Marcos 5 explicado:
🩸 Mulher enferma toca Jesus e recebe cura imediata.
🕊️ Chefe Jairo suplica e Jesus ressuscita sua filha.
Resumo de Marcos 5
A chegada de Jesus e a libertação do homem nos sepulcros
Jesus e seus seguidores completaram a travessia do mar e desembarcaram na região dos gerasenos (v. 1).
Assim que o mestre pisou em terra firme, foi surpreendido pela aproximação de um homem em profundo estado de sofrimento espiritual e físico (v. 2).
Esse morador local havia sido excluído da sociedade e vivia isolado no meio dos túmulos, em uma condição tão extrema que ninguém conseguia contê-lo (v. 3).
Diversas tentativas de prendê-lo com correntes e algemas já haviam falhado, pois a força que o dominava o fazia despedaçar qualquer amarra humana (v. 4).
O sofrimento daquele indivíduo era contínuo, vagando dia e noite pelas montanhas e cemitérios, gritando sem parar e ferindo o próprio corpo com pedras (v. 5).
Ao avistar a comitiva chegando de longe, ele correu rapidamente na direção do grupo e se curvou em reverência diante do mestre (v. 6).
Uma voz alta e perturbadora clamou através dele, reconhecendo a autoridade divina de Jesus e implorando para não ser atormentada (v. 7).
Essa reação aconteceu porque Jesus, ao ver a terrível condição daquele ser humano, já havia ordenado que a força maligna o abandonasse (v. 8).
Buscando expor a gravidade da situação, o mestre perguntou o nome daquela entidade, recebendo a resposta de que se chamavam Legião, indicando a presença de incontáveis espíritos destrutivos (v. 9).
Os espíritos começaram a implorar insistentemente para que não fossem banidos para fora daquela região (v. 10).
Aproveitando a presença de uma grande manada de porcos que pastava na encosta de um monte próximo, as entidades pediram permissão para entrar nos animais (vv. 11-12).
O pedido foi concedido, e o resultado foi imediato e caótico, pois os cerca de dois mil porcos correram ladeira abaixo de um despenhadeiro e se afogaram nas águas do mar (v. 13).
Os cuidadores dos animais fugiram apavorados, espalhando a notícia impressionante tanto na cidade quanto nas fazendas vizinhas, o que atraiu uma multidão curiosa (v. 14).
Quando os moradores chegaram ao local, encontraram o homem antes temido e incontrolável agora sentado de forma pacífica, vestido e em total sanidade, o que lhes causou um profundo medo (v. 15).
As testemunhas oculares relataram todos os detalhes sobre a restauração daquele homem e o destino do rebanho de porcos (v. 16).
Assustada com o prejuízo e com o poder sobrenatural demonstrado, a comunidade local implorou para que Jesus fosse embora de suas terras o mais rápido possível (v. 17).
Enquanto o grupo de discípulos se preparava para embarcar e partir, o homem recém-restaurado suplicou emocionadamente para seguir viagem ao lado de seu libertador (v. 18).
Jesus, no entanto, confiou a ele uma missão diferente e orientou que voltasse para sua casa, a fim de contar a todos os seus familiares sobre a grande compaixão e os feitos que o Senhor havia realizado em sua vida (v. 19).
Obedecendo à diretriz, ele percorreu a região de Decápolis espalhando a notícia de sua transformação, deixando todas as pessoas maravilhadas com o seu testemunho (v. 20).
A esperança de Jairo e o toque de fé na multidão
Retornando de barco para a margem oposta do mar, Jesus foi rapidamente cercado por uma imensa multidão que o aguardava na praia (v. 21).
No meio de todo aquele movimento, um líder religioso influente chamado Jairo se aproximou e se jogou aos pés do mestre em uma atitude de desespero e profunda humildade (v. 22).
Ele implorou repetidas vezes por ajuda, explicando que sua filha pequena estava à beira da morte e pedindo que o Senhor fosse impor as mãos sobre ela para garantir sua recuperação (v. 23).
Sem hesitar, Jesus começou a caminhar em direção à casa do líder religioso, sendo espremido por todos os lados pela grande quantidade de pessoas que os acompanhava (v. 24).
Naquela mesma multidão havia uma mulher que carregava um fardo exaustivo, sofrendo de uma hemorragia contínua há doze longos anos (v. 25).
A sua busca por cura a havia levado a diversos tratamentos, resultando na perda de todos os seus recursos financeiros e em uma piora progressiva do seu estado de saúde físico e emocional (v. 26).
Tendo escutado os relatos extraordinários sobre os milagres do mestre, ela encontrou forças para se esgueirar por trás dele no meio da aglomeração e tocou discretamente em sua roupa (v. 27).
A motivação por trás dessa atitude ousada era uma convicção íntima de que um simples toque na veste seria o suficiente para restaurar a sua saúde completamente (v. 28).
No mesmo instante em que sua mão alcançou o tecido, o fluxo de sangue parou, e ela sentiu em seu próprio corpo o alívio imediato da doença que a aprisionava (v. 29).
Jesus percebeu de forma sobrenatural que um poder curativo havia saído dele e, virando-se para as pessoas ao redor, questionou quem havia tocado em suas vestes (v. 30).
Os discípulos acharam a pergunta compreensivelmente estranha, argumentando que era impossível identificar um único toque intencional no meio de tantas pessoas se esbarrando (v. 31).
Ignorando a lógica de seus amigos, o mestre continuou observando atentamente os rostos ao seu redor, buscando quem havia demonstrado tamanha confiança (v. 32).
Compreendendo que não poderia passar despercebida, a mulher se aproximou tremendo de medo, ajoelhou-se diante dele e confessou abertamente toda a verdade sobre o que havia feito (v. 33).
Com um tom acolhedor, Jesus a chamou de filha, afirmou que a atitude de fé dela havia trazido a salvação e a despediu com uma benção de paz e garantia de libertação definitiva de seu mal (v. 34).
A superação do luto familiar e o milagre da ressurreição
Enquanto ele ainda oferecia palavras de conforto à mulher curada, mensageiros chegaram da casa de Jairo trazendo a trágica notícia de que a menina já havia falecido, sugerindo que não incomodassem mais o mestre (v. 35).
Ouvindo aquela sentença de desesperança, Jesus imediatamente encorajou o pai aflito, pedindo que ele não deixasse o medo tomar conta, mas que mantivesse a sua fé inabalável (v. 36).
Para lidar com um momento tão delicado, ele bloqueou a passagem da multidão e permitiu que apenas três de seus discípulos mais próximos, Pedro, Tiago e João, o acompanhassem na jornada final (v. 37).
Ao se aproximarem da residência da família enlutada, depararam-se com um ambiente de extremo alvoroço, marcado por choros intensos e lamentos altos pela perda da criança (v. 38).
Incomodado com aquele cenário de desespero definitivo, Jesus questionou a necessidade de tanto pranto, afirmando de maneira enigmática que a garota não estava morta, mas apenas dormindo (v. 39).
A resposta das pessoas presentes foi uma mistura de zombaria e risos sarcásticos, pois eles tinham a convicção fúnebre do óbito e não compreenderam a dimensão espiritual das palavras de Jesus (v. 40).
Com firmeza, ele retirou todos os descrentes do recinto, chamou o pai, a mãe da menina e os três discípulos, e entrou de forma reservada no quarto onde o corpo repousava.
Segurando a mão da criança com ternura, o mestre deu uma ordem direta na língua local, determinando expressamente para que a jovem se levantasse daquela cama (v. 41).
Imediatamente, a menina de doze anos abriu os olhos, ergueu-se com vitalidade e começou a caminhar pelo quarto, deixando seus pais e os discípulos completamente maravilhados com o nível do milagre presenciado (v. 42).
Após devolver a alegria àquele lar, Jesus fez um pedido rigoroso para que a família mantivesse o evento em sigilo para evitar um tumulto ainda maior, e encerrou a cena com um cuidado prático, orientando que dessem alimento para a garota recuperar suas forças (v. 43).
Contexto histórico-cultural
O cemitério e a cultura grega
Jesus e seus amigos atravessam um grande lago e chegam a uma região conhecida como as Dez Cidades (Marcos 5:1).
Essa área era completamente diferente das terras judaicas e funcionava com cultura e costumes da Grécia.
Lá, eles encontram um homem que vivia isolado em um cemitério (Marcos 5:3).
Para a cultura da época, tocar em túmulos ou em pessoas mortas deixava a pessoa suja espiritualmente e proibida de participar de qualquer culto a Deus.
O homem sofria terrivelmente, andava sem roupas e se cortava com pedras afiadas (Marcos 5:5).
As pessoas da cidade tentavam prendê-lo com correntes de ferro, mas ele quebrava tudo com uma força assustadora.
Naquele tempo, existia uma superstição muito forte de que você ganhava poder sobre um inimigo se soubesse o nome exato dele.
É por isso que os espíritos ruins gritam o nome completo de Jesus, tentando usar uma espécie de crença mágica contra ele (Marcos 5:7).
Jesus não entra nesse jogo de crendices da época e simplesmente liberta o homem.
O nome "Legião" usado pelos espíritos era uma palavra conhecida no mundo militar (Marcos 5:9).
No exército do Império Romano, uma legião era um grupo formado por cerca de seis mil soldados organizados para a guerra.
A presença de uma enorme criação com cerca de dois mil porcos confirma que aquele era um território de estrangeiros (Marcos 5:11).
Os judeus não comiam e nem criavam esse tipo de animal de jeito nenhum.
A dor do isolamento social
A história conta sobre uma mulher que perdia sangue sem parar durante doze longos anos (Marcos 5:25).
Na antiguidade, essa condição médica transformava a pessoa em uma excluída da sociedade.
As leis da época diziam que ela estava impura.
Isso significava na prática que ela não podia abraçar ninguém, não podia morar com o marido e nem entrar nos lugares de oração.
Qualquer pessoa que encostasse nela também ficaria manchada aos olhos da sociedade.
Os médicos antigos tinham costumes muito estranhos para tentar curar doenças assim.
Os registros históricos mostram que eles receitavam coisas como carregar cinzas de ovo de avestruz ou levar um susto em uma rua vazia.
A mulher gastou todo o seu dinheiro com esses tratamentos absurdos e apenas piorou (Marcos 5:26).
Em um ato de puro desespero, ela entra no meio da multidão e toca na ponta da roupa de Jesus (Marcos 5:27).
Os homens judeus usavam uma capa especial que tinha franjas azuis nas pontas para ajudar a lembrar das leis de Deus.
Jesus percebe o toque e faz a mulher se apresentar na frente de todos.
Ele não fez isso para deixá-la com vergonha no meio da rua (Marcos 5:32).
Jesus queria mostrar publicamente que ela estava curada, garantindo que a sociedade a aceitasse de volta como uma pessoa saudável e livre.
O Novo Testamento mostra aqui uma atitude totalmente diferente daquele tempo, devolvendo a dignidade e o valor a uma mulher que o mundo antigo tratava como um problema.
Costumes de luto na antiguidade
Jairo era um líder muito respeitado que cuidava do prédio e das reuniões de oração da cidade (Marcos 5:22).
Ele procura Jesus porque sua filha de doze anos estava morrendo (Marcos 5:23).
Naquele tempo, ao completar doze anos, uma menina passava a ser considerada responsável pelas leis religiosas e já estava na idade de formar uma família (Marcos 5:42).
Quando Jesus chega na casa de Jairo, a menina já estava sem vida e havia um grande barulho no local.
O costume nos funerais antigos era contratar músicos que tocavam flautas tristes e mulheres que choravam em voz alta para criar um clima de luto (Marcos 5:38).
Essas pessoas contratadas choravam sem nenhum sentimento verdadeiro pela família.
Sabemos disso porque, quando Jesus diz que a menina vai acordar, eles param de chorar na mesma hora e começam a dar risada da cara dele (Marcos 5:40).
Jesus manda todos os curiosos saírem da casa e fala com a criança em aramaico, que era a língua falada pelas pessoas comuns no dia a dia.
Ele diz "Talita cumi", que traduzido daquela língua antiga significa "Menina, levante-se" (Marcos 5:41).
Logo depois que a menina volta a viver, Jesus pede que deem comida para ela (Marcos 5:43).
Isso serviu para provar a todos que ela não era um espírito, mas estava com o corpo físico totalmente real e vivo.
Nota de Esclarecimento Pastoral e Médico
A teologia bíblica reformada reconhece a realidade da opressão espiritual retratada nos Evangelhos, mas rejeita terminantemente qualquer confusão preconceituosa entre possessão demoníaca e transtornos neuropsiquiátricos modernos (como esquizofrenia, epilepsia ou depressão severa).
O sofrimento psíquico requer acompanhamento médico, terapêutico e cuidado pastoral amoroso, jamais estigmatização religiosa.
Tabelas Didáticas
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⛓️ vs. 🕊️ O Liberto de Decápolis: Antes e Depois
| ⛓️ Antes com a "Legião" | 🕊️ Depois do Encontro com Jesus |
|---|---|
| 🪦 Vivia isolado nos túmulos e montes (5:3, 5) | 🏡 Enviado em paz de volta para sua casa (5:19) |
| 💥 Incontrolável, quebrava grilhões e se feria (5:4-5) | 🧘 Sentado, vestido e em perfeito juízo (5:15) |
| 🗣️ Gritava dia e noite sob tormento maligno (5:5, 9) | 📢 Anunciava as grandes obras do Senhor (5:20) |
| 💔 Rejeitado e excluído da sociedade (5:3-4) | ✨ Transformado em testemunha admirada (5:20) |
👥 Reações Diante do Milagre nos Gerasenos
| 👤 Grupo / Personagem | 💬 Atitude e Desfecho |
|---|---|
| 🐖 Espíritos Imundos (Legião) | Suplicam para entrar nos porcos e perecem no mar (5:10-13) |
| 😨 Moradores da Região | Ficam com medo do poder e pedem a saída de Jesus (5:15, 17) |
| 🙌 Homem Restaurado | Pede para seguir Jesus e testemunha por toda Decápolis (5:18-20) |
🩸 A Mulher Curada: Tratamentos vs. Toque de Fé
| 🔍 Aspecto | 🥀 12 Anos com Médicos | ✨ Encontro com Jesus |
|---|---|---|
| 🩺 Condição de Saúde | Hemorragia contínua e piora progressiva (5:25-26) | Estancamento e cura física instantânea (5:29) |
| 💰 Recursos Financeiros | Gastou tudo o que possuía sem sucesso (5:26) | Graça gratuita mediante fé no Mestre (5:28, 34) |
| 💔 Status Social e Emocional | Isolamento, medo e exclusão social (5:25, 33) | Chamada de "filha" e restaurada publicamente (5:34) |
🚪 Casa de Jairo: O Desespero do Luto vs. O Poder da Vida
| ⚡ Momento | 🌑 Reação Humana e Descrença | ✝️ Resposta e Ação de Jesus |
|---|---|---|
| 📩 Aviso da Morte | "Tua filha morreu; para que incomodar?" (5:35) | "Não temas, crê somente" (5:36) |
| 😭 Ambiente Funerário | Choro profissional, tumulto e zombaria (5:38, 40) | "A menina não está morta, mas dorme" (5:39) |
| 🛏️ Quarto da Criança | Descrentes são retirados do local (5:40) | Diz "Talita cumi" e a faz caminhar e comer (5:41-43) |
🌟 Três Milagres Extraordinários em Marcos 5
| 👤 Personagem | 💔 Situação Crítica | 👑 Soberania de Jesus |
|---|---|---|
| ⛓️ Homem dos Sepulcros (5:1-20) | Opressão maligna extrema e isolamento total | Autoridade sobre legiões espirituais e restauração |
| 🩸 Mulher Enferma (5:25-34) | Doença incurável há 12 anos e ruína financeira | Poder de cura imediata e devolução da dignidade |
| 👧 Filha de Jairo (5:21-24, 35-43) | Enfermidade fatal e falecimento aos 12 anos | Vitória sobre a morte com ressurreição imediata |
Temas Principais
1. A Soberania de Cristo Sobre o Reino das Trevas
O encontro de Jesus com o homem oprimido por espíritos em Gérasa revela a absoluta autoridade do Filho de Deus sobre as hostes espirituais da maldade (Marcos 5:6-8). O homem, totalmente escravizado e incapaz de libertar a si mesmo, é resgatado pela pura e irresistível graça do soberano Redentor.
A destruição da manada de porcos demonstra o justo juízo divino sobre a cobiça humana e a natureza trágica do pecado. Essa narrativa pactual aponta para o triunfo do segundo Adão, que veio para desfazer as obras do diabo e restaurar a criação decaída.
2. A Graça Eficaz e a Fé da Mulher Enferma
A mulher com fluxo de sangue sofria de uma impureza cerimonial que a excluía do convívio da congregação de Israel (Marcos 5:25-27). O toque furtivo em suas vestes não funcionou como magia, mas foi o instrumento dado por Deus para que ela recebesse a virtude curadora de Cristo.
Essa cura instantânea ilustra brilhantemente a soteriologia monergista, onde o Salvador vivifica o pecador totalmente incapacitado de salvar a si mesmo pelas obras da lei. Cristo a chama graciosamente de filha, garantindo não apenas a restauração física, mas a adoção definitiva na família de Deus.
3. O Senhor da Vida e a Ressurreição da Filha de Jairo
A morte da filha de Jairo parecia o fim de qualquer esperança humana, mas Cristo encoraja o pai a descansar na promessa divina (Marcos 5:35-36). Ao declarar que a menina apenas dormia, o Senhor estabelece a perspectiva cristã sobre a morte temporal dos eleitos.
Com uma palavra de poder, Jesus chama a menina de volta à vida, provando sua autoridade absoluta sobre o último inimigo da humanidade. Esse milagre glorioso atua como penhor da grande ressurreição final, quando todos os que estão unidos federalmente a Cristo despertarão para a vida incorruptível.
Pontes no Novo Testamento
1. Ligação com o Ensino Apostólico: A Vitória Sobre o Mal
O apóstolo Paulo aprofunda essa vitória sobre os demônios ao declarar que Cristo despojou os principados e potestades na cruz do Calvário (Colossenses 2:15). A libertação do gadareno ilustra perfeitamente como fomos resgatados do império das trevas e transportados graciosamente para o reino do Filho amado.
O crente agora milita contra essas forças invisíveis revestido de toda a armadura de Deus (Efésios 6:11-12). Nossa segurança repousa inteiramente na obra consumada do Redentor, que esmagou a cabeça da serpente e garantiu a preservação eterna dos santos.
2. Ligação Temática: A Justificação Exclusivamente Pela Fé
O toque da mulher hemorrágica encontra paralelo teológico na doutrina de que o homem é justificado pela fé, independentemente do mérito pessoal (Romanos 3:28). Todo o esforço humano prévio daquela mulher resultou em frustração, preparando o cenário para a suficiência exclusiva de Cristo.
Semelhante ao ensino de Hebreus sobre o descanso espiritual, ela cessou suas próprias obras e confiou inteiramente na virtude do Salvador (Hebreus 4:10). Essa união pactual com Cristo assegura a purificação definitiva da alma e a paz inabalável diante do tribunal de Deus.
3. Ligação com a Missão e a Vida da Igreja: O Testemunho Gentálico
O mandato dado ao homem recém-liberto para anunciar as grandezas de Deus em Decápolis antecipa a grandiosa missão transcultural da igreja (Atos 1:8). Esse primeiro missionário aos gentios preparou o solo espiritual para a futura expansão apostólica naquelas regiões pagãs dominadas pela idolatria.
A proclamação das obras de Cristo tornou-se o padrão da evangelização primitiva, onde pecadores transformados anunciavam o evangelho vivo (1 Pedro 2:9). O mundo corrompido é confrontado não com discursos vazios, mas com o poder regenerador do Espírito Santo evidenciado na conversão dos perdidos.
Aplicação Prática
1. Descanso na Providência Durante os Atrasos Divinos
A demora de Jesus no caminho para a casa de Jairo parecia fatal, mas estava perfeitamente orquestrada para fortalecer a fé daquele pai aflito. O Senhor usa nossas aparentes tragédias cronológicas para manifestar propósitos infinitamente mais gloriosos em nossa santificação diária.
Como você tem reagido quando as respostas às suas orações mais urgentes parecem demorar ou resultar em perdas inexplicáveis? Aprenda a silenciar a ansiedade do coração e a confiar firmemente que o tempo do Redentor nunca significa ausência de cuidado pactual.
2. O Abandono da Autojustificação e das Obras Mortas
A mulher tentou curar-se gastando todos os seus recursos terrenos, espelhando perfeitamente nossa inútil tentativa de alcançar qualquer justiça própria. Somente quando falimos completamente em nossos esforços morais é que nos lançamos de fato na graça soberana que perdoa pecados.
De que maneira você ainda tenta comprar a aprovação de Deus por meio de comportamentos religiosos ou de um moralismo superficial? Abandone o esforço exaustivo da lei e descanse unicamente na virtude purificadora do sangue derramado na cruz.
3. O Chamado Irrevogável ao Testemunho Doméstico
O homem liberto dos demônios desejava viajar com Jesus, mas foi enviado de volta ao seu lar para dar testemunho aos seus conhecidos. Muitas vezes negligenciamos nossa própria casa na busca ávida por ministérios visíveis ou palcos grandiosos diante dos homens.
Você tem sido um proclamador fiel das misericórdias de Cristo dentro da sua família e no seu convívio diário mais íntimo? A verdadeira piedade reformada floresce primeiro ao redor da mesa, onde as glórias da salvação são partilhadas com amor genuíno.
Versículo-chave
O imperativo divino que silencia o desespero humano e convoca os eleitos ao descanso seguro na graça soberana está imortalizado nesta solene declaração de Cristo. "Jesus não fez caso dessas palavras, mas disse ao dirigente da sinagoga: 'Não tenha medo; tão-somente creia'" (Marcos 5:36, NVI).
Sugestão de esboços
Esboço Temático: A Soberania Inabalável do Redentor
1. O triunfo absoluto sobre as potestades infernais (Marcos 5:8)
2. A purificação definitiva da escravidão do pecado (Marcos 5:15)
3. A virtude curadora recebida pela fé operante (Marcos 5:34)
4. O chamado todo-poderoso que destrói a morte (Marcos 5:41)
Esboço Expositivo: O Poder Que Restaura os Perdidos
1. O clamor atormentado do pecador cativo (Marcos 5:1-7)
2. A rejeição do evangelho por corações materialistas (Marcos 5:14-17)
3. A aproximação trêmula de uma alma desesperançada (Marcos 5:25-28)
4. O desespero humano confrontado pela promessa divina (Marcos 5:35-36)
5. A manifestação gloriosa da ressurreição e da vida (Marcos 5:38-43)
Esboço Criativo: Das Trevas Agonizantes à Gloriosa Luz
1. A libertação graciosa nos sepulcros sombrios de Gadara (Marcos 5:2-5)
2. O toque invisível que secou a fonte da miséria (Marcos 5:29)
3. A confissão pública que glorifica o autor da salvação (Marcos 5:33)
4. O despertar sereno e maravilhoso do sono da morte (Marcos 5:42)
Perguntas
- A qual território Jesus e seus discípulos chegaram logo após atravessarem o mar? (5.1)
- De onde saiu o homem com espírito imundo que foi ao encontro de Jesus assim que Ele desembarcou? (5.2)
- Qual era o local em que o homem possesso costumava fazer a sua morada? (5.3)
- O que as pessoas eram incapazes de fazer com o homem, mesmo utilizando correntes e amarras? (5.3)
- O que acontecia repetidamente com os grilhões e as cadeias colocados sobre o homem possesso? (5.4)
- Como o texto descreve a capacidade humana de subjugar ou controlar aquele homem? (5.4)
- Em quais períodos do dia e em que lugares o homem andava continuamente clamando? (5.5)
- Com qual instrumento o homem possesso feria a si próprio durante o seu sofrimento? (5.5)
- Qual foi a atitude do homem ao avistar Jesus ainda a uma longa distância? (5.6)
- Com que título específico o espírito imundo se dirigiu a Jesus ao gritar em alta voz? (5.7)
- O que o espírito imundo conjurou por Deus para que Jesus não fizesse contra ele? (5.7)
- Que ordem prévia Jesus já havia pronunciado contra o espírito imundo? (5.8)
- Qual pergunta direta Jesus dirigiu ao espírito que dominava o homem? (5.9)
- Qual foi o nome dado pelo possesso e qual justificativa ele apresentou para esse nome? (5.9)
- Para onde os espíritos rogaram encarecidamente que Jesus não os expulsasse? (5.10)
- Que tipo de animais e em que quantidade aproximada pastavam nas encostas do monte? (5.11, 5.13)
- Qual permissão os espíritos imundos suplicaram receber em relação à manada? (5.12)
- Para onde a manada de porcos correu despenhadeiro abaixo logo após a entrada dos espíritos? (5.13)
- Qual foi o destino final da manada de cerca de dois mil porcos dentro das águas? (5.13)
- Como reagiram os tratadores dos porcos e onde eles divulgaram o acontecimento? (5.14)
- Em que estado físico, vestimenta e condição mental o homem recém-liberto foi encontrado pelo povo? (5.15)
- Que sentimento se apossou dos moradores da região ao verem o homem restaurado junto a Jesus? (5.15)
- O que as testemunhas oculares relataram ao povo acerca do homem que fora liberto e dos porcos? (5.16)
- Qual pedido coletivo os habitantes daquela terra fizeram insistentemente a Jesus? (5.17)
- O que o homem recém-liberto rogou a Jesus no momento em que Ele entrava no barco? (5.18)
- Que negativa Jesus deu ao homem que fora liberto da legião? (5.19)
- Qual missão e mensagem específica Jesus confiou àquele homem em relação aos seus familiares? (5.19)
- Em qual território de dez cidades o homem começou a divulgar os feitos de Jesus em seu favor? (5.20)
- O que aconteceu às margens do mar assim que Jesus retornou de barco para o outro lado? (5.21)
- Quem era Jairo e que atitude humilde ele demonstrou imediatamente ao encontrar Jesus? (5.22)
- Qual era a gravidade do estado de saúde da filha de Jairo apresentada em sua súplica? (5.23)
- Que ação específica Jairo esperava que Jesus realizasse para que sua filha fosse salva e vivesse? (5.23)
- De que maneira a multidão se comportava enquanto acompanhava Jesus a caminho da casa de Jairo? (5.24)
- Há quantos anos certa mulher que estava na multidão sofria de uma grave hemorragia? (5.25)
- Quais foram as consequências físicas e financeiras sofridas pela mulher ao recorrer a vários médicos? (5.26)
- Como a mulher enferma conseguiu se aproximar de Jesus sem chamar a atenção direta da multidão? (5.27)
- Qual certeza a mulher expressava consigo mesma a respeito de tocar apenas nas roupas de Jesus? (5.28)
- O que ocorreu de imediato com o fluxo de sangue da mulher no instante do toque? (5.29)
- O que a mulher sentiu fisicamente em seu próprio corpo logo após tocar a veste? (5.29)
- O que Jesus reconheceu imediatamente dentro de si mesmo ao ocorrer o toque? (5.30)
- Qual pergunta Jesus fez ao se virar no meio do aperto da multidão? (5.30)
- De que forma os discípulos reagiram diante da pergunta de Jesus sobre quem o havia tocado? (5.31)
- Como a mulher se apresentou diante de Jesus ao perceber que o fato havia sido manifesto? (5.33)
- Que virtude foi apontada por Jesus como o canal que salvou e livrou a mulher de seu mal? (5.34)
- Que notícia desanimadora os emissários da casa do chefe da sinagoga trouxeram enquanto Jesus ainda falava? (5.35)
- Que instrução de encorajamento e perseverança Jesus deu a Jairo ao ignorar a notícia da morte? (5.36)
- Quais foram os únicos três discípulos a quem Jesus permitiu acompanhá-lo até a residência? (5.37)
- Que ambiente de lamento e alvoroço Jesus presenciou ao adentrar a casa do chefe da sinagoga? (5.38)
- Qual afirmação de Jesus a respeito do estado da criança provocou o riso de deboche dos presentes? (5.39, 5.40)
- Quem teve permissão para entrar com Jesus no cômodo onde a menina estava deitada? (5.40)
- Que gesto físico e expressão aramaica Jesus utilizou para ordenar que a menina despertasse? (5.41)
- Qual era a idade da filha de Jairo que prontamente se levantou e começou a caminhar? (5.42)
- Qual foi o sentimento imediato que tomou conta de todos os que presenciaram a menina andar? (5.42)
- Que ordem de sigilo rigorosa Jesus impôs aos pais após o milagre da ressurreição? (5.43)
- Que cuidado prático com as necessidades biológicas da criança foi ordenado por Jesus ao final? (5.43)
