
“Eu não tenho nada a ver com isso!”
Certamente você já ouviu essa frase repetidas vezes ou até mesmo já a pronunciou. Contudo, cabe questionar: será verdade que não temos qualquer relação com o que se passa no mundo ao nosso redor?
A interdependência na vida em sociedade
Certa vez, propus uma atividade de redação com o tema: O Mundo sem Mim. Uma das alunas resumiu seu texto afirmando que o mundo seguiria idêntico sem a sua existência, pois sua presença não alterava absolutamente nada.
Durante a avaliação, convidei a classe a refletir sobre a própria roupa que aquela aluna vestia.
Perguntei se ela tinha ideia de quantas pessoas estiveram envolvidas naquele processo: desde o plantio e a colheita do algodão, passando pela fiação do tecido, corte, costura, transporte, embalagem até o atendimento na loja e os cuidados diários com a lavagem.
Quantas famílias foram sustentadas a partir da cadeia produtiva que possibilitou aquele vestuário? E o que dizer da produção diária de um simples prato de comida? Diante disso, ela prontamente reconheceu a relevância de sua presença e interconexão com os outros.
A sociedade funciona como uma grande corrente: cada cidadão é um elo fundamental. Se um elo falha ou se perde, toda a estrutura é impactada.
Pecado por comissão versus pecado por omissão
Na parábola do bom samaritano, o sacerdote e o levita provavelmente justificaram sua indiferença pensando: “não tenho nada com isso; não fui eu quem assaltou este homem”, passando ao largo sem prestar socorro.
O samaritano, por sua vez, embora também não fosse o autor da violência, decidiu se envolver ativamente no cuidado e na restauração do ferido.
Na teologia moral, distinguem-se duas naturezas de transgressão: o pecado por comissão (praticar deliberadamente o mal) e o pecado por omissão (deixar de fazer o bem que está ao nosso alcance).
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado.” — Tiago 4.17
O mundo sofre pelas atitudes dos que espalham ódio e injustiça, mas padece na mesma medida pela inércia dos que se omitem sob o pretexto da neutralidade.
Se alguém descarta imprudentemente um obstáculo na calçada, comete uma falta por comissão. Se você passa pelo local, vê o risco e nada faz para removê-lo, incorre no erro da omissão caso alguém venha a se ferir.
Certa ocasião, uma pessoa com deficiência visual caminhava guiada por um acompanhante em uma via pública onde havia uma obra mal sinalizada. O guia atravessou o local, mas não avisou o companheiro, que acabou caindo e sofrendo ferimentos.
No processo de apuração de responsabilidades, constatou-se que a omissão de quem tinha a obrigação de alertar foi determinante para o acidente.
O chamado à relevância cristã
Conclui-se que abster-se de fazer o bem quando temos oportunidade é uma atitude tão grave quanto praticar o mal diretamente.
“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo.” — Filipenses 2.15
Diante do chamado bíblico para sermos luz e agentes de transformação, você ainda continuará afirmando que não tem nada a ver com o seu próximo?
Autor: Samuel Barbosa