Se o Espírito ora por mim, por que eu devo orar?


Romanos 8. 26-30

Conta-se a história de um pastor muito amado que ficou seriamente enfermo. Por isso, a igreja pôs-se em oração para que Deus curasse o querido pastor. Entretanto, o pastor veio a falecer. No culto fúnebre o ministro responsável durante o sermão, dirigiu-se à congregação e disse: “É possível que alguns de vocês estejam tentados em concluir que Deus não ouve suas orações. 


Todavia, eu posso afirmar que Deus ouviu as orações de todos vocês e que duas orações se puseram uma contra a outra. 

A oração feita pelo Espírito Santo e a oração feita por vocês. Provavelmente, vocês oraram: “Ó Deus, de misericórdia, restaure a saúde de nosso pastor e poupa-lhe a vida”. O Espírito Santo, porém orou: “Leva-o, pois a igreja está dependendo demais dele e não de ti”. Deus ouviu a oração do Espírito. 

Essa história ilustra um dos papéis do Espírito Santo na vida do crente. O Espírito é nosso consolador (amigo, conselheiro), é nosso cicerone, pois nos guia a toda a verdade, nos dá poder pra pregar o evangelho, mas também ora por nós. É exatamente sobre esse último papel que Paulo fala em Rm 8.26-30. 

Paulo escreveu essa carta para uma igreja que ele não conhecia. Seu desejo era fazer de Roma a base para seu ministério na Espanha. Essa carta é uma carta de apresentação. Até o capítulo 11, ele expõe a doutrina cristã. No capítulo 8, d vs. 18 em diante, o apóstolo fala de três gemidos. 

O gemido da criação (v. 22) que suporta as angústias desse mudo na expectativa de que todas as coisas sejam renovadas. O nosso próprio gemido (v. 23-25) que diz respeito à expectativa de nossa libertação total do pecado. Finalmente, nesse texto, lemos sobre o gemido do Espírito. 

Não é possível saber o que significa esse gemido do Espírito. O que sabemos é que a expressão “gemidos inexprimíveis” é algo que não pode ser falado. É que com esses gemidos ele intercede por nós. 

O texto deixa claro que por conta de nossa fraqueza, nossa incapacidade de entender todas as coisas, não sabemos orar como convém. Ou seja, nem sempre nossa oração está em harmonia com a vontade de Deus. É nesse cenário que o Espírito age – ele ora por nós. 

Diante dessa constatação, a pergunta que pode surgir é: Se o Espírito Santo ora por mim ao Pai, por que então eu devo orar? A seguir daremos algumas respostas para essa pergunta: 

1. Porque oração é uma ordem. 
Em 1Ts 5:17 lemos: “Orai sem cessar”. Note que o texto está no imperativo, isto é, ore ininterruptamente. Nesse mesma epístola, Paulo exorta: “Regozijai-vos sempre” (v. 16). “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. O modo de expressar para Deus a alegria e a gratidão ainda que nas crises é por meio da oração. 

Outros textos nos chamam a atenção para a ordem sobre oração em diversas circunstâncias. Ordem para orar para não cair em tentação, Jesus advertiu seus discípulos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 14.38). 

A ordem de oração pelos inimigos, Cristo ensinou: “Orai pelos que vos caluniam” (Lc 6.28). A ordem da intercessão: “Orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16). A ordem de orar para se prevenir dos ataques de Satanás: “Sede sóbrios e vigilantes. 

O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1 Pe 5.8). Finalmente, através de Isaías, Deus faz uma advertência mais terrível: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55.6). 

Todos esses textos, embora estejam em contextos e circunstâncias diferentes, eles têm algo em comum: A ordem expressa de orar. Essa é uma ordem que temos desobedecido e um dos termômetros disso são as nossas reuniões de oração que via de regra, são um fracasso. 

2. Porque o Espírito somente ora por aqueles que também oram. 
Essa afirmação fica clara à luz da explanação de Paulo em Rm 8.26. O Espírito somente vai desenvolver o ministério de interceder por aqueles que obedecem a ordem de oração. Embora nossa oração seja fraca, não poucas vezes, incorreta e sem a harmonia com a vontade de Deus, sempre poderemos contar com o ministério do Espírito ao orar por nós junto a Deus. 

 Sabemos que há apenas quatro possibilidades de respostas para nossas orações. São elas: 1) Sim; 2) Não; 3) Espere; D) Você tá brincando (Tg 4.3). Entretanto, a despeito das respostas dadas por Deus, não podemos deixar de usufruir do apoio do Espírito Santo. 

É somente orando que poderemos contar com o apoio do Espírito. É ele, o Espírito Santo, quem vai ouvir nossas orações e aperfeiçoá-las de modo que elas cheguem até Deus harmonizadas com sua vontade. 

O Espírito não pode corrigir algo que não existe. Se não há oração, não há como consertá-las e apresentá-las a Deus. Você tem o desejo de contar com o apoio do Espírito Santo em suas orações? Então, ore. Faça como o salmista que disse: “Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, SENHOR, a tua presença” (Sl 27.8). 

3. Porque o Senhor prometeu que concederá os pedidos que estão em harmonia com sua vontade. Esse princípio, podemos ver claramente nas palavras de João: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo. 5.14). Nesse versículo aprendemos um conceito fundamental a respeito da oração que prontamente é atendida por Deus. Isto é, aquela que está de acordo com sua vontade. 

Mas a pergunta que decorre dessa afirmação é: Que tipos de orações se harmonizam com a vontade de Deus? Daremos aqui alguns exemplos. 

  • Quando pedimos por sabedoria. Foi isso que ocorreu com Salomão (2 Cr 1.7-13). Sobre isso Tiago diz: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera (sem por condições); e ser-lhe-á concedida”. 2) 
  • Quando verdadeiramente arrependidos, pedimos perdão – “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9); 3) 
  • Quando pedimos por santificação. Esse princípio presumimos a partir da conhecida declaração de Paulo: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). 4) 
  • Quando pedimos pelo seu Espírito: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem”? (Lc 11. 13). 

Portanto, há pedidos que Deus irá nos conceder certamente. Entretanto, esses pedidos são certamente, aqueles onde seu nome, certamente será glorificado em nossas vidas. Portanto, não deixemos de usufruir do privilégio de fazer orações certas e termos nossos pedidos atendidos. 

Conclusão
O Espírito ora por nós? Sim! Isso nos isenta de orarmos? Certamente não! Então, se o Espírito ora por nós, porque devemos orar? Porque é uma ordem, porque o Espírito Santo apenas orará por aqueles que orarem, e, finalmente, porque o Senhor prometeu que há de conceder o que pedimos quanto o objeto de nossa petição estiver em harmonia com sua vontade. Que Deus, por meio de seu Espírito nos estimule a nos relacionarmos com ele, através das orações.


------------------------------------
Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduado em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista em 2016.

Tecnologia do Blogger.