Significado e o simbolismo do batismo (1)



A regeneração e o batismo
Todos os crentes evangélicos concordam em afirmar que Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu duas ordenanças simbólicas para serem observadas por sua Igreja: a Ceia do Senhor e o batismo cristão.

A primeira comemora a obra redentora de Cristo realizada na cruz do Calvário e a segunda celebra a regeneração do pecador.

Na regeneração do pecador os benefícios da redenção lhe são aplicados pelo Espírito Santo. A morte de Jesus sobre a cruz é um fato histórico e objetivo, comemorado na santa ceia, mas a regeneração do pecador é uma preciosa realidade espiritual e subjetiva representada pelo batismo.

Na ceia do Senhor, o pão representa o corpo de Cristo por nós ferido e o vinho representa o seu sangue por nós derramado.

No batismo a água é um elemento purificador representativo da purificação dos nossos pecados efetuada pela instrumentalidade do Espírito Santo.

Está claro, pois, que a comunhão, ou ceia do Senhor, tem referência especial à obra de Cristo e o batismo a obra do Espírito Santo. As duas ordenanças estabelecidas por Jesus representam, portanto, duas realidades preciosas; a morte de Jesus em nosso benefício e a nossa regeneração pelo poder do Espírito Santo.

Visto como vamos tratar especialmente do símbolo da obra regeneradora e purificadora do Espírito Santo, estudaremos, em primeiro lugar, a significação dessa obra, como as Escrituras Sagradas a revelam.

Nos seus ensinos sobre a obra do Paráclito, Jesus declarou qual seria a sua missão para com o mundo e para com os seus discípulos. "Quando ele vier", disse Jesus, "convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo; do pecado porque não crêem em mim; da justiça porque vou para o Pai e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo está julgado" (João 16:8-11).

Depreende-se desses versículos que o Espírito Santo, operando nos corações pecaminosos dos homens, convence-os:

(1) do seu grande pecado de rejeitar a Cristo;

(2) da justiça e suficiência da obra redentora de Jesus reveladas na sua morte expiatória que ao Pai ofereceu como justa expiação pelos nossos pecados e;

(3) do fato de ter sido Satanás derrotado por Jesus, assegurando-se, por esse meio, ao crente, uma vida vitoriosa.

É isso o que acontece quando uma pessoa se converte; fica convicta dos seus pecados, arrepende-se, e pela fé aceita a salvação, revestindo-se da justiça de Cristo e crendo nele para dar-lhe a vitória sobre o pecado.

As mesmas preciosas realidades foram ensinadas por Jesus, de uma outra maneira, a Nicodemos, quando lhe disse: "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" e "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:3,5).

Esse novo nascimento é a mesma regeneração em que a pessoa se torna uma nova criatura, tendo-se operado nela uma transformação radical e tendo mesmo passado da morte espiritual para a vida espiritual.

O Agente que produz a aludida transformação é o Espírito Santo cuja ação é um tanto misteriosa, como é a do vento.

Não sabemos de onde vem o vento e nem para onde vai, mas os seus efeitos são bem perceptíveis, quando levanta a poeira e movimenta as folhas das arvores. Desse mesmo modo se manifesta a atividade do Espírito Santo, quando converte os pecadores.

Não sabemos quem recebeu o toque do Espírito em outras partes, não sabemos donde veio, e não sabemos para onde vai, a fim de continuar a sua obra em outras paragens.

Não sabemos porque sucede que uma pessoa é tocada e outra não.

Mas, quando uma pessoa é tocada, os efeitos são evidentes; essa pessoa se regenera, o velho homem se transforma em um novo homem, abandona-se o pecado, inicia-se uma nova vida e, em uma palavra, realiza-se o novo nascimento.

Compenetre-se bem o leitor do fato que, se ainda não experimentou essa transformação radical, não está ainda convertido, não está salvo, e, no entanto, se convicto e arrependido dos pecados confiar somente no sacrifício expiatório de Jesus para a sua salvação, saberá então que o Espírito Santo já efetuou a sua obra regeneradora no seu coração, já terá nascido de novo e já estará garantida a sua salvação eterna.

Em seguida, deverá receber o batismo cristão instituído por Jesus, pois é esse o sinal e selo dessas importantes realidades espirituais.

O nascimento da água e do Espírito
Mas, o que vem a significar o "nascimento da água e do Espírito", na passagem que estudamos? Sobre essa água tem havido muitas interpretações diferentes. A Igreja Romana ensina que é a água do batismo e acha nessa interpretação um apoio para a sua falsa doutrina da regeneração batismal.

Há quem julgue que a água seja aquela que acompanha o nascimento natural de uma criança, mas um nascimento físico dessa água não pode, de maneira nenhuma, ser um requisito indispensável para a salvação.

No nosso modo de entender, Jesus empregou esse termo água metonimicamente para significar aquela lavação de pecados, ou purificação espiritual, sem a qual ninguém poderá entrar no reino de Deus.

Metonímia, conforme a definição de Silva Bastos, “é figura com que se emprega um termo por outro, cuja significação aquele indica”. Citamos aqui esta definição, porque julgamos haver diversos passos bíblicos em que os termos água e batismo se empregam metonimicamente.

Temos um exemplo disso no seguinte versículo: “Aspergirei sobre vós água pura, e ficareis purificados; de toda a vossa imundícia, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei" (Ezequiel 36.25).

Água natural não podia produzir as purificações e transformações espirituais prometidas neste texto e no seu contexto. Há, portanto, uma referência ao poder purificador do Espírito Santo. A água viva de que Jesus falou à mulher samaritana também teve a sua significação espiritual.

Teremos ocasião de ver que a água nas Escrituras Sagradas é um símbolo tanto da purificação como do Agente divino que a produz. Em vista disso, interpretamos o nascer da água e do Espírito como aquela lavação ou purificação dos nossos pecados, produzida pela instrumentalidade do Espírito Santo, sem a qual não poderemos entrar no reino de Deus.

Referindo-se ao faturo advento do Espírito Santo no dia de Pentecostes, nosso Senhor Jesus Cristo tomou a água como símbolo do Espírito Santo:

"Quem crê em mim, como disse a Escritura, do seu interior manarão rios de água viva. Disse isto a respeito do Espírito que iam receber os que nele criam; pois o Espírito Santo ainda não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado" (João 7:38 e 39).

Por esta passagem, bem se vê que a água representa o Espírito Santo e que Ele é dado aos que crêem. Que o Espírito Santo é simbolizado por água também se evidencia em Isaias 44:3.

João Batista bem claramente vaticinou o batismo com o Espírito Santo a ser efetuado por Jesus, no dia de Pentecostes (Mateus 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:16 e João 1:33).

O próprio Jesus se referiu a esse acontecimento nestes termos: "João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias" e "recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até as extremidades da terra (Atos 1:5 e 8).

Todas essas gloriosas promessas se cumpriram no dia de Pentecostes. Realizou-se o batismo com o Espírito Santo e houve muitas maravilhosas manifestações do seu poder, mas entre todas elas, a mais importante foi a conversão de quase três mil almas.

O Espírito Santo agiu, de acordo com a sua missão, convencendo essas almas do pecado, da justiça e do juízo. Nasceram de novo, tornando-se novas criaturas em Cristo Jesus e receberam o batismo como o sinal exterior da sua regeneração pelo poder do Espírito Santo.

"Os que receberam a sua palavra (a de Pedro) foram batizados e foram admitidas naquele dia quase três mil pessoas" (Atos 2.41).

Concluímos que essas quase três mil pessoas tiveram o direito ao batismo com água porque já haviam recebido o batismo com o Espírito Santo pelo qual se efetuara a remissão dos seus pecados.

Das passagens estudadas, torna-se bem patente que a água do batismo simboliza a purificação ou lavação dos nossos pecados pela instrumentalidade do Espírito Santo que aplica aos nossos corações os benefícios da redenção adquirida por Cristo pela sua morte expiatória sobre a cruz.

A água simboliza tanto o Agente purificador como a resultante purificação ou regeneração. Nas passagens em que se encontram indubitáveis referências ao batismo com água, há quase sempre claras referencias ao batismo com o Espírito Santo e ao purificar ou lavar de pecados!

O que sugeriu a Pedro que Cornélio devia ser batizado, e o que mesmo tornou isso imperativo, foi Cornélio ter sido batizado com o Espírito Santo (Atos 10:45-48). O batismo de Paulo está intimamente ligado com a sua recepção do Espírito Santo (Atos 9:17,18) e com o lavar dos seus pecados (Atos 22:16).

Pedro estabelece uma intima ligação entre a remissão de pecados, o dom do Espírito Santo e o batismo com água (Atos 2:38). A mesma relação intima entre o batismo com o Espírito Santo e o batismo com água torna-se evidente pela leitura do incidente narrado em Atos 19:1-7.

São, pois, abundantíssimas as provas de que o batismo com água é o símbolo ou a dramatização do batismo o com o Espírito Santo.

O modo do batismo
E qual foi o modo do batismo com o Espírito Santo?

As Escrituras Sagradas não deixam a menor duvida sobre esse ponto; o batismo com o Espírito Santo foi um derramamento, à semelhança de um derramamento de água, como se percebe das seguintes passagens: Isaías 44:3,4; Ezequiel 38:25-27; Joel 2:28,29; Atos 2:17,18,32,33, Atos 10:45 e Tito 3:5,6.

Os versículos 32 e 33 do segundo capitulo dos Atos são bem explicito e significativos: “A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois, pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou o que vedes e ouvis".

Está claro, pois, que Nosso Senhor Jesus Cristo batizou com o Espírito Santo, por derramamento, e por isso concluímos que o modo bíblico de batizar è derramamento. Fazemos bem em imitar o modo que Jesus adotou.

O batismo com o Espírito Santo, tendo sido feito à semelhança, de um derramamento de água (Isaías 44:3, é natural e lógico que sigamos essa norma, quando administramos aos regenerados as águas lustrais do batismo cristão que é o símbolo do batismo com o Espírito Santo.

Não obstante julgarmos que o modo bíblico de batizar seja o derramamento ou a afusão, não consideramos que o modo seja essencial à integridade ou à validez da ordenança.

O essencial é que se aplique água ao batizando em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, tendo a água como o símbolo do lavatório da regeneração (Tito 3:5), ao passo que são coisas apenas secundarias a quantidade de água empregada e o modo de aplicá-la. Tanto um pouco de água, como muita água, pode ser o símbolo da purificação dos nossos pecados.

Veremos, em outros estudos, que Jesus, mandando batizar, não disse o modo.

Ademais, consideramos que aspergir ou borrifar são apenas outras formas de derramar.

Há ministros que, ao batizar, enchem a mão de água e derramam-na sobre a cabeça do batizando, há outros que apenas molham a mão em água, aplicando-a, em seguida ao candidato e há ainda outros que adotam um meio termo, servindo-se de uma pequena quantidade de água na palma da mão que derramam ou fazem pingar sobre a cabeça de quem se batiza.

Qualquer que seja o modo empregado, a aplicação de água ao batizando simboliza a lavação dos seus pecados pelo poder do Espírito Santo e o batismo é valido.

Por semelhante modo, uma imersão em água também pode simbolizar o poder purificador do Espírito Santo aplicado ao pecador para a sua regeneração.

Não somos, pois, incoerentes em admitir a afusão, a aspersão e a imersão como modos válidos de batizar, e, no entanto, o derramamento deve ser a forma preferida por ser a forma bíblica.

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