"Disse o néscio ao seu coração: não há Deus." — Salmo 14:1
A pergunta suprema: Existe Deus?
Há os ateus confessos. Desses que não admitem nem tocar no nome de Deus.
A propósito, uma vez perguntaram a um desses "ateus" se ele acreditava em Deus, na alma, na vida espiritual, ao que ele respondeu todo vaidoso: eu, graças a Deus, não acredito nessas bobagens. Traído pelo subconsciente.
O ateísmo prático e enganador
Existe um tipo de ateu mais comum e mais perigoso, porque é hipócrita e enganador. Acreditam em Deus, mas não O temem. Vivem como se não cressem nesse mesmo Deus.
Não admitem a necessidade de viver segundo a vontade do Deus em que dizem crer. Vivem à vontade, cometendo todo tipo de devassidão, abafam a consciência com a confissão auricular, prejudicam o próximo, promovem a desarmonia e se dizem cristãos.
São os egoístas que só pensam em si e oprimem o próximo. A esses "cristãos" servem as palavras do salmista que encimam estas linhas, ou então as palavras do próprio Cristo: "Nunca vos conheci".
Os cristãos de religião limitada
Mas existem os cristãos de religião limitada. O lugar da vida devocional dessas pessoas é muito restrito. Isolam a religião da vida prática.
Vão à Igreja aos domingos, mas de segunda a sábado se esquecem de Deus. Para esses, Deus existe só um dia por semana. Acham que a religião nada tem a ver com a vida secular.
É de se duvidar da fé daqueles que se dizem cristãos, mas que limitam a religião a determinados dias da semana ou afazeres da vida. A esses também podem se aplicar as palavras do salmista: "disse o néscio no seu coração: não há Deus".
Os indiferentes
E há os indiferentes. Não praticam o mal, não prejudicam ninguém, não se negam a auxiliar o próximo necessitado, mas na religião não demonstram aquilo que é de se esperar do verdadeiro cristão, seguidor de Jesus Cristo.
Possuem uma crença em Deus, mas não foram possuídos por essa crença.
A essência da verdadeira fé
O verdadeiro cristão não possui a religião, mas é possuído por ela. Foi isso exatamente o que descobriu o apóstolo Paulo: "Já não sou eu o que vive, mas Cristo é quem vive em mim".
Jesus disse: "Vós examinais as Escrituras porque cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam".
A maior preocupação sobre a nossa crença em Deus é saber até que ponto essa crença nos favorece, favorece o nosso próximo, edifica a igreja a que pertencemos e transforma a comunidade em que vivemos.
Não se aplicarão a nós as palavras do salmista? Lembremo-nos de que todos aqueles que negam a existência de Deus, tanto os ateus confessos como os práticos, já foram qualificados nas Escrituras como néscios.
A fé aliada à razão
Ninguém expressou tão bem sua convicção da existência de Deus, aliando a fé à ciência e à observação, do que Bocage no seu célebre soneto:
Os milhões de áureos lustres coruscantes
que estão da azul abóbada pendendo
O sol e a que ilumina o trono horrendo
dessa que anima os ávidos amantes
As vastíssimas ondas arrogantes
serras de espuma contra os céus erguendo
a leda fonte, humilde o chão lambendo
a lourejar as searas flutuantes
O vil mosquito, a provida formiga
a rama chocalheira, o tronco mudo
tudo o que há Deus a confessar me obriga
E para crer num braço autor de tudo
que recompensa os bons, que os maus castiga
não só da fé, mas da razão me ajudo.
Da nossa fé e do dinamismo dessa fé é que dependem o sucesso e a felicidade da comunidade em que estamos vivendo.
Autor: Samuel Barbosa