Dinheiro

Preocupação exagerada
Um casal encontrou-se com um moço desconhecido na rua. O moço, polidamente perguntou ao casal que horas eram. O homem emudeceu, nada respondendo ao rapaz. Nova pergunta, agora mais polida ainda: - o senhor poderia me fazer o favor de me informar as horas? Novo silêncio por parte do homem. Cansado de perguntar, o rapaz se retirou, imaginando mil coisas a respeito do outro. Logo que o rapaz saiu a mulher chamou a atenção do marido.

- Porque você não respondeu ao rapaz, ele pediu tão delicadamente a informação. Você foi grosseiro com ele.

O marido então respondeu: acontece que se eu tivesse respondido ao rapaz, ele iria fazer comentários sobre o tempo. Então eu iria convida-lo para ir almoçar um dia lá em nossa casa, ele iria aceitar. Nós temos uma filha em idade de casar e muito bonita. Eles iriam se conhecer, iriam se gostar. Mais tarde ele fatalmente iria pedira mão de nossa filha em casamento. E você acha que eu ia permitir que nossa filha se case com um moço que nem relógio tem?

(Extraído do livro “Respingando – Crônicas e Memórias”, 1ª Edição – Rev. Samuel Barbosa)

Enterrado nas dívidas
Uma senhora foi até o Banco Central, acendeu umas velas na porta de entrada principal e começou a rezar, de joelhos. Quando o presidente chegou para abrir o banco deparou-se com aquele quadro estranho. - Dona, - disse ele à mulher -, o que é isso? Lugar de acender velas e rezar é no cemitério. Vá para lá e reze. A mulher então justificou: Mas o meu marido está enterrado é aqui mesmo!

(Extraído do livro “Respingando – Crônicas e Memórias”, 1ª Edição – Rev. Samuel Barbosa)

O uso das coisas
Uma nota de dez reais, desbotada e suja, toda amarrotada, encontrou-se um dia com uma nota de dez reais de um colecionador. A nota do colecionador estava novinha, colorida, sem uma ruga, conservadíssima.

- Olá, irmã, disse a nota do colecionador. O que fizeram com você? Por que está assim tão estragada? O que você tem feito desde que saimos da impressão?

- Você nem queira saber o que tem sido a minha vida, respondeu a nota de circulação. Ando de mão em mão. Entro em todos os lugares, desde os mais sórdidos, como os prostíbulos, até os mais sagrados como os templos. Tenho dado muita alegria a muitas criancinhas, mas também tenho dado muita tristeza a muitas mães e esposas. Tenho sido usada para embriagar os homens, pagando bebidas caras ou ordinárias como a cachaça, ou sirvo para alimentar o vício de um adolescente. Muitas pessoas são levadas a tentar comigo a sorte na loteria ou na Sena, e o que vejo depois é um rastro de frustrações e de desgraças. Já servi, inclusive, para comprar uma dose de veneno com o qual uma jovem desesperançada da vida suicidou-se. Sofro muito com isso e não suportaria mesmo a vida, não fossem os momentos felizes que experimento para compensar minhas tristezas.

- Já comprei pão e leite para saciar a fome de muitas criancinhas". Comprei brinquedo para uma enfermazinha nas vésperas do Natal. Tenho sido usada para ajudar os orfanatos, asilos, creches. Já salvei a vida de um ancião pagando a corrida de um táxi de sua casa até um hospital, onde chegou a tempo de ser salvo. Com que satisfação entro numa farmácia para pagar um remédio que irá aliviar as dores a um enfermo! Com aque alegria fico no salão de beleza, quando minha dona sai de lá um pouco mais bonita! Posso estar alegre num momento e no momento seguinte, triste!

Então, disse-lhe a nota do colecionador:

- A minha vida é melhor do que a sua. Vivo aqui resguardada de qualquer emoção. Não dou alegria, mas também não dou tristeza a ninguém. A única coisa que faço é alimentar a vaidade de meu dono, que vive a me exibir a seus amigos. Nem sei se sou feliz ou não. Você gostaria de viver como eu?

- Não, respondeu a nota de circulação. Prefiro continuar minha peregrinação pelo mundo, até o momento que eu não preste mais e me aposentem ou me incinerem. Mesmo porque, quando levo sofrimento a alguém, não sou a causa, sou apenas o meio, pois dependo da vontade de meu dono para fazer qualquer coisa. Infelizmente eu não posso escolher os meus donos. Se o meu dono é bom, ajuda a praticar o bem, mas se ele é mau, ajuda a praticar o mal. Não tenho vontade própria. Vivo apenas a torcer para que as pessoas que me possuem sejam pessoas bondosas que saibam me usar para a felicidade e para o bem.

Contudo você, minha amiga, não sabe sequer se o seu dono é bom ou é mau. Só sabe que é vaidoso. Essa sua situação já é uma desvantagem, não acha?

A outra pensou um pouco e concluiu:

-Acho que você tem toda razão. E este nosso encontro foi muito bom, pois acabo de aprender uma coisa muito importante. O dinheiro não é bom nem é mau. Não faz o bem nem faz o mal. Bom ou mau é o indivíduo que o possui. O bem ou o mal pratica o indivíduo que o possui. O dinheiro é amoral. Moral ou imoral é o indivíduo que faz uso do dinheiro. Pori sso Jesus disse que é muito difícil um rico entrar no reino dos céus, não por ser rico, pois riqueza ou pobreza não são condições sine qua non para se entrar no reino, mas por não saber usar sua riqueza.

(Extraído do livro “Respingando – Crônicas e Memórias”, 1ª Edição – Rev. Samuel Barbosa)

Cofrinho
Hoje quero relatar um caso de burrice consciente de que acabo de me livrar. A gente ouve tantos apelos para poupança que acaba entrando na onda. Mas que tipo de poupança? Guardar dinheiros em cofrinhos. Arranjamos seis cofrinhos e todo mundo começou a guardar moedas. 

Depois de guardar durante meses, resolvemos contar o dinheiro. Depois de meia hora de contar moedas, o resultado - Duzentos e dezoito cruzeiros. A cinco por cento ao mês durante esses dois meses esse dinheiro teria me rendido vinte e um cruzeiros e oitenta centavos mais a desvalorização desse período esse dinheiro teria dobrado para quarenta e três cruzeiros e sessenta centavos. Gastei meia hora para contar o dinheiro, foi tempo gasto e, como dizem os americanos que tempo é dinheiro, perdi mais uns setenta cruzeiros. Somando tudo já estou com cento e treze cruzeiros e sessenta centavos de prejuízo.

Descobri o seguinte: Poupei duzentos e dezoito cruzeiros e perdi (sem aspas, mesmo) cento e treze cruzeiros e sessenta centavos. O que poderei comprar com esse dinheiro? Quase nada! Conclusão: Só tomei na cabeça!

Se eu tivesse dado todas essas moedas para os meus netos comprarem sorvete, teria lucrado muito mais. Abaixo, pois, à poupança desse tipo. Posso ter sido burro por muito tempo, mas agora chega.

Dinheiro é para gastar, principalmente por quem não tem dinheiro. O pobre jamais terá sobras para poupar, quando ele guarda alguns trocados ele não guardou, ele desviou de alguma outra necessidade não satisfeita. Dinheiro é para gastar enquanto vale alguma coisa, pois desde o início deste arrazoado creio que a minha poupança já se reduziu um pouco mais devido à desvalorização.

O mais curioso nessa propaganda para poupança é que ela é feita pelo governo, para poder usar o dinheiro do pobre do assalariado, poder gastar nosso pobre dinheirinho (antigamente era nosso rico dinheirinho). O governo tem máquina de fazer dinheiro. Que faça. Será danoso para a nação. Mas não será danoso para o estômago do trabalhador, que só pode e sabe fazer dinheiro com a mistura suor e sangue.

(Extraído do livro “Respingando – Crônicas e Memórias”, 1ª Edição – Rev. Samuel Barbosa)

Tempos difíceis
Em seu livro, o Rev. Lázaro Lopes de Arruda fala dos pastores dos tempos antigos: “era um tempo em que havia muito o que fazer. Esses ministros pregavam muito, visitavam os crentes e viviam de minguadas verbas votadas nos Concílios e que, tantas vezes, sendo diminutas, chegavam atrasadas, o que concorria para a vergonha dos pastores. Não era só o ministro que sofria aperto. O povo vivia arrastando enxadas de "sol a sol", como se dizia. Sofria da exploração dos fazendeiros ricos, consumido pelo preço irrisório dos seus produtos, sendo ainda oprimidos pela miséria quando a "safra mentia". 

(Extraído do livro “Os meus dias” – Rev. Lázaro Lopes de Arruda, 1997.)

Cobiça
Penso que a maior tragédia da Igreja hoje é a cobiça dos salários elevados, entre muitos candidatos, a confusão entre as duas realidades paralelas, e não iguais, salário e vocação. Ai do ministro que visa à comodidade e à fama, e ai da Igreja que é tangida pela vara cruel do mercenário! À medida que o tempo passa, mais se prolonga a distância, ou a diferença, entre os ministros primitivos e a maior parte dos ministros atuais. Quanto devemos orar em favor das legítimas vocações. A Igreja fiel deve caracterizar-se pelo ministério fiel (At 20:22-4). 

(Extraído do livro “Os meus dias” – Rev. Lázaro Lopes de Arruda, 1997.)
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