
“Há três coisas que são maravilhosas demais para mim, sim há quatro que não entendo: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma donzela” (Provérbios 30.18-19).
O rei Salomão diz que há coisas extraordinárias demais para ele, e que de todas o casamento, isto é, o relacionamento conjugal é a mais profunda, e o deixa boquiaberto e perplexo.
O casamento não se realiza nem se mantém feliz com amor e boa intenção apenas, ou com ‘pão, rosas e um grande coração’. Há nele lutas inevitáveis. Há problemas seríssimos a serem vencidos mesmo sendo nós cristãos.
Desafios comuns da convivência conjugal
1) A necessidade de percebermos e entendermos que agimos de modo diferente. Nosso cônjuge é único em seu comportamento e temperamento.
2) A necessidade de percebermos e entendermos que os cônjuges possuem feridas na alma, têm complexos, traumas, marcas, e de vez em quando essas coisas afloram.
3) A necessidade de percebermos e entendermos que existem problemas formados e desenvolvidos durante a criação. Problemas que não chegam a ser traumas, mas em decorrência de hábitos fortíssimos e arraigados, criam grandes empecilhos e dificuldades.
4) A necessidade de percebermos e entendermos que os cônjuges possuem gostos diferentes; e ainda o problema do desajuste e desentendimentos provocados pelos desníveis espirituais.
Os grandes inimigos do casamento
Alguns inimigos do casamento existem e requerem dos cônjuges muita vigilância e oração, tais como:
Amarguras – Mágoas guardadas, queixas sem fim, reclamações que não cessam nunca. Leia o que o rei Salomão diz em Provérbios 19.13; 21.19; 25.24; 27.15-16. Parece que Salomão tinha experiência abundante nessa área. Precisamos tomar cuidado com as amarguras que destroem o relacionamento conjugal.
Falta de Tempo – Refiro-me àquele tempo fundamental, imprescindível, que os cônjuges devem dedicar um ao outro.
O comum, porém, são os maridos ativistas, consumistas; as mulheres superocupadas; os recém-casados trabalhando o dia inteiro ou estudando à noite, encontrando-se às tantas, para se darem um boa-noite na hora de dormir, um bom-dia na hora de acordar, com mil coisas atrasadas para resolverem nos finais de semana...
Cuidado! Casais que não gastam tempo juntos são casais que vão se superficializando, esfriando, se afastando. Chega um dia em que tantas foram as horas consumidas separados, que já não há mais diálogo possível.
Perda do espírito romântico – No tempo de namoro, naquelas noites de luar, a moça romântica comentava: “Como a noite está linda, a lua brilhante!” e o namorado dizia: “Minha querida, mais que a lua, brilham os teus olhos”.
Aí eles se casam. Primeiro ano de casamento, vão eles andando pela rua, e ela pensa: “faz um ano que ele não me diz nada!” Lua cheia, e ela arrisca: “Querido, como a lua está linda...” E ele diz: “É... é mesmo”.
Ela insiste: “quem brilha mais do que a lua, querido?” e ele responde: “Há três anos passados eu já disse a você, e não estou disposto a repetir”.
Dez anos depois, novamente andando juntos, ela, suspirando fundo diante da lua cheia, diz para o marido: “Meu filho... a lua está cheia, olha que linda”. Ele interrompe: “Mulher, não seja estúpida, olhe para baixo senão vai cair no buraco!”
É lamentável que o espírito romântico dos primeiros tempos tenha que ceder lugar à frieza, indiferença, falta total de sensibilidade e imaginação. Zelem por esse espírito romântico em relação ao seu cônjuge.
Excesso de independência ou dependência excessiva – Um espírito autônomo, independente, pode ser muito benéfico na vida do casal e da família. O que não pode haver é exagero.
Há pessoas superindependentes, que vão derrubando tudo o que encontram pelo caminho, desinteressadas dos outros, envolvidas apenas em alcançar suas metas e objetivos. Numa família isto é inadmissível.
Sem diálogo, troca de ideias e conversas, é impossível a convivência pacífica e construtiva. Por outro lado o excesso de dependência é um erro terrível e fatal.
Entre o cônjuge o ideal é a medida certa de autonomia e dependência. Somente pelo conhecimento mútuo, o respeito e o amor é que a medida justa desse equilíbrio será alcançada. Veja o exemplo dos pais de Sansão em Juízes 13.
Incapacidade de interferir num problema através do perdão – É sugestivo que no capítulo 18 de Mateus, Jesus trate do assunto do perdão, e logo a seguir venha o ensino sobre a questão do divórcio.
Na realidade, Mateus pode até então não se ter apercebido da estratégica arrumação que faz dos dois temas: perdão e divórcio. Mas de fato o que acontece é isto mesmo: quem não aprende cedo a lição do perdão vai acabar tendo que enfrentar a questão do divórcio no casamento. Sem perdão relação nenhuma a dois sobrevive.
A essência do perdão no lar
Mas o que é perdão? Perdoar é falar de Deus, da capacidade de oferecer aos outros uma memória apagada, sem registros, sem mágoas e sem tatuagem do ressentimento.
Perdoar é deixar o outro nascer na nossa própria vida e história, sem a lembrança que fizeram dele um monstro em nossa mente. Perdão é algo que o mundo não ensina.
Perdão é vida, saúde e paz da verdadeira humanidade que se transforma na semelhança de Deus, pois quem não perdoa se deforma. Perdão é falar de Jesus ao mundo agressivo e de facas afiadas, numa terra deteriorada, frágil e caída, carente do verdadeiro perdão de Jesus.
Deus nos ajude, como cônjuges, a enfrentarmos corajosamente esses e outros inimigos de um relacionamento saudável e maduro que deve ser o casamento, um projeto de parceria de Deus para o homem e mulher.
Autor: Gilberto Bueno
(Adaptação do livro “O que Deus Uniu”)