Maldade

Estudantada
Estudávamos num colégio em Jandira, subúrbio de São Paulo em 1954. O sistema era de internato. Morávamos em quartos pequenos, com dois beliches, uma mesa pequena e duas cadeiras para quatro alunos. Entre os beliches ficava um estreito corredor com uma janela em frente. Luz elétrica só até as vinte e três horas, pois nessa hora os motores eram desligados e, daí em diante, somente com lampião é que se podia estudar - naquele tempo ainda se estudava.

Pegado ao nosso quarto moravam quatro colegas, todos "boas praças", grandes "caras", divertidos, gozadores e amigos.

Uma noite esses colegas foram ao cinema em Osasco e só voltariam à meia noite com o último "Carmem Miranda" que é como eram chamados os trens de subúrbio.

Ficamos no refeitório estudando, até se apagarem as luzes, e então fomos para o quarto continuar estudando à luz de lampião.

Quando passamos em frente ao quarto dos colegas, que tinham ido ao cinema, vimos um burro velho dormindo no pátio. Com um pouco de esforço e de força, empurrando no traseiro e puxando no dianteiro, conseguimos botar o burro no quarto dos rapazes, pensando talvez que um a mais não ia alterar nada. Depois de fechada a porta, o quarto ficou literalmente tomado. Fomos então para o nosso quarto estudar e... esperar o rebuliço por vir.

Dali a pouco chegaram os rapazes conversando, comentando o filme e batendo nas portas dos quartos dos colegas que já estavam dormindo. O primeiro esforço para abrir a porta resultou inútil. Sem saber o que estava impedindo a porta de abrir-se, um deles enfiou um braço pela pequena fresta conseguida e exclamou: - Nossa! tem um boi aqui dentro, boi ou burro, não sei.

Depois de grande confusão, depois de acordar todo mundo dos quartos vizinhos, isso lá pelas duas da manhã, alguém sugeriu que entrassem pela janela. Dois deles entraram pela janela e, de dentro, tentavam puxar o burro enquanto os de fora tentavam abrir a porta. Tudo inútil, porém! O burro estava dormindo e nada melhor do que um quarto para isso, deve ter pensado o burro! Quase uma hora de lutas de dentro e de fora do quarto para fazer o burro deixar a porta abrir-se.

Foi quando alguém sugeriu que desarmassem os beliches. O burro foi então "virado" dentro do quarto e, meio carregado foi posto pra fora. Os rapazes conseguiram então, depois de armados novamente os beliches, dormir um pouco, pois dentro em breve lá estava o sino tocando, chamando-nos para as aulas.

No outro dia, ou melhor, naquele mesmo dia, um pouco mais tarde, quando comentávamos o acontecido, procurando descobrir quem poderia ter tido a ideia de colocar um burro no quarto, onde já estavam outros quatro morando - diziam os colegas com humor, alguém saiu-se com esta, que serve como moral da história: - colocar um burro em qualquer lugar é fácil, o difícil é o bicho sair de lá.

(Extraído do livro “Pense Comigo – Meditações Evangélicas”, 1ª Edição – Rev. Samuel Barbosa)

Desonesto articulado
Um indivíduo entrou num bar e pediu uma empadinha. Depois de atendido perguntou ao garçom se podia trocar a empadinha por um pastel. O garçom disse que podia e ele trocou. O indivíduo comeu o pastel e ia saindo sem pagar. O garçom o chamou e perguntou se não ia pagar o pastel. - Eu não vou pagar o pastel porque eu não comprei o pastel, disse o homem, eu troquei pela empadinha!

- Bem, disse o garçom, então faça o favor de pagar a empadinha.
- Mas eu não comi a empadinha, como vou pagar uma coisa que eu não comi?

O garçom empulhado pela sagacidade do freguês, não teve outra alternativa a não ser concordar, a até agradeceu e se desculpou.

(Extraído do livro “Respingando – Crônicas e Memórias”, 1ª Edição – Rev. Samuel Barbosa)
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