Razões pelas quais a igreja evangeliza


Lucas 14.15-24

A parábola da Grande Ceia, majestosamente narrada por Jesus nos ensina que tudo já está preparado por Deus e que muitos convidados foram e continuam sendo chamados para participarem dela. Só que, enquanto alguns, recebendo o convite, participam dela com alegria, outros a rejeitam.

A participação na Grande Ceia depende da resposta que cada um dará a Deus. Nela o nosso Senhor nos oferece algumas lições a nós, hoje, como Igreja, para que não nos desanimemos diante das respostas que as pessoas manifestam. Algumas são polidas e formais, outras agressivas, rejeitando o amoroso convite do Evangelho.

Que lições podemos tirar desta parábola?


1 – QUE O CONVITE ESTÁ SENDO FEITO POR QUE:

a) O Grande Banquete Já Está Preparado. v.17 “À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado.”

O preparo começou na eternidade quando o Cordeiro de Deus, Jesus, se predispôs a vir e dar a sua vida, derramando seu sangue em favor de muitos, para remissão de pecados. (Mateus 26.28)

b) A Refeição é Para os Convidados. v.16 e 21a: “Certo homem deu uma grande ceia e convidou a muitos. À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar os convidados...”

Estes muitos, em primeira mão, eram os judeus, que recebendo o convite, a mensagem redentiva em Cristo Jesus, a rejeitaram.

Muitos, também hoje, de todos os povos, continuam recebendo o convite para a grande ceia. Alguns o rejeitam. Outros muitos o aceitam.

2 – QUE OS CONVIDADOS DESPREZARAM O CONVITE E SE JUSTIFICARAM

“Não obstante, todos à uma, começaram a escusar-se.” (v.18a).

Vemos aqui que muitos não têm coragem para rechaçar, repelir o convite do Evangelho, e, então, educadamente, se desculpam para não participarem, não se envolverem com Cristo. Nesta parábola vemos as seguintes respostas dos que não querem ser mal educados mas injustificáveis:

a) Um Campo Para Examinar. “Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado;” (v.18)

1) Irresponsabilidade. “Comprei um campo...preciso ir vê-lo.” Não é pecado comprar, vender, negociar. Mas colocar isso acima do convite generoso de alguém muito importante que é Deus é vergonhoso.

2) Falsa Desculpa. “rogo-te que me tenhas por escusado.” Diz M. Henry: “Frívola desculpa. Como se não pudesse ir ver o campo no dia seguinte. Sem dúvida, alega ‘necessidade’, quando o que tem é falta de vontade.” O pior de tudo é que era uma mentira deslavada, pois ninguém adquire uma propriedade sem primeiro examiná-la criteriosamente.

b) Animais Para Experimentar. “Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado.” (v.19.) Uma compra temerária. Não se compra animais sem antes examiná-los criteriosamente.

Dar preferência a cinco juntas de bois a um tão grande convite de Deus é prova de profunda tolice. Meu pai quando comprava parelhas de bois ou outros animais para o trabalho da lavoura os examinava cuidadosamente, inclusive levava amigos para ajudá-lo na escolha dos animais.

c) Família Para Estruturar. “E outro disse: Casei e, por isso, não posso ir” (v.20). Uma tremenda mentira, pois ninguém está tão disponível para festejos do que um recém-casado. Dt 24.5 diz: “Homem recém-casado não sairá à guerra, nem se lhe imporá qualquer encargo; por um ano ficará livre em casa e promoverá felicidade à mulher que tomou”.

“Este é o mais grosseiro e descortês, porque os outros dois não podiam levar para o banquete seu campo ou seus bois, mas este podia levar consigo a sua esposa e ambos seriam bem-vindos”. (M. Henry). O pior de tudo é que este último nem se desculpou.

3 – QUE A TODOS, SEM DISTINÇÃO, É OFERECIDO O BANQUETE.

Vv. 21-24 – Nestes últimos versículos, quando o servo, tristemente, conta ao anfitrião que os convidados se negaram a ir à ceia, imediatamente as portas se escancararam para aqueles que pareciam estarem esquecidos.

Há uma demonstração segura de que o rebanho do Senhor é grande: “ovelhas de outros apriscos”. Todos são chamados para a Grande Ceia da graça, do amor, da bondade e da misericórdia do Cordeiro de Deus.

Aqueles que imaginamos serem merecedores são, muitas vezes, os que mais desprezam, enquanto que aqueles que pensamos não merecer o convite, são os que mais ansiosos estão em participar da ceia da graça.

Conclusão
O texto diz que a casa se encheu e ainda havia muitos lugares para outros. Não desanimemos. Vamos sair em todo canto e convidar a todos. Esta é a ordem do nosso Senhor Jesus Cristo.

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Antonio Coine é Pastor Emérito da Igreja Presbiteriana Monte Sião (Botucatu), atuando como ministro há 40 anos na Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi pastor da Igreja Presbiteriana do Canadá e missionário dessa denominação entre os povos de Língua Portuguesa, quando plantou a Igreja Presbiteriana de Língua Portuguesa do Presbitério West Toronto, IPC que foi organizada em outubro de 1988. É autor do livro "Das Sagradas Escrituras - Uma coletânea de esboços de sermões para um ano litúrgico - Vol. 1".

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