Os grandes pecados de um povo


Rev. Antonio Coine

Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem - Mateus 24:37-39

Nos dias de Carnaval a nossa Pátria, através de centenas de milhares de pessoa se trasveste de um aspecto que a torna um tanto quanto negativa e imoral aos olhos do mundo, principalmente dos que cultivam uma fé mais profunda no nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

As pessoas, nesses dias, estarão dando vazão a sentimentos dos mais hediondos possíveis. Aquilo que a pessoa tem vergonha de fazer no dia a dia, nesses dias de Carnaval estará se expondo totalmente mostrando com isso o que realmente abriga nas regiões mais profundas do seu ser. 

O pecado da devassidão tomará conta dessas almas, e daquelas que à primeira vista achamos serem as mais nobres. No entanto, isso não nos preocupa uma vez que à luz da Palavra de Deus sabemos quem é o ser humano, pois todos pecaram (Rm 3.23), pois todos estão mortos em delitos e pecados (Ef. 2.1), e, tudo o que ele venha a fazer será fruto da perversidade que habita no seu coração. 

O texto que lemos está inserido numa parábola de vigilância e de exortação. O Senhor Jesus disse que ao aproximar-se do Grande e Poderoso dia de ajuste de contas a humanidade estaria vivendo como as pessoas que viveram nos dias de Noé: comendo, bebendo e se entregando à devassidão da sua alma pecadora. 

Cremos que os nossos dias são semelhantes, ou, quem sabe, piores que os dias de Noé, de Sodoma e Gomorra conforme profetizara o Senhor Jesus. Segundo Jesus, como serão esses dias a fim de nos precavermos?

I – DIAS DE ENGANO
“Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24.5). 

O nosso mundo, hoje, apesar do secularismo que sobre ele impera, poderíamos dizer sem constrangimento que nunca o nosso mundo foi tão religioso como o é agora. O comércio em torno da religião e da religiosidade, e o pior de tudo, em torno do nome de Jesus é vergonhoso e desbragado. 

Uns, na sua insanidade, se intitulam o Messias, outro, de sã consciência também o fazem. Nosso primo, sociólogo da religião analisando o comportamento de dois pseudomessias disse que, o primeiro, era pessoa doente mental, e por isso se achava ser o Messias, e, o outro, com a sua mente normal, também se considerou como tal. Um é bem pobre, o outro é extremamente rico.

Existem aqueles, também, que embora não atribuindo a sim a messianidade, no entanto, se travestindo de títulos bíblicos do passado enganam o povo crédulo, e, porque não dizer, analfabeto em termos das Escrituras, adquirindo com isso fortunas. 

Como o povo é dado à superstições das mais variadas, então aproveitam para colocar à sua frente objetos, coisas e promessas das mais absurdas. O engano provém do total e integral desconhecimento da sã doutrina e do único e verdadeiro Deus e Senhor: Jesus Cristo.

II – DIAS DE DEVASSIDÃO 
“Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos,”.

Noé foi chamado o pregoeiro da Justiça. A sua arca representa a Igreja. Ele pregava o juízo e a destruição vindoura. A arca estava sendo preparada para abrigar os fiéis e arrependidos. Mas o pecado foi tão arraigado e avassalador naquela época que apenas ele, sua esposa, seus três filhos e suas três noras foram salvos. 

E podemos dizer sem constrangimento que em meio à multidão de pessoas que ouvia a pregação através de cada martelada que Noé dava para afixar as vigas e as tábuas da arca, os seres humanos zombavam do velho crente, nenhum creu, apenas os animais foram os únicos que creram e obedeceram à voz do Patriarca. 

Também em nossos dias temos entrado na Igreja que é a nossa arca de segurança para a eternidade. Os homens nos dias de Noé davam valor à devassidão e desprezavam os valores eternos à mesma semelhança dos homens dos nossos dias.

III - A SURPRESA DO DIA
“...Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando viu o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem”. 

O Senhor Jesus complementa dizendo que: “dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra” (Mt 24:40-41).

Muitos serão tomados de surpresa ao saberem que tudo o que ouviram sobre Jesus e levaram em desconsideração e até desprezo era, uma grande verdade, mas só que será tarde. Não haverá uma segunda chance, uma segunda oportunidade. 

Há um hino no Hinário Presbiteriano que diz: “Meu amigo, hoje tu tens a escolha. Vida ou morte, qual vais aceitar. Amanhã pode ser muito tarde, hoje Cristo te quer libertar”. 

Conclusão
No entanto, como crentes em Jesus Cristo devemos estar orando e intercedendo pela nossa Pátria, pelo nosso povo, nossa gente, a fim de que seus olhos se abram para a realidade da fé e se convertam de seus maus caminhos e sejam perdoados e salvos. 

Vamos, pois, nestes dias, orar e interceder para que Deus tenha misericórdia e que milhões de brasileiros sejam salvos pelo Poder Glorioso do Evangelho.

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Antonio Coine é Pastor Emérito da Igreja Presbiteriana Monte Sião (Botucatu), atuando como ministro há 40 anos na Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi pastor da Igreja Presbiteriana do Canadá e missionário dessa denominação entre os povos de Língua Portuguesa, quando plantou a Igreja Presbiteriana de Língua Portuguesa do Presbitério West Toronto, IPC que foi organizada em outubro de 1988. É autor do livro "Das Sagradas Escrituras - Uma coletânea de esboços de sermões para um ano litúrgico - Vol. 1".

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