O décimo mandamento: não cobiçarás


Êxodo 20.17

Nosso Breve Catecismo de Westminster faz a seguinte Pergunta 79: “Qual é o décimo mandamento?” e responde: “O décimo mandamento é: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”. 


Na pergunta 80: “O que exige o décimo mandamento?”. Responde: “O décimo mandamento exige pleno contentamento com a nossa condição, bem como disposição para com o nosso próximo e tudo o que lhe pertence”. 

O Rev. Matthew Henry comenta o seguinte: “O décimo mandamento ataca a raiz: “Não cobiçarás”. Os mandamentos anteriores proibiam implicitamente todo desejo de fazer o que poderia ser prejudicial para nosso próximo; esse proíbe todo desejo desordenado de possuir o que não é nosso para nossa própria satisfação”.

Para Paulo o “Não cobiçarás” é a proibição de todos “esses desejos e apetites irregulares que são o começo de todo pecado que é cometido por nós”.

I – O DÉCIMO MANDAMENTO NOS MOSTRA
Que não temos direito, de maneira alguma de desejar para nós o que pertence ao nosso próximo. 

Assim ele: 

a) Ataca o Desejo Insaciável. Van Horn, famoso teólogo, comentando o Breve Catecismo diz que “a palavra cobiçar neste mandamento incluiria dois aspectos das palavras gregas conforme se encontram no Novo Testamento. O sentido seria “um desejo insaciável de conseguir o mundo” e também incluiria “um amor desmedido do mundo”. 

b) Ensina o Que Não Desejar: “Não Cobiçarás...” aquilo que é e dá bem-estar ao próximo: 

1) Sua Casa:“Não cobiçarás a casa do teu próximo”.
2) Sua Esposa:“Não cobiçarás a mulher do teu próximo.” Tanto se aplica à mulher quanto ao homem.
3) Seus Empregados: “Não Cobiçarás....nem o seu servo, nem a sua serva,”
4) Seus Bens: “nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”.

II – O DÉCIMO MANDAMENTO NOS ENSINA
Que o desejo desordenado, descontrolado do ser humano, que é a cobiça, só é possível ser controlado, disciplinado, orientado através da graça salvadora do Senhor Jesus. 

Paulo, escrevendo aos crentes de Filipos dizia: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4.8). 

Muita gente não é feliz por que deseja, cobiça, o que é do outro. Pensando que aquilo que é do outro é melhor, não tem prazer, alegria, felicidade, naquilo que já tem, naquilo que possui. 

O escritor de Hebreus 13.5 diz: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes. Porque ele tem dito: De maneira alguma, te deixarei, nunca jamais te abandonarei”.

Pessoas sem a vida de piedade cristã jamais se controlarão, e seus desenfreados desejos as tornarão sempre infelizes e mais ansiosas por terem, por possuírem, inclusive aquilo que não é seu, e sim do outro.

III - O DÉCIMO MANDAMENTO NOS AJUDA
A vencer este mundo cheio de ganância e interesses escusos. 

Portanto, como podemos aplicar o décimo mandamento em nossas vidas?

a) Vivendo com Contentamento. “Contentai-vos com as coisas que tendes” (Hb. 13.5b).

b) Vivendo com Desprendimento. “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros”. Ou como comentou na Bíblia A Mensagem, o Revdo. Eugene Peterson: “Ponham o interesse próprio de lado e ajudem os outros em sua jornada. Não fiquem obcecados em tirar vantagem. Esqueçam-se de vocês o suficiente para estender a mão e ajudar”. (Fp. 2.4).

c) Vivendo com Entendimento. “...pois o vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;” (Mt 6.31b).

Conclusão
Possamos nós, sendo instruídos pela Palavra de Deus que nos mostra, nos ensina e nos ajuda a viver uma vida segundo os padrões evangélicos, ser felizes. Que a cobiça do coração, da mente e dos olhos possam ser levados cativos pela Palavra de Deus e orientados pelo Espírito Santo. Uma vida cheia e plena do Espírito Santo é aquela que se coloca em profunda submissão a Ele, guardando e conservando os Mandamentos de Deus em todos os momentos.

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Antonio Coine é Pastor Emérito da Igreja Presbiteriana Monte Sião (Botucatu), atuando como ministro há 40 anos na Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi pastor da Igreja Presbiteriana do Canadá e missionário dessa denominação entre os povos de Língua Portuguesa, quando plantou a Igreja Presbiteriana de Língua Portuguesa do Presbitério West Toronto, IPC que foi organizada em outubro de 1988. É autor do livro "Das Sagradas Escrituras - Uma coletânea de esboços de sermões para um ano litúrgico - Vol. 1".

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