Talvez tenham pecado os meus filhos


“...chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração”. - Jó 1.1-5


Se desejarmos ter uma família dentro dos parâmetros de uma vida profundamente piedosa precisamos recorrer, nas Escrituras Sagradas a história do patriarca Jó, o amado “servo de Deus”.Ao falarmos sobre o Dia dos Pais neste segundo domingo do mês de agosto, desejamos destacar a importância da nossa supervisão sobre a vida de nossos filhos, “herança do SENHOR” (Sl 127.3).

Temos no texto anunciado de Jó 1.1-5 a história de um homem muito ocupado, de responsabilidades tremendas, cheio de compromissos administrativos, comerciais e jurídicos. Acima de tudo ele e sua amada esposa tinham uma família fantástica que que fora graciosamente abençoada por Deus com dez preciosos filhos, sendo sete homens e três mulheres.

Como pessoa que amava a Deus com profunda sinceridade no coração Jó desejava que seus filhos estivessem também, compromissados com o Deus Eterno. Estes cinco primeiros versículos nos oferecem uma infinidade de informações de como podemos ter um lar abençoado, mas nos deteremos em apenas algumas delas.

O texto de Jó 1.1-5 nos ensina que filhos mudam, para sempre, a vida de seus pais e que estes são responsáveis em conduzi-los enquanto estão sob sua proteção, e depois, se tornarem seus intercessores quando estes tiverem de tomar seus próprios caminhos.


I – OS PAIS SÃO GUARDIÕES DA FÉ DE SEUS FILHOS ENQUANTO JOVENS

“Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos...” (Jó 1.4,5a).

Os filhos de Jó viviam as benesses de um pai muito rico. Não diz o texto que eram jovens irresponsáveis. Apenas que eles gostavam de festejar o que é muito normal. Mas, festas sempre trazem algum motivo de preocupação.

O texto nos mostra ainda que eles eram muito unidos: “iam às casas uns dos outros e faziam banquetes... e mandavam convidar suas três irmãs...”. 

Cremos que para Jó e sua esposa era motivo de alegria ao verem a unidade deles. O carinho de uns para com os outros. Mas mesmo assim, vemos Jó como um “cão de guarda”. Não fiscalizava o procedimento de seus filhos, mas os tinha diuturnamente nos seus pensamentos.


II – OS PAIS SÃO LÍDERES ESPIRITUAIS DA VIDA DE SEUS FILHOS ENQUANTO JOVENS

“Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração” (Jó 1.5c).

Jó confiava desconfiando. Isto quer dizer que embora soubesse do procedimento deles, no entanto, não era Deus para saber o que se passava em seus corações.

Vemos aqui o destaque especial que o texto dá quando o patriarca diz:

a) “Talvez tenham pecado os meus filhos”. Não sabemos o que se passa às escondidas. A Bíblia diz que “maldito o homem que confia no homem” (Jr 17.5). Jó amava seus filhos, mas não confiava no que poderiam fazer ou terem feito.

Em muitos lares muitos filhos abandonam a sua fé pelo simples fato dos pais acharem que são suficientemente crentes e fiéis a Deus, e, desapercebidamente, deixam que seus filhos façam o que desejam acabando por pecarem às ocultas.

b) E blasfemado contra Deus em seu coração. Jó sabia muito bem que “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9). Ele não ia pelas aparências de seus filhos. Como se via um grande pecador diante de Deus sabia, muito bem, dos pecados no coração de seus filhos. Por isso se preocupava com o que passava no coração, isto é, nos pensamentos e sentimentos deles.

Também nós, “pais líderes espirituais de nossos filhos”, devemos pensar assim.

III – OS PAIS SÃO SACERDOTES INTERCESSORES DE SEUS FILHOS POR TODA A EXISTÊNCIA

“levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles,... Assim o fazia Jó continuamente” (1.5).

Após os festejos Jó não deixava que as coisas esfriassem com os pecados. Ele os chamava imediatamente, altas horas da madrugada, para que colocassem diante do Deus Todo-Poderoso os seus pecados, fossem quais fossem.

Os pais não devem se esquecer que a responsabilidade sacerdotal para com esta preciosa herança perdura por todos os dias de suas vidas.

Conclusão
Compartilho com você a experiência que tive certa vez. Estava conversando com uma senhora, na fila de um Banco, cujo esposo fora assassinado e os dois filhos, homens feitos, se envolveram nas drogas. Ela estava desesperada e descrente em tudo. 

No entanto disse a ela sobre a possibilidade de restauração usando uma frase muito sábia do Revdo. Prof. Adão Carlos do Nascimento: “Não há casamento tão bom que não possa ser melhorado e não há casamento tão estragado que não possa ser restaurado”

Disse também a ela que não há família e filhos que por melhores que sejam não possam ser melhorados, e, por pior vida que estejam vivendo esses filhos não possam ser restaurados. Ela não acreditou naquele momento por estar vivendo uma situação desesperadora. 

Mas espero que o Senhor toque no seu coração e ela se converta, bem como seus filhos e passem a ser totalmente restaurados.

Que o SENHOR Deus conceda bênçãos especiais para cada um dos pais que ouvem este sermão. Parabéns a todos pelo DIA DOS PAIS.

------------------------------------
Antonio Coine é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil há 40 anos. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi missionário da Igreja Presbiteriana do Canadá, plantando e pastoreando a Dovercourt-Saint Paul’s Presbyterian Church.

Tecnologia do Blogger.