O marido estava com pressa e a esposa lhe preparou um lanche ligeiro, visto que ele não poderia esperar o almoço.
Apenas uma salada, pão e um refrigerante, e ele saiu apressado para o trabalho, pelo menos foi o que disse à esposa.
Logo depois, a esposa recebeu um telefonema anônimo que a deixou perplexa:
- A senhora é a esposa do senhor Tonico?
- Sim, o que foi que aconteceu? Algo grave?
- Não, nada grave, mas será bom a senhora dar uma olhadinha no lenço dele assim que ele chegar em casa. - E desligou.
A mulher ficou apreensiva. Por que será que ele não pôde esperar o almoço? Por que saiu tão apressado?
Não. Não podia ser o que o telefonema insinuava. Também não podia ser o que estava pensando. Ele não faria uma coisa dessas! Ou faria?
Outra vez o telefone toca.
- Escuta, a senhora é a esposa do senhor Tonico? Quando ele chegar, pergunte pela Bete. - E desligou.
Bete? Que Bete? Será possível que o Tonico esteja com graça com alguma Bete? Bem, o jeito era esperar a volta do marido para pôr tudo em pratos limpos.
À tarde, o marido chegou contente, assobiando uma musiquinha da Bete Carvalho, o que deixou a mulher mais intrigada ainda. Seria uma provocação?
Ele chegou, beijou a mulher, atirou o paletó numa cadeira, sentou-se em sua poltrona preferida e começou a cochilar.
Logo que o viu dormindo, a mulher correu ao paletó à procura do lenço.
Achou-o e, com sentimento de culpa, como se estivesse cometendo um crime, desdobrou-o timidamente.
Lá estava a prova da traição. Uma mancha enorme de batom, forte, meio arroxeada.
Não teve dúvidas. Acordou o marido aos gritos, aos safanões.
- Safado, sem-vergonha. Desde quando você anda com romance fora de casa? Pensa que eu não sei que você anda com histórias com uma tal de Bete? Você me paga, sem-vergonha de uma figa.
- Que negócio de Bete? Não conheço nenhuma Bete. E mesmo que conhecesse, não era homem para essas sujeiras.
Ele resolveu examinar o lenço. Lá estava a mancha fatídica. Tinha cor de batom, mas não tinha cheiro de batom!
Aí, então, ele se lembrou. De fato era a "Bete". O problema agora era convencer a mulher de que havia beterraba na salada que ela lhe servira antes de sair para o trabalho.
Entendeu a brincadeira do colega de repartição, mas pensou: "Brincadeira também tem hora!"
E nós aproveitamos para dar um conselho ao Tonico: daqui em diante, use guardanapo.
Autor: Samuel Barbosa