
“É preciso saber viver...”
Esse refrão, imortalizado em uma versão muito conhecida da banda Titãs, faz todo sentido. Meditando sobre a vida, os erros e acertos, as cautelas, displicências e até as incoerências com que nos deparamos diariamente, sou obrigado a concordar com a canção.
Mas como saber viver? Bem, só aprendemos vivendo: experimentando o que cada dia traz consigo, enfrentando os desafios de frente, debruçando-nos aos pés de Cristo e agradecendo por cada graça alcançada.
Viver é conviver com crises. E, enquanto há conflito a ser superado, há sinal de vida.
A armadilha invisível do consumismo
Hoje, um dos grandes males que tentam sufocar a nossa qualidade de vida é o consumismo: a busca insaciável por ter mais e mais coisas que a publicidade insiste em dizer que precisamos — quando, na verdade, não é bem assim.
A existência humana não deve ser uma corrida incessante apenas para acumular bens. O consumismo desenfreado nos empurra ribanceira abaixo rumo ao descontrole financeiro, e é aí que a nossa paz se esvai em meio a pilhas de boletos.
Essa sociedade de consumo nos pressiona a viver sob padrões incompatíveis com a nossa real capacidade financeira. É exatamente nesse ponto que nascem o desajuste, a precipitação e a angústia.
Cuidado redobrado com as ofertas de crédito fácil! O produto mais caro do mercado contemporâneo se chama dinheiro a juros. No Brasil, essas taxas costumam ser desumanas.
Aprender a viver é também aprender a calçar os sapatos na medida exata. Tente calçar um sapato quatro números maior do que o seu pé: o resultado provável é você tropeçar e levar um tremendo tombo.
O perigo de viver no limite do orçamento
Certa vez, um bom amigo me perguntou se eu trabalhava com orçamento doméstico. Respondi:
— Olha, temos anotado tudo em planilhas: entradas, saídas e despesas fixas. Mas tem hora em que parece difícil fazer os números fecharem.
Sabe por que muitas vezes as contas não fecham? Porque caímos na ilusão de que podemos gastar absolutamente tudo aquilo que ganhamos.
Esse é outro sério fator de risco a que nos expomos. A vida é repleta de imprevistos aos quais quase não damos a devida atenção. Ninguém consegue prever uma enfermidade repentina que o impossibilite de trabalhar da noite para o dia.
E se você atua como autônomo e não mantém uma reserva ou proteção social? Imagine a cena: você volta do supermercado com uma lata de mantimentos que comprou com os últimos recursos do mês e, por um acidente, ela cai no chão molhado de desinfetante. O imprevisto acontece, e a prudência é a nossa rede de segurança.
Providência divina e responsabilidade humana
Deus é o nosso provedor fiel e sustentador constante. Contudo, a certeza do Seu cuidado não nos autoriza ao descuido com aquilo que Ele coloca em nossas mãos.
"Inútil levantar-vos antes da aurora, e atrasar até alta noite vosso descanso, para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá aos seus amados até durante o sono."
(Salmos 127.2)
Ao mesmo tempo em que a Bíblia condena a ansiedade pelo acúmulo, o Senhor nos convida claramente a uma postura de sobriedade e equilíbrio:
"Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor."
(Filipenses 4.5)
O verdadeiro segredo do contentamento
A verdadeira felicidade não depende do acúmulo desenfreado e nem de fórmulas mágicas deste mundo. O apóstolo Paulo descobriu na prática o segredo mais profundo de saber viver:
"(...) aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade."
(Filipenses 4.11-12)
Que Deus nos conceda sabedoria para viver com moderação, gratidão e prudência. Afinal, é unicamente nEle que encontramos o verdadeiro contentamento, a genuína harmonia e a paz que as coisas materiais jamais poderão comprar.
Autor: Danilo Campos