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A Páscoa e o amor de Deus


"Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" - João 13.1

Em 1939 aconteceu um desastre de avião a baía da Guanabara, em que morreram mais de cem pessoas. Ninguém podia prever esse acidente. O comandante já se preparava para aterrissar. 


Tudo estava em ordem e aquela máquina quase perfeita, que tinha desempenhado bem o seu papel até aquele momento, falhou exatamente no fim. Não funcionou perfeitamente até o fim. Qualquer processo deve funcionar bem até o fim, pois de nada adianta funcionar bem até um determinado momento e no final falhar.

É muito comum, em nossos dias, a separação de casais que se amavam. Conheceram-se, amaram-se, casaram-se e continuaram se amando. Infelizmente esse amor não foi até o fim. Acabou no meio do caminho e veio a separação com o seu séquito de prejuízos principalmente para os filhos que nada tiveram a ver com a fragilidade do amor de seus pais.

Tudo que o homem faz traz a marca de sua fragilidade. As obras do homem são efêmeras como efêmeros são seus sentimentos. Por isso é que se diz que a própria felicidade é passageira, isto porque ela é fruto de um processo realizado pelo homem e como o homem é frágil também a felicidade que ele constrói é frágil. 

A estabilidade do homem não é estável como não é certa a sua certeza, nem confiante a sua confiança. Diante dessa constatação os homens entre a necessidade de firmar-se em alguém ou em alguma coisa que lhe dê ao menos a sensação de segurança.

E aí o problema se complica, onde o homem pode encontrar algo ou alguém que lhe dê estabilidade, confiança, paz e segurança, se tudo neste mundo é tão instável! Daí surge a necessidade de o homem crer em Deus, de uma religião que o coloque em comunhão com esse Deus, Senhor dos céus e da terra, Criador de todas as coisas, em quem não há mudança, nem sombra de variação. 

A maior necessidade do homem neste mundo não é dinheiro, nem poder, nem nada que se relacione com as realidades materiais da vida. A grande necessidade do homem não é objetiva, mas subjetiva, de ordem íntima, pessoal.


O homem necessita de amor, mas para o homem aprender a amar ele precisa sentir-se objeto de um amor diferente, superior que não se altere com as contingências da vida. 

Esse tipo de amor ele não encontrará aqui, mas encontrará em Deus que amou de tal maneira o mundo que lhe deu seu Unigênito Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. 

O amor com que Deus nos ama não sofre mudança de intensidade. O amor de Deus é um amor diferente, é um amor que não busca recompensa, nem merecimento. Ao contrário é um amor que cria merecimento e valor no homem, objeto de seu amor.

A Bíblia nos diz que Deus prova o seu amor para conosco em que Ele nos amou primeiro sendo nós ainda pecadores. Por isso o evangelho está cheio de apelos para que o homem aprenda amar como ele, amando não só o próximo bem próximo, mas também o próximo distante e até o inimigo. O homem que se sente amado por Deus aprende a amar. Ele se sente feliz, seguro, estável, porque é objeto de um amor que não acaba nem diminui.

Deus nos ama e, a despeito da nossa fragilidade e, quem sabe, por isso mesmo, Ele nos ama com um amor eterno. Ele nos ama até o fim.

O prezado leitor se sente amado por Deus. Ouça então lá bem no fundo de seu coração, de sua alma, uma voz incisiva dizendo: "filho meu, dá-me o teu coração... eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a sua porta entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo". 

O problema é de simples aceitação desse convite.

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Samuel Barbosa é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 1960. Posteriormente graduou-se em Letras, Pedagogia, Supervisão Escolar e Especialização em Língua Portuguesa com produtiva carreira acadêmica. Pastoreou as igrejas presbiterianas de Apiaí, Correias e Itararé entre 1961 e 1962. Foi pastor da Igreja Presbiteriana de Itararé durante 32 anos até sua jubilação. Presidiu o Presbitério de Itapetininga por 22 anos e é pastor emérito das Igrejas Presbiterianas de Itararé e Itaberá. 
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