1 Coríntios 1: Divisões na igreja e a loucura da mensagem da cruz (Estudo e Explicação)


1 Coríntios 1 explicado: 
⚔️ Paulo condena divisões entre seguidores de Apolo.
🧠 Gregos rejeitam a pregação sobre Cristo crucificado.
✝️ Deus salva crentes pela loucura da cruz.

Resumo de 1 Coríntios 1

Saudação inicial de Paulo e seu desejo de paz para os irmãos

A carta se inicia com a apresentação do apóstolo Paulo, que faz questão de destacar que sua liderança não foi uma escolha pessoal, mas um chamado direto da vontade de Deus.

Ele escreve acompanhado do irmão Sóstenes, direcionando suas palavras à comunidade cristã que vivia na cidade de Corinto (v. 1).

Essa cidade era um grande centro comercial e cultural da época, o que trazia muitos desafios para quem decidia seguir um caminho de fé autêntica.

O apóstolo lembra aos moradores de Corinto que eles foram separados e purificados por meio de sua conexão com o Messias, recebendo um convite especial para viverem uma vida dedicada ao bem.

Ele também estende essa mensagem a todas as pessoas que, independentemente de onde estejam, buscam e honram o nome do Senhor (v. 2).

Para encerrar essa recepção calorosa, ele deseja que a graça e a paz, vindas do Criador e de seu Filho, alcancem o coração de cada leitor (v. 3).

Alegria e gratidão pelas habilidades espirituais da igreja

Logo após os cumprimentos, o autor expressa uma profunda gratidão a Deus por tudo o que estava acontecendo na vida daquela comunidade.

Ele percebe que os cristãos dali haviam recebido um favor imenso, sendo verdadeiramente enriquecidos em sua capacidade de compreender e de comunicar as verdades espirituais (vv. 4-5).

Essa habilidade de entender as coisas profundas da fé mostrava que os ensinamentos originais haviam criado raízes fortes dentro deles.

Como resultado desse amadurecimento, a comunidade não tinha falta de nenhuma capacidade especial enquanto aguardava o retorno do Senhor (vv. 6-7).

O líder espiritual os tranquiliza, garantindo que o próprio Deus continuaria a dar forças para que eles se mantivessem firmes e íntegros até o fim de sua jornada.

Ele reforça que o Criador é totalmente confiável e cumpre suas promessas, sustentando o convite diário para que todos vivam em união com o Filho (vv. 8-9).

Apelo contra as divisões e a busca pela união de propósitos

Apesar dos elogios iniciais, o texto muda de tom para abordar um problema grave que ameaçava a saúde emocional e relacional do grupo.

O apóstolo faz um apelo afetuoso, mas firme, pedindo que todos evitem brigas internas e busquem entrar em um acordo, mantendo a mesma forma de pensar e os mesmos objetivos (v. 10).

Ele explica que pessoas de confiança, ligadas a uma mulher chamada Cloe, trouxeram notícias preocupantes sobre discussões constantes ocorrendo entre eles (v. 11).

O problema central era que os membros da comunidade estavam criando fã-clubes de líderes religiosos, dividindo-se em grupos rivais.

Alguns diziam seguir o próprio Paulo, outros preferiam o orador Apolo, alguns defendiam a liderança de Pedro, e outros, numa tentativa de superioridade, afirmavam seguir apenas a Cristo (v. 12).

Para confrontar essa atitude infantil, o autor faz perguntas que levam à reflexão, questionando se o Salvador estaria dividido ou se algum líder humano teria sofrido na cruz no lugar deles (v. 13).

Ele se sente aliviado por não ter realizado cerimônias de batismo na maioria daquelas pessoas, evitando assim que alguém usasse seu nome para criar mais uma facção isolada (vv. 14-15).

Ele se lembra de ter batizado apenas algumas famílias específicas, ressaltando que sua vocação apostólica prioritária não era a administração direta dos batismos, mas sim a proclamação do evangelho da graça (vv. 16-17).

Essa transmissão precisava ser simples e direta, sem o uso de palavras rebuscadas ou filosofias complicadas, para que a essência do sacrifício divino não perdesse seu verdadeiro impacto.

A mensagem da cruz revelando o verdadeiro poder divino

O autor passa então a explicar o contraste chocante entre a maneira de pensar da humanidade e a maneira como o universo espiritual opera.

Ele reconhece que a mensagem de um salvador que sofre e se entrega parece um completo contrassenso para aqueles que vivem distantes da fé, mas afirma que, para os resgatados, essa é a maior demonstração de força que existe (v. 18).

Apoiando-se em textos antigos, ele lembra que as estratégias divinas frequentemente desmancham a intelectualidade arrogante e a inteligência daqueles que se acham superiores (v. 19).

Ele questiona o paradeiro dos grandes pensadores, dos especialistas em leis e dos debatedores daquela época, mostrando como a genialidade humana é pequena diante dos planos do Criador (v. 20).

Como a humanidade não conseguiu alcançar a verdade suprema usando apenas seu próprio intelecto e filosofia, o Alto decidiu salvar as pessoas através de uma mensagem que os acadêmicos consideravam sem sentido (v. 21).

Enquanto algumas culturas exigiam milagres espetaculares para acreditar e outras só valorizavam lógicas filosóficas impecáveis, a comunidade cristã ensinava algo completamente diferente (v. 22).

Eles anunciavam um líder que passou pelo sofrimento extremo, algo que ofendia profundamente as tradições religiosas de uns e parecia uma grande falta de lógica para o intelecto de outros (v. 23).

No entanto, para aqueles que aceitavam o chamado, independentemente de sua origem cultural, essa figura sofredora representava exatamente o ápice da sabedoria e do poder (v. 24).

Isso ocorre porque aquilo que parece frágil ou ilógico vindo do céu supera infinitamente a maior força e a inteligência mais refinada que qualquer ser humano possa produzir (v. 25).

O critério de escolha de Deus valorizando os humildes

Para ilustrar esse ponto de forma prática, o líder convida os membros da comunidade a olharem para si mesmos e refletirem sobre suas próprias origens.

Ele destaca que, entre eles, havia muito poucas pessoas consideradas cultas pelos padrões sociais, assim como eram raros os indivíduos de grande influência política ou de famílias nobres (v. 26).

Em vez de buscar a elite da sociedade, o Criador preferiu escolher aqueles que o mundo considerava sem importância e vulneráveis.

Essa escolha teve um propósito claro e transformador, visando desconstruir a arrogância dos que se achavam donos da verdade e superiores aos outros devido às suas posições de poder (v. 27).

A estratégia divina focou em acolher pessoas que sofriam desprezo, as que eram invisíveis para a sociedade e as que aparentemente não tinham nenhum valor social.

Ao valorizar os rejeitados, a influência daqueles que se consideravam grandes acabou sendo completamente neutralizada e esvaziada de sentido (v. 28).

Toda essa inversão de valores tem um motivo relacional muito profundo, que é impedir que qualquer ser humano sinta orgulho ou tente se exaltar na presença do Criador (v. 29).

O apóstolo conclui lembrando que é apenas por iniciativa divina que as pessoas podem estar conectadas ao Messias, que se tornou a verdadeira fonte de inteligência espiritual.

É através dessa conexão que as pessoas encontram a justiça, o caminho para uma vida limpa e a libertação de tudo o que as prendia no passado (v. 30).

Dessa forma, qualquer celebração ou sentimento de realização deve ser direcionado exclusivamente para homenagear o Senhor, e nunca para exaltar capacidades humanas (v. 31).

Contexto histórico-cultural

O canal de terra de Corinto e os perigos do mar

A cidade de Corinto ficava em um ponto geográfico muito estratégico: uma faixa estreita de terra com cerca de sete quilômetros que ligava duas partes importantes da Grécia.

Naquela época, navegar ao redor do extremo sul da região era tão perigoso por causa das tempestades e naufrágios que os marinheiros romanos costumavam dizer que quem tentasse aquela rota deveria redigir seu testamento antes de sair de casa.

Para evitar esse risco de morte, os comerciantes usavam uma pista especial de pedra chamada diolkos.

Nesse caminho terrestre pavimentado, barcos menores eram colocados sobre rolos de madeira e puxados por escravos e bois de um mar até o outro.

Quando as embarcações eram grandes demais para serem arrastadas, as mercadorias eram descarregadas e levadas nos ombros dos trabalhadores até outros navios que já esperavam no porto oposto (1 Coríntios 1:2).

A fama de devassidão e a gíria dos coríntios

Depois de ter sido destruída em uma guerra antiga, Corinto foi reconstruída por ordem de Júlio César como uma rica colônia romana.

A nova cidade virou um polo de oportunidades, atraindo soldados aposentados, escravos libertos que queriam enriquecer, comerciantes ambiciosos e viajantes de todas as partes do império.

Por causa desse enriquecimento rápido e do trânsito constante de marinheiros, o lugar ficou famoso pelo consumo exagerado, festas sem limites e uma vida noturna desregrada.

A má fama da cidade era tão conhecida que surgiu no Império Romano uma gíria popular em grego (korinthiazomai), que significava literalmente "viver como um coríntio", ou seja, levar uma vida de festas descontroladas e bebedeiras públicas (1 Coríntios 1:2).

Os templos da cidade e os pedidos desesperados de cura

A colina mais alta da cidade, chamada Acrocorinto, abrigava o famoso templo da deusa Afrodite, com centenas de mulheres dedicadas aos rituais religiosos pagãos da época.

Havia também templos dedicados a deuses gregos, romanos e egípcios, como o santuário de Asclépio, o deus da medicina.

Arqueólogos que escavaram as ruínas desse santuário encontraram centenas de pequenas peças de argila feitas no formato de partes do corpo doentes.

As pessoas compravam essas peças e as deixavam no templo como promessa, pedindo aos deuses a cura para infecções graves causadas pela promiscuidade da cidade.

Foi para pessoas que viviam no meio dessa cultura doente que Paulo anunciou a mensagem transformadora do evangelho, chamando-as para uma vida limpa e santa em Cristo (1 Coríntios 1:2).

Como as cartas eram escritas e o papel de Sóstenes

No mundo antigo, as cartas sempre começavam com o nome do autor logo na primeira linha, seguido do nome de quem ia receber e de votos de saúde e paz.

Ao escrever esta carta enquanto trabalhava em Éfeso, Paulo contou com a ajuda do irmão Sóstenes como seu secretário para colocar as palavras no papel (1 Coríntios 1:1).

Esse Sóstenes era muito conhecido na comunidade: no passado, ele havia sido o líder da sinagoga judaica da cidade e chegou a ser espancado em praça pública diante de um tribunal romano.

Ver aquele antigo adversário agora convertido a Jesus e trabalhando lado a lado com Paulo foi uma prova viva do poder de reconciliação que o evangelho traz para a vida das pessoas.

A empresária Cloe e as notícias que chegaram a Paulo

As primeiras notícias detalhadas sobre as brigas que estavam rachando a igreja de Corinto chegaram a Paulo por meio de pessoas ligadas a uma mulher chamada Cloe (1 Coríntios 1:11).

Cloe era uma empresária influente e respeitada da época, dona de negócios comerciais que movimentavam mercadorias entre os portos da Grécia e da Ásia Menor.

Quando os funcionários da casa de Cloe desembarcaram em Éfeso a trabalho, eles procuraram o apóstolo e relataram com tristeza o clima de fofocas e disputas de ego que estava destruindo a igreja.

Esse alerta sincero fez Paulo pegar a pena imediatamente para confrontar a vaidade da congregação.

A paixão pelos grandes oradores e o perigo das divisões

A cultura grega era apaixonada por palestras elegantes, debates de filósofos famosos e discursos difíceis.

Infelizmente, os membros da igreja levaram essa mania de torcida para dentro da fé, dividindo a comunidade em grupos rivais em torno de seus pregadores favoritos (1 Coríntios 1:12).

Alguns desprezavam o jeito simples de Paulo falar e preferiam a retórica bonita de Apolo; outros se apegavam às tradições de Pedro, e outros, com arrogância espiritual, diziam que não precisavam de nenhum pastor porque seguiam apenas a Cristo.

Para repreender esse partidarismo infantil, Paulo usa a palavra grega schismata, que descrevia o rasgo violento em um tecido nobre ou a fratura grave de um osso que precisava ser recolocado no lugar.

O escândalo da cruz romana e o deboche do mundo

No sistema de leis do Império Romano, a morte na cruz era o castigo mais humilhante, cruel e aterrorizante que existia, reservado apenas para escravos fugitivos, ladrões e rebeldes perigosos.

O famoso filósofo romano Cícero chegou a declarar que pessoas educadas e cidadãos livres não deveriam nem sequer pronunciar a palavra "cruz" em conversas públicas.

Um desenho antigo de deboche encontrado em um muro de Roma mostrava um jovem de joelhos adorando a figura de um homem crucificado com cabeça de jumento, com a frase zombeteira: "Alexamenos adora seu deus".

Diante desse desprezo da sociedade, pregar que o Salvador do mundo havia morrido em uma cruz soava como uma loucura vergonhosa para os intelectuais gregos da época (1 Coríntios 1:23).

A espera por um líder militar e a armadilha do orgulho

Muitos judeus daquele século sonhavam com a chegada de um Messias guerreiro e poderoso, que expulsasse o exército de Roma com espadas e fizesse sinais milagrosos no céu.

Além disso, o Antigo Testamento afirmava que qualquer pessoa pendurada em um madeiro estava debaixo de maldição.

Por isso, a notícia de um Messias que morreu pregado em uma cruz romana era um choque inaceitável para o orgulho nacional de muitos religiosos (1 Coríntios 1:23).

A palavra bíblica usada para "escândalo" vinha do gatilho de uma ratoeira, mostrando que o apego às próprias tradições e ao orgulho pessoal funcionava como uma armadilha que impedia as pessoas de aceitarem a salvação pela graça.

A nobreza romana contra os invisíveis da sociedade

A sociedade romana era extremamente preconceituosa: uma minoria rica tinha todos os privilégios, enquanto a grande maioria do povo pobre não tinha voz política nem valor social.

O respeito de uma pessoa dependia da riqueza da sua família, das terras que possuía e da quantidade de servos que andavam atrás dela.

Dentro da igreja de Corinto, havia pouquíssimos membros ricos ou influentes, como o tesoureiro da cidade Erasto ou o hospitaleiro Gaio (1 Coríntios 1:14).

A esmagadora maioria da igreja era formada por operários simples, pessoas comuns do porto e trabalhadores escravizados.

Paulo lembra que Deus escolheu de propósito acolher os rejeitados e invisíveis da sociedade para desmanchar a empáfia daqueles que se achavam os donos do mundo (1 Coríntios 1:28).

O mercado de escravos e o preço do resgate em Cristo

A economia da região dependia diretamente do comércio de seres humanos, com feiras públicas onde prisioneiros de guerra e endividados eram leiloados acorrentados.

Quando Paulo escreve que Jesus se tornou nossa "redenção", ele usa uma palavra conhecida que descrevia o pagamento em dinheiro feito para comprar a liberdade definitiva de um escravo no mercado (1 Coríntios 1:30).

O povo simples da época, que vivia com medo de cair na miséria ou de ser vendido para pagar dívidas, entendeu na hora a beleza do evangelho.

Jesus pagou com Sua própria vida a dívida impagável dos nossos pecados, garantindo que a nossa confiança e glória repousem unicamente na Sua graça soberana.


Tabelas Didáticas

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⚔️ Facções em Corinto vs. Unidade em Cristo

👥 Grupo / Facção 🗣️ Discurso Partidário ✝️ Correção de Paulo
📜 Partido de Paulo "Eu sou de Paulo" (1:12) Paulo não foi crucificado por ninguém (1:13)
🗣️ Partido de Apolo "Eu sou de Apolo" (1:12) A pregação não depende de retórica humana (1:17)
🏛️ Partido de Pedro "Eu sou de Cefas" (1:12) Ninguém foi batizado em nome de homem (1:13-15)
👑 Partido Exclusivista "Eu sou de Cristo" (1:12) Cristo não pode ser dividido em facções (1:13)

🧠 Sabedoria Humana vs. Poder da Cruz

🌍 Cultura / Grupo 🔍 O que Exigem ⚡ Reação à Cruz
🕍 Judeus Sinais milagrosos e Messias triunfante (1:22) Escândalo e tropeço fatal (1:23)
🏛️ Gregos Filosofia, lógica e retórica elevada (1:22) Loucura sem sentido e absurdo (1:23)
✝️ Chamados por Deus Fé na mensagem de Cristo crucificado (1:21) Poder e sabedoria suprema de Deus (1:24)

🔄 Padrão Social do Mundo vs. Escolha de Deus

🏛️ Padrão da Elite Social 🕊️ Critério da Escolha Divina 🎯 Propósito do Criador
🎓 Sábios e intelectuais (1:26) As coisas loucas deste mundo (1:27) Envergonhar a arrogância dos sábios (1:27)
💪 Poderosos e influentes (1:26) As coisas fracas e vulneráveis (1:27) Envergonhar os que se acham fortes (1:27)
👑 Nobres de berço ilustre (1:26) Os humildes, desprezados e invisíveis (1:28) Anular o orgulho de toda a humanidade (1:29)

💎 As Quatro Riquezas Espirituais em Cristo

🎁 Dádiva Divina (1:30) 💡 Transformação Prática
🧠 Sabedoria Conhecimento espiritual autêntico, superando a filosofia humana
⚖️ Justiça Aceitação e alinhamento com Deus por meio do Messias
🕊️ Santificação Separação e purificação moral no meio de uma cultura devassa
⛓️ Redenção Resgate definitivo e libertação das correntes da escravidão espiritual

🏛️ Contexto Cultural de Corinto e o Ensino Bíblico

🏛️ Elemento Greco-Romano 📜 Costumes da Época 📖 Aplicação Apostólica
💥 Schismata (Divisões) Rasgo em tecido fino ou fratura óssea grave Urgência de curar discórdias na comunidade (1:10)
🗣️ Oratória Pública Culto a mestres da retórica e debates sofisticados Pregação sem discursos rebuscados (1:17)
🪵 Cruz do Patíbulo Pena infame para escravos fugitivos e rebeldes O maior poder divino revelado na fraqueza (1:18, 23)
🪙 Resgate Civil Compra e garantia legal de alforria de escravos Libertação plena operada pela graça de Cristo (1:30)

Temas Principais

1. A Sabedoria e a Cruz de Cristo

O capítulo contrasta a sabedoria humana dos gregos com a mensagem da cruz, vista como loucura pelo mundo perdido. Na teologia reformada, isso destaca a depravação total, onde a razão humana natural não consegue compreender a salvação sem a iluminação interna do Espírito.

Deus destrói o entendimento dos prudentes para estabelecer a Sua verdade, esvaziando a arrogância intelectual (1 Coríntios 1:19). Assim, a glória da redenção pertence exclusivamente ao Senhor, eliminando todo mérito pautado no raciocínio ou no esforço humano.

2. A Soberania Divina na Vocação

Paulo lembra aos coríntios que Deus escolheu as coisas loucas, fracas e desprezíveis do mundo para envergonhar as fortes (1 Coríntios 1:27). Isso ilustra perfeitamente o ensino reformado da eleição incondicional, baseada apenas na graça soberana e não em atributos humanos.

Não havia muitos sábios ou nobres entre eles, mostrando que o chamado divino ignora o status secular. O objetivo final dessa escolha graciosa é garantir que nenhuma carne se glorie diante da presença de Deus.

3. A Suficiência de Cristo na Redenção

Em meio às tristes divisões partidárias, o apóstolo aponta para Jesus como nossa sabedoria, justiça, santidade e redenção (1 Coríntios 1:30). A teologia reformada enfatiza aqui o princípio do "Solus Christus", demonstrando que toda a obra da salvação flui Dele.

Os crentes são chamados a encontrar sua identidade e segurança apenas no Redentor, nunca em líderes humanos. Portanto, quem quiser se gloriar de algo, que se glorie unicamente na grandeza do Senhor.


Pontes no Novo Testamento

1. Ligação com o Ensino Apostólico: Sabedoria e Graça

O tema da completa nulidade do mérito humano para a salvação é magistralmente aprofundado por Paulo em passagens como Efésios 2:8-9. A eleição dos "loucos e fracos" demonstra a continuidade do pensamento de que a justificação ocorre pela fé exclusiva, sem participação de obras (Romanos 3:27).

Assim como na carta aos Gálatas (Gálatas 6:14), a cruz é apresentada não como derrota, mas como o único motivo real de glória do cristão. Essa profunda fundação teológica reinterpreta o conceito de sabedoria secular, submetendo toda a razão humana à revelação apostólica.

2. Ligação Temática: O Escândalo da Cruz

A visão da cruz como "pedra de tropeço" para os judeus ecoa as advertências de Cristo e a profecia de Simeão sobre a oposição humana (Lucas 2:34). Pedro também desenvolve esse exato paralelo ao descrever Jesus como a "pedra rejeitada" que se tornou o alicerce principal (1 Pedro 2:7-8).

O conceito paradoxal de que o sofrimento do Messias traz redenção permeia o Novo Testamento, exigindo fé pura em vez de sinais miraculosos. A beleza narrativa reside no fato de que o próprio Deus transforma o maior símbolo de vergonha romana no instrumento definitivo de vitória espiritual.

3. Ligação com a Missão e a Vida da Igreja: Unidade no Corpo

As dissensões mencionadas pela família de Cloe refletem os duros desafios práticos vivenciados pela Igreja Primitiva em Atos 15, onde as diferenças ameaçavam a comunidade. A prática saudável da fé exigia que os cristãos superassem suas preferências por líderes proeminentes como Apolo ou Cefas.

Tiago 3:14-17 ecoa essa vivência ao alertar contra a sabedoria terrena que gera confusão, encorajando a sabedoria do alto, que produz paz e união. Historicamente, a missão evangelística da igreja só avança de forma eficaz quando Cristo permanece como o centro indiscutível de tudo.


Aplicação Prática

1. Superando Divisões: União e Propósito

Na vida moderna, o partidarismo ideológico frequentemente infiltra nossos relacionamentos e igrejas, gerando rivalidades sutis, mas prejudiciais. Somos diariamente desafiados a focar na cruz de Cristo, lembrando que líderes humanos são apenas servos designados para cooperar (Efésios 4:3).

Como você tem lidado com opiniões divergentes ou preferências pessoais dentro da sua própria comunidade de fé? Você tem promovido a pacificação ou alimentado discussões desgastantes em torno de figuras midiáticas e carismáticas?

2. Reavaliando a Sabedoria: Ética e Humildade

O mundo corporativo e acadêmico idolatra o intelecto e o poder de influência, mas o evangelho nos convoca a uma ética de humildade intencional. Nossas decisões profissionais devem ser pautadas pela "loucura" bíblica do amor servil, seguindo o padrão de Cristo (Filipenses 2:3-5).

Até que ponto as métricas financeiras ou de sucesso secular têm moldado as suas escolhas diárias? Você está disposto a parecer fraco perante os homens para que a verdadeira sabedoria de Deus brilhe na sua profissão?

3. Reconhecendo a Graça: Identidade e Gratidão

Quando internalizamos que Deus escolheu deliberadamente as coisas fracas, somos libertos do peso opressor de tentar provar nosso próprio valor. Nossa verdadeira identidade passa a repousar no fato imutável de que Cristo se tornou nossa justiça e redenção plenas (1 Coríntios 1:30).

Você tem gastado sua energia confiando nos seus próprios méritos ou descansado totalmente na eficácia do sacrifício de Jesus? De que maneira essa verdade fundamental pode aliviar a ansiedade na forma como você lida com suas falhas?


Versículo-chave

"Mas é por iniciativa dele que vocês estão em Cristo Jesus, o qual se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção." (1 Coríntios 1:30, NVI).


Sugestão de esboços

Esboço Temático: A Sabedoria da Cruz

1. A completa insuficiência da sabedoria humana (1 Coríntios 1:19-20).
2. A cruz de Cristo como poder e salvação (1 Coríntios 1:23-24).
3. A glória reservada exclusivamente ao Senhor (1 Coríntios 1:31).

Esboço Expositivo: O Chamado à Unidade e à Humildade

1. Saudação inicial e ação de graças pelos dons (1 Coríntios 1:1-9).
2. O apelo amoroso contra as divisões partidárias (1 Coríntios 1:10-17).
3. O nítido contraste entre a sabedoria mundana e a de Deus (1 Coríntios 1:18-25).
4. A soberania divina na escolha graciosa dos crentes (1 Coríntios 1:26-31).

Esboço Criativo: O Escândalo que Salva

1. Um Reino celestial sem panelinhas humanas (1 Coríntios 1:12-13).
2. Um Rei crucificado paradoxalmente vitorioso (1 Coríntios 1:23).
3. Um exército formado por pessoas improváveis (1 Coríntios 1:27).
4. Uma única razão verdadeira para aplaudir (1 Coríntios 1:31).


Perguntas

  1. Como o autor se identifica logo no início da carta e qual é o fundamento do seu chamado? (1.1)
  2. Quem é o irmão mencionado juntamente com o autor na saudação inicial? (1.1)
  3. A quem o texto é nominalmente endereçado? (1.2)
  4. Como são descritos os destinatários em relação a Cristo Jesus? (1.2)
  5. Além dos cristãos daquela localidade específica, que outro grupo mais amplo é incluído na saudação? (1.2)
  6. Quais são as duas bênçãos que o autor deseja aos destinatários em sua saudação? (1.3)
  7. De onde procedem a graça e a paz desejadas aos leitores neste texto? (1.3)
  8. Com qual frequência o autor afirma dar graças a Deus a respeito dos irmãos? (1.4)
  9. Qual é o motivo específico pelo qual o autor expressa gratidão a Deus a respeito dos destinatários? (1.4)
  10. Em quais duas áreas específicas os destinatários foram enriquecidos em Cristo? (1.5)
  11. O que foi confirmado entre os irmãos, resultando em seu enriquecimento espiritual? (1.6)
  12. Qual é a consequência prática da confirmação do testemunho de Cristo na vida dos crentes em relação às suas capacidades espirituais? (1.7)
  13. Qual evento futuro os crentes estão aguardando enquanto vivem sua vocação? (1.7)
  14. Quem é responsável por confirmar os crentes até o fim, segundo o texto? (1.8)
  15. Qual é o propósito de os crentes serem confirmados até o fim em relação ao Dia do Senhor? (1.8)
  16. Qual atributo de Deus é destacado como garantia de que Ele cumpre o Seu chamado? (1.9)
  17. Para o que especificamente Deus chamou os crentes, de acordo com o texto? (1.9)
  18. Em nome de quem o autor roga para que os irmãos falem a mesma coisa? (1.10)
  19. Qual atitude e disposição o autor exige para que não haja divisões entre eles? (1.10)
  20. Quem informou o autor sobre as contendas que estavam ocorrendo entre os irmãos? (1.11)
  21. Qual era o problema de partidarismo relatado pelos informantes do autor? (1.12)
  22. Quais são os quatro nomes mencionados como focos de divisão entre os irmãos? (1.12)
  23. Quais perguntas retóricas o autor faz para demonstrar o absurdo das divisões centradas nele mesmo? (1.13)
  24. Quais foram as duas únicas pessoas que o autor afirma ter batizado inicialmente? (1.14)
  25. Por qual motivo o autor dá graças a Deus por ter batizado poucas pessoas naquela congregação? (1.15)
  26. Qual foi a única casa ou família que o autor se lembra de ter batizado, além dos dois indivíduos já mencionados? (1.16)
  27. Para qual missão principal o autor afirma ter sido enviado por Cristo, em contraste com o ato de batizar? (1.17)
  28. Por que a pregação do evangelho não deve ser feita com "sabedoria de palavra"? (1.17)
  29. Como a "palavra da cruz" é considerada por aqueles que se perdem? (1.18)
  30. O que a "palavra da cruz" representa para aqueles que são salvos? (1.18)
  31. Segundo o texto sagrado citado, o que Deus fará com a sabedoria dos sábios? (1.19)
  32. O que Deus fará com a inteligência dos instruídos, conforme a citação apresentada? (1.19)
  33. Quais são as três figuras humanas associadas ao conhecimento que o autor desafia de forma retórica? (1.20)
  34. O que Deus fez com a sabedoria deste mundo, de acordo com a pergunta do autor? (1.20)
  35. Segundo a sabedoria de Deus, o mundo conseguiu conhecê-lo por meio de sua própria sabedoria? (1.21)
  36. O que agradou a Deus usar como meio para salvar os que creem? (1.21)
  37. O que os judeus pedem como condição ou evidência, segundo o texto? (1.22)
  38. O que os gregos buscam como demonstração de verdade? (1.22)
  39. Como a pregação de Cristo crucificado é recebida pelos judeus? (1.23)
  40. Como a pregação de Cristo crucificado é vista pelos gentios? (1.23)
  41. Para os que são chamados, o que Cristo representa duplamente em relação a Deus? (1.24)
  42. Como o texto compara a "loucura de Deus" com os homens? (1.25)
  43. Como o texto compara a "fraqueza de Deus" com os homens? (1.25)
  44. Ao pedir que os irmãos reparem na sua vocação, quais três perfis humanos o autor diz que não foram chamados em grande número? (1.26)
  45. Qual foi o propósito de Deus ao escolher as coisas loucas do mundo? (1.27)
  46. Qual foi o propósito de Deus ao escolher as coisas fracas do mundo? (1.27)
  47. Que tipo de coisas Deus escolheu para reduzir a nada aquelas que parecem ter importância? (1.28)
  48. Qual é a razão final dada pelo autor para Deus agir escolhendo o que é humilde e desprezado? (1.29)
  49. Quais são as quatro realidades espirituais que Cristo Jesus se tornou para nós da parte de Deus? (1.30)
  50. Segundo a conclusão do capítulo baseada nas Escrituras, se alguém deseja se gloriar, como deve fazê-lo? (1.31)
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