As súplicas confiantes


Salmo 141

Conta-se que um rei sofreu um acidente vindo a perder o dedo polegar. O monarca ficou profundamente triste e procurou conselho com diversas pessoas. Dentre elas estava um de seus conselheiros. Este disse ao rei para não se entristecer, pois poderia estar dentro dos propósitos de Deus. 

O rei, furioso, o colocou numa prisão. Nesse meio de tempo o rei e seus ministros viajaram para uma terra distante. Lá, foram presos por uma tribo de canibais que mataram todos os ministros que o acompanharam. 

O rei, no entanto, foi poupado por causa do defeito na mão uma vez que aquelas pessoas tinham uma superstição e não matavam pessoas que não tivessem os dez dedos. Voltando para sua terra o rei, arrependido de ter colocado na prisão o conselheiro mandou soltá-lo e trazê-lo à sua presença e lhe pediu perdão pelo fato de não ter aceitado seus conselhos.

O conselheiro disse ao rei: “Majestade, não é preciso se desculpar. A prisão para mim foi uma grande bênção. Imagine se eu estivesse junto naquele dia. Numa hora dessas estaria morto também, uma vez que sou perfeito das mãos”.


O Salmo 141 nos fala do Rei Davi se derramando diante de Deus em súplicas. O que podemos aprender das “súplicas confiantes”?

I – HÁ A SÚPLICA PARA QUE DEUS RECEBA A ORAÇÃO
“SENHOR, a ti clamo, dá-te pressa em me acudir, inclina os ouvidos à minha voz, quando te invoco. Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina.”(vv. 1,2)

Ele pede ao Senhor...:

a) Que Se Apresse em Socorrê-lo. “dá-te pressa em acudir,” Ele passava por momentos difíceis, dolorosos, constrangedores que precisavam de ajuda urgente.

b) Que Incline Seus Ouvidos. “inclina os ouvidos à minha voz,”O crente sabe, muito bem, que os ouvidos do Senhor estão sempre atentos para ouvir as suas súplicas. 

c) Que Suba as Orações. “Suba à tua presença a minha oração, como incenso,” Assim como o incenso queimado no Templo, pelos sacerdotes, significando as orações do povo, subia para a presença do Senhor como um aroma suave, assim, desejava Davi, que a sua oração subisse à presença de Deus. 

d) Que o Erguer das Mãos.“e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina.” Deus se alegra muito mais com mãos santas erguidas à Sua presença em Adoração, do que as manchadas do sangue dos holocaustos.

II – HÁ UMA SÚPLICA PARA QUE DEUS O SANTIFIQUE.
“Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios. Não permitas que meu coração se incline para o mal, para a prática da perversidade na companhia de homens que são malfeitores; e não coma eu das suas iguarias.” (vv. 3,4)

Santidade de vida é o que Deus exige de nós. “Todos os dias devemos pedir a Deus que nos livre dos pecados.” 

Davi pede que Deus o livre de três coisas que por certo implicariam na sua vida de santidade: 

a) Santidade nos Lábios. “Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios”. Deles procedem coisas boas, como também ruins. Palavras doces ou amargas. Elogiosas ou críticas. 

b) Santidade no Coração. “Não permitas que meu coração se incline para o mal,...” O Senhor Jesus disse que do coração procedem os maus desígnios. O que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas sim o que sai da boca, ou seja, palavras blasfemas e ferinas, pois “A boca fala do que o coração está cheio.”

c) Santidade nos Relacionamentos. “...para a prática da perversidade na companhia de homens que são malfeitores; e não coma eu das suas iguarias”.Devemos saber como nos comportamos na presença dos ímpios. O nosso testemunho deve falar bem alto a fim de que eles não venham blasfemar o nome santo do Senhor e também, alterar o nosso comportamento.

III – HÁ UMA SÚPLICA PARA QUE DEUS O MANTENHA SEMPRE UM INTERCESSOR
“Continuarei a orar enquanto os perversos praticam maldade”(v. 5b).

A oração contínua e sem desânimo, é a vida fortalecedora de todo crente. Deixar de orar é estar fadado a abrir uma tremenda brecha, ou escancarar as portas para Satanás agir. Davi diz que continuaria a orar a despeito das ações dos perversos. O nosso Senhor Jesus nos ensina que devemos orar e vigiar.

IV – HÁ UMA SÚPLICA PARA QUE DEUS O PROTEJA.

a) Pois os Seus Olhos Estão em Deus. “Pois em ti, SENHOR Deus, estão fitos os meus olhos”; (v.8a). O piedoso não tem ninguém para olhar, senão para o Deus Eterno. 

b) Pois a Sua Confiança Está Em Deus. “em ti, confio; não desampares a minha alma.”(v. 8b). A confiança em Deus é uma realidade que está tanto no cristão como no ímpio, no entanto, com uma diferença. 

O ímpio crê enquanto tudo está bem. O cristão crê e continua confiando mesmo que tudo esteja cheio de problemas e dificuldades. Não importa para o cristão se será recompensado aqui ou na eternidade. O importante para ele é que um dia ele será eternamente abençoado. 

c) Pois Deus O Guarda. “Guarda-me dos laços que me armaram e das armadilhas dos que praticam iniquidade.” (v. 8). Sejam eles de Satanás ou dos ímpios que impiedosamente armam laços traiçoeiros no caminho do cristão. Por isso pedimos sempre que o Senhor nos guarde e nos proteja.

Conclusão.
Queridos irmãos. Como será a sua vida nestes 365 dias do ano 2.014? 
Faça como o rei Davi. Confie no senhor.

------------------------------------
Antonio Coine é Pastor Emérito da Igreja Presbiteriana Monte Sião (Botucatu), atuando como ministro há 40 anos na Igreja Presbiteriana do Brasil. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi pastor da Igreja Presbiteriana do Canadá e missionário dessa denominação entre os povos de Língua Portuguesa, quando plantou a Igreja Presbiteriana de Língua Portuguesa do Presbitério West Toronto, IPC que foi organizada em outubro de 1988. É autor do livro "Das Sagradas Escrituras - Uma coletânea de esboços de sermões para um ano litúrgico - Vol. 1".

Tecnologia do Blogger.