A morte do pecado e a morte da morte


Tragada foi a morte pela vitória - 1 Coríntios 15.50-57

Conta-se que certa vez um rei por causa de um ato de desobediência de seu súdito, um marceneiro, resolveu condená-lo à morte. O homem ficou desesperado e a data ficou marcada para determinado mês, dia e hora.



No entanto, nesse meio de tempo um dos sábios do reino foi visitar o marceneiro e o convidou para celebrar tomando um delicioso vinho. O marceneiro espantado com a atitude do sábio lhe perguntou como poderia celebrar a própria morte.

O sábio lhe disse: “Você está vivo e creia que Deus Proverá.” Durante todo o período até o dia estabelecido da sua morte o sábio o lembrava da frase: “Deus Proverá.”

No dia aprazado chegou à casa do condenado um soldado esbaforido, com uma milícia perguntando quem era o marceneiro. Este lhe respondeu: “Sou eu.” O soldado lhe disse: “Trago uma determinação a você. Compre as tábuas e prepare um caixão para o rei que acaba de falecer”. 

O texto acima nos indica que a Ressurreição do Senhor Jesus é o recado de Deus para cada um de nós sobre: 

I – A MORTE DO PECADO NA MORTE DE CRISTO
Quando o Senhor Jesus expirou ele disse: “Tudo está consumado”. A dívida foi paga e Ele deu o golpe no pecado através da sua gloriosa morte na cruz. 

O pecado sempre se constituiu num terrível flagelo para a humanidade. Toda corrupção, intriga, imoralidade e miséria humana se origina no pecado que adentrou através dos nossos pais, no Jardim do Éden, e se estendeu sobre toda a humanidade. 

“O pecado” como escreveu Eric Alexander, “não é apenas uma ofensa que necessita de perdão; é uma poluição que necessita de purificação.” Por isso “o pecado é um desafio à justiça de Deus, um roubo à sua misericórdia, um zombar de sua paciência, um desprezo ao seu poder e um desdém ao seu amor” (John Bunyan). 

Mas em Cristo o pecado que nos tornou mortos para Deus veio morrer aos pés da cruz para que pudéssemos ressurgir dos escombros desse flagelo. Bendita a morte de Jesus que nos deu vida. “Tragada foi a morte pela vitória” escreveu Paulo. 

Podemos dizer que “paradoxalmente, a ‘boca’ devoradora, da qual ninguém pode escapar, será, ela mesma devorada.”(BEG) 

II – A MORTE DA MORTE NA RESSURREIÇÃO DE CRISTO 
Se por um lado o pecado foi derrotado e morto na morte do nosso Senhor, por outro lado a morte for morta na sua triunfante ressurreição. 

Todos estávamos mortos em delitos e pecados. Não havia esperança de vida para o ser humano, mas quem está em Cristo é nova criatura, as coisas antigas se passaram eis que tudo se fez novo. 

A morte para o cristão não é mais um flagelo ou uma catástrofe. Passa a ser bênção. Se para o ímpio, aquele que não é cristão, a morte se constitui numa tragédia, num desespero eterno, para o cristão se passa ao contrário. 

Algumas coisas são auferidas ao cristão na morte. 

“A morte –

a) é o enterro dos defeitos de nossas tristezas” (Ambrósio); 
b) “dá fim às tentações” (Anônimo); 
c) “é o funeral de nossas tristezas” (T. Watson); 
d) “é o melhor dia do crente.” (T. Brooks). 

Na morte do crente a esperança da ressurreição o acompanha até o dia em que se levantará com o cântico de triunfo dizendo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (v.55). 

Conclusão 
Que nesta Celebração da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus possa você usufruir da mesma graça redentora e salvadora que todos os cristãos, nascidos no poder do Espírito Santo usufruem.

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Antonio Coine é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil há 40 anos. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi missionário da Igreja Presbiteriana do Canadá, plantando e pastoreando a Dovercourt-Saint Paul’s Presbyterian Church.

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