Entretanto, no presente episódio, tem para nós, um significado de suma importância.

O fato é que a morte do nosso Senhor Jesus Cristo causou uma série de problemas entre os Seus discípulos. Todos entraram em pânico pelo que ocorreu. O Senhor foi crucificado, morto e sepultado. Parecia que ali expectativas futuras se encerravam e sonhos, com Ele, foram enterrados.

O que podemos aprender no episódio bíblico da Caminhada a Emaús quando nos deparamos com três importantes quadros dentro de um glorioso capítulo?

O que vemos em cada Porventura?


I – NO PRIMEIRO 'PORVENTURA' VEMOS A PERGUNTA IRÔNICA DE UM DECEPCIONADO
"Um, porém, chamado Cléopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?" (v. 18).

Dois homens voltam para a sua casa depois de todo o acontecimento, ou seja, da paixão, morte e ressurreição de Cristo. O Senhor Jesus se aproximou e ia com eles. Estavam tão acabrunhados que não conseguiram vê-Lo, não perceberam que era Ele.

Fazendo de conta que nada sabia, Jesus pergunta sobre o que estavam conversando, um recurso para estabelecer um diálogo que sempre fora costume dEle. O Senhor Jesus era um excelente interlocutor. Sempre usou desse recurso para falar com as pessoas a fim de evangeliza-las.

A resposta imediata de Cléopas reflete uma ironia, como que dizendo: “Você, como peregrino, está assim por fora que não sabe dos últimos acontecimentos?”

Um outro recurso o Senhor usa, para provocar uma catarse, isto é, fazer com que pusessem para fora o que estava machucando. Cléopas falando:

a) Dá um fantástico testemunho sobre Jesus. "O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo,..."

b) Critica a maldade das autoridades do povo. "e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram."

c) Mostra-se decepcionado. "Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já o terceiro dia desde que tais cousas sucederam."

II – NO SEGUNDO 'PORVENTURA' VEMOS A RESPOSTA DIVINA DE UM VITORIOSO
“Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?” (v. 26). 

Como bons judeus que eram precisavam de ter a memória refrescada pelo que disseram as Santas Escrituras.

O nosso Senhor:

a) Critica a Atitude Deles. “Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram”.

b) Lembra-os do Padecimento do Messias. “Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?”

c) Fala de Moisés e dos Profetas. "E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” Como é boa a Palavra de Deus para nossas frustrações humanas!

III – NO TERCEIRO 'PORVENTURA' VEMOS OS CORAÇÕES ARDENTES DE DOIS HOMENS ESCLARECIDOS

"E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?" (v. 32).

a) Uma refeição. Aproximando da aldeia o Senhor ressuscitado fez menção de ir para frente, no entanto os dois O constrangeram a entrar em sua casa. O Senhor aquiesceu participando da mesa da refeição.

b) Uma ação. Foi quando, abençoando e partindo o pão, abriram-se os olhos deles para verem que era o Senhor. Ele andou com aqueles discípulos uma jornada para curar-lhes a alma e aquecer-lhes o coração para a grande jornada da fé que fariam, doravante, pregando o evangelho da graça.

c) Um Testemunho Real. Eles imediatamente foram contar aos outros e achando que era novidade, mas todos já sabiam só eles não haviam acreditado na conversa das mulheres (vv.22-24) e de alguns dos discípulos. Mas agora sabiam que era tudo verdade. (Lc 22.32-35)

Conclusão
Jesus está sempre presente na nossa Emaús, aproveitemos a sua companhia.

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Antonio Coine é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil há 40 anos. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi missionário da Igreja Presbiteriana do Canadá, plantando e pastoreando a Dovercourt-Saint Paul’s Presbyterian Church.

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