Há sempre um fio de esperança


“E da parte do rei lhe foi dada subsistência vitalícia, uma pensão diária, durante os dias da sua vida”. 2 Reis 25.27-30

A condenação de Saddam Hussein [no final de 2006] nos levou a refletir em torno dos acontecimentos passados quando o rei Nabucodonosor formou um poderoso império e o estendeu até o reino de Judá. Ali sitiou a cidade de Jerusalém, e levou cativo o rei Joaquim com a sua mãe, seus servos, seus príncipes e seus oficiais.

Na Babilônia este rei foi colocado, juntamente com outros soberanos cativos, numa prisão que durou trinta e sete anos. Somente na ascensão ao trono de Evil-Merodaque, filho de Nabucodonosor foi que Joaquim gozou os privilégios de uma liberdade condicional.

Mas, o que nos chama a atenção foi o fato do reacender a esperança na vida, tanto de Joaquim, como de toda a nação cativa.

Como pode uma geração como a nossa, no Terceiro Milênio estar cativa e aprisionada pelo desespero, pelas ansiedades num mundo tão maravilhoso como o nosso? Como pode nossa geração reacender a chama da esperança dentro do seu mundo de inquietude?



1 – EXISTE UMA ESPERANÇA PARA OS QUE CONFIAM E ESPERAM NO SENHOR 
“No trigésimo-sétimo ano do cativeiro de Joaquim, rei de Judá, no dia vinte e sete do duodécimo mês, Evil-Merodaque, rei da Babilônia, no ano em que começou a reinar, libertou do cárcere a Joaquim, rei de Judá” - 2Rs 25.27.
Embora o rei Joaquim não tenha sido um rei fiel a Deus, no entanto, o Senhor manteve-se fiel nas suas promessas para com Davi, seu antepassado e para com a nação judaica. Cremos que a prisão foi o lugar de reclusão onde uma grande oportunidade de reflexão foi oferecida a Joaquim e este pode repensar na fidelidade do Senhor para com o seu povo.

A chama da esperança foi reacendida naquela prisão real. Os salmos do seu povo começaram a pulular em sua mente e como o Salmista pode dizer:

“Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, dum tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos” (Sl 40.1,2).. 
2 – NENHUM PODER ESTRANGEIRO PÔDE DESTRUIR AQUELA ESPERANÇA
Embora Joaquim não tenha sido o que se devia esperar dele, como pessoa piedosa, no entanto Deus não o abandonou. Evil-Merodaque continua o texto,
“Falou com ele benignamente e lhe deu lugar de mais honra do que a dos reis que estavam com ele na Babilônia. Mudou-lhe as vestes do cárcere, e Joaquim passou a comer pão na sua presença todos os dias da sua vida. E da parte do rei lhe foi dada subsistência vitalícia, uma pensão diária, durante os dias da sua vida” (2 Rs 25.28-30). 

Depois de mais de três décadas em cativeiro e prisão, onde perdera toda a sua vida de realizações Joaquim viu que nada podia destruir a esperança alimentada no coração dele e do povo de Deus.

A verdade é que “ninguém pode dizer, depois de ter vivido um longo tempo de calamidade e sofrimento que nunca verá coisa boa; só os mais infelizes ignoram as bênçãos da providência”. Mas aquele que confia no Senhor sabe que nenhum poder externo, seja humano ou espiritual, pode-lhe destruir a esperança.


3 – A ESPERANÇA SEMPRE CHEGA POR CAMINHOS FRÁGEIS E PRECÁRIOS, QUANDO ESTÁ NA IMINÊNCIA DE SER APAGADA 
Esta é a grande realidade para aqueles que são do Senhor. A maneira como Evil-Merodaque tratou de Joaquim, nenhum outro rei teve tamanho privilégio: 
“libertou do cárcere...Falou com ele benignamente...deu lugar de mais honra do que a dos reis que estavam com ele na Babilônia...Mudou-lhe as vestes do cárcere...passou a comer pão na sua presença todos os dias da sua vida”.

Como escreveu Stott: “A fé olha sempre para os problemas, à luz das promessas”. Embora Joaquim tenha sido um rei desobediente a Deus que não seguiu os passos de seu grande antepassado Davi, pois de Joaquim foi dito, quando assumiu o trono, bem como de seu pai Jeoaquim: “Fez ele o que era mau perante o SENHOR segundo tudo quanto fizeram seus pais” (23.37) ...seus pais” (24.9). 

Teve ele um péssimo exemplo. Mas Deus, pela sua misericórdia usou os grilhões de uma nação poderosa e ímpia para discipliná-lo no cárcere e dali o tirar como um novo homem. A esperança trabalha em caminhos dos mais tenebrosos e escuros. Quando se pensa que tudo está perdido, na iminência de se apagar o SENHOR a reacende.

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Antonio Coine é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil há 40 anos. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi missionário da Igreja Presbiteriana do Canadá, plantando e pastoreando a Dovercourt-Saint Paul’s Presbyterian Church.

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