Presbiterato (2) - A essência da obra necessita do ofício de presbítero

Achou o lobo?

Em Romanos 10:14 Paulo nos apresenta a razão fundamental por que Cristo estabeleceu os presbíteros - "Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram. E como ouvirão, se não há quem pregue?" 

Observe: a pergunta de Paulo, a pergunta do Novo Testamento: como é que Cristo falará à sua alma, para a sua salvação, se não houver um pregador? Quando Paulo esteve entre os ­efésios durante aqueles muitos meses, a essência de sua mensagem foi o arrependimento e a fé para a salva­ção.



Em essência, o propósito de todo o trabalho de Paulo foi pregar o arrependimento para com Deus e a fé em Jesus, para a salvação dos pecadores e a edificação do corpo de Cristo. Em 1Tm. 4:16, Paulo disse a Timóteo: "Tem cuida­do de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes".

O coração de Paulo vibrava com a salvação daqueles que ouviam a pregação do evangelho. O alvo, o objetivo e a própria essência de nossa obra é a salvação da alma daqueles que se encontram sob o nosso ministério.

Paulo não partiu de Creta sem deixar ali alguém para completar a obra iniciada. O apóstolo disse a Tito: "Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade constituísses presbíteros" (Tt. 1:5). Isto era vital! Os apóstolos sabiam que era melhor não deixar a obra apenas em seu estágio inicial.

O objetivo do presbiterato não termina quando pessoas se convertem ou você pensa que elas estão convertidas. E por isso que temos de ir de casa em casa; com lágrimas e labores; é por isso que temos de permanecer de joelhos e temos de perscrutar as consciências.

O objetivo do presbiterato é a salvação de pessoas e nada menos do que isto. A tarefa do presbítero consiste em edificar as muralhas de Sião, em meio a inimigos violentos. Nas Escrituras somos chamados de cooperadores de Deus - "Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós" (1Co. 3:9). Somos cooperadores de Deus no edificar a igreja.

Você lembra de Neemias quando ele trabalhava na reconstrução das mura­lhas de Jerusalém? As pessoas se mostraram dispostas para fazer a obra. Em uma das mãos, elas tinham uma colher de pedreiro e na outra mão, uma espada. Enquanto edificavam a muralha com os materiais de construção, os judeus tinham necessidade de defender-se contra os inimigos que desejavam destruir a muralha.

Houve zombaria, blasfêmias, resistência, táticas e artifícios políticos que visavam arruinar a obra - tudo que os inimigos podiam fazer para destruir aquela muralha, a cidade e a sua proteção. Quando Samba­late desejou que Neemias descesse para conversar com ele sobre a obra, Neemias, respondeu-lhe: "Não posso descer. Tenho de construir uma muralha e não posso desperdiçar meu tempo conversando com você".

Cristo estabeleceu o ofício de presbítero para a construção das muralhas de Sião em meio aos inimigos. Pessoas que se passam por ovelhas freqüentemente deixam rastros de lobos.

O pastor, o presbítero, corre o risco de ter todo o seu rebanho devorado, enquanto ele próprio se assenta e dorme, na vã esperança de que seu rebanho está se alimentando sozinho. 

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Carlos Roberto Teles, é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul no ano de 1987. Foi ordenado pastor em 31 de janeiro de 1988.
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