Mesmo em meio às dificuldades: marche!


Estão desorientados na terra, o deserto os encerrou. Dize aos filhos de Israel que marchem - Êxodo 14

O novo ano já chegou. Lembro-me que na passagem do ano de 2005 para 2006, quando a Austrália adentrava no Ano Novo em meio aos fogos de artifícios, um espetáculo fantástico, um repórter muito otimista dizia: “A Austrália celebrou a esperança num tempo de ansiedade.”

De fato, estamos celebrando a esperança numa era de grandes conturbações climáticas, revoluções em países, convulsões sociais num mundo de espetaculares avanços tecnológicos e científicos? O que Deus quer que façamos nos 366 dias deste novo ano que Ele nos concede? Quais as lições que o capítulo 14 de Êxodo nos oferece?


1- Esta palavra foi dita por um mortal que se dizia deus, e não, pelo Deus único e verdadeiro.

“Então, Faraó dirá dos filhos de Israel: Estão desorientados na terra, o deserto os encerrou.” (14.3)

a) Há Sempre Uma Palavra de Pessimismo do Mundo Para Com os Filhos de Deus. 
“Estão desorientados...”

Faraó via apenas aquilo que fazia parte da sua própria realidade existencial: Pessimismo. Isso é o que acontece com aqueles que se julgam aptos a realizar coisas, a exercer poder, mas que, no entanto, diante das dificuldades veem com pessimismo todas as coisas que acham ser difíceis e impossíveis. Para o crente o pessimismo deve estar longe de cogitações.

b) Há Sempre Uma Palavra de Medo do Mundo Para Com os Filhos de Deus. 
“...na terra,”

Faraó via tão somente, mar, terra, deserto, montanhas. A própria topografia lhe causava medo e cria que também Moisés e a liderança do povo hebreu estava com medo de uma terra estranha, perigosa, infértil, devastadora. Será que também nós, à semelhança do Faraó podemos ver a terra como algo aterrorizador e não como possibilidades de bênçãos?

c) Há Sempre Uma Palavra de Desânimo do Mundo Para com os Filhos de Deus. 
“o deserto os encerrou.”

Deserto é lugar causticante durante o dia e enregelante durante a noite. Portanto, seja a hora que for sempre causa desânimo no caminhante que não tem propósitos e objetivos. Assim acontecia na vista e no coração do Faraó. Ao dizer que o deserto havia encerrado o povo, estava entendendo que o desânimo havia se apossado dos hebreus e que estes se renderiam e voltariam como escravos para o Egito.

O que sabemos é que “o poder das trevas nunca será maior que o poder da luz”, como escreveu alguém. O crente é aquele que não pode desanimar em nenhuma circunstância porque “sabe em quem tem crido”. Em Jesus, a fonte de toda a sua vida e de conquistas de um novo céu e uma nova terra.

2 - Esta situação foi crida pelo povo recém libertado, não por Moisés, o libertador de Deus

“E, chegando Faraó, os filhos de Israel levantaram os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao SENHOR.” (Ex 14.10)

Alguns fatos importantes se destacaram nesta situação perigosa.

O Povo Murmurou. “Disseram a Moisés: será que por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto...deixa-nos, para que sirvamos os egípcios?” 

O povo olhou para as montanhas, o Mar Vermelho e o exército do Faraó e temeu. O pior de tudo foi que se lembrou e desejou os sepulcros do Egito. Nada pior do que a covardia e a descrença acompanhados pelo desejo de morte.

Moisés Recorreu a Deus. Em oração e Confiança. Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR...O SENHOR pelejará por vós...” Em vez de ser entorpecido pelo desânimo, embriague-se pela vida.”

3 - No limite de tudo a soberania e poderosa ação de Deus

“Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver.” (Ex 14.13)

Há uma belíssima frase no comentário que o Revdo. Matthew Henry faz em João 21.1-14: 

“O tempo que Cristo determinou para dar-se a conhecer ao seu povo, é o momento em que eles estão mais desorientados. Ele conhece as necessidades temporais de seu povo e prometeu-lhes não somente a graça suficiente, mas também o alimento conveniente. A providência divina estende-se às coisas mais minuciosas, e felizes são aqueles que reconhecem a Deus em todos os seus caminhos.” (pg. 884). 

Moody escreveu que “O martelo despedaça o vidro, mas forja o aço.”

Se você deseja ser aço então observe que:

Há Sempre Uma Palavra de Coragem Para Com os Filhos de Deus 
“Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes porque o Senhor, é contigo”. – foram as palavras do SENHOR a Josué quando este, após a morte de Moisés, assumiu o comando do povo de Israel. Estas são suas palavras hoje, quando estamos no comando de nossas vidas neste mundo.

Há Sempre Uma Palavra de Otimismo Para Com os Filhos de Deus 
“Não temais, sou eu....” Foram as palavras do SENHOR JESUS quando seus discípulos estavam no barco que era açoitado por uma tempestade no mar.

Há Sempre Uma Palavra de Ânimo Para Com os Filhos de Deus 
“Dize aos filhos de Israel que marchem” (Ex 14.15) Estas foram as palavras que o SENHOR mandou Moisés dizer ao povo que se encontrava em frente do Mar Vermelho tento atrás de si o temido e destruidor exército do Faraó. Estas são as Suas palavras a nós frente às dificuldades
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Antonio Coine é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil há 40 anos. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi missionário da Igreja Presbiteriana do Canadá, plantando e pastoreando a Dovercourt-Saint Paul’s Presbyterian Church.

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