As condições espirituais do coração



Mateus 13.1-23

Este texto nos conta que uma grande multidão havia se reunido ao redor de Jesus:

a) Para ouvir a Sua mensagem, os seus ensinamentos;
b) Para revelar a condição espiritual de seus corações.

Frente a isso Ele passa a contar-lhes a Parábola do Semeador. Nesta parábola o nosso Senhor fala de quatro classes de pessoas e a resposta que cada uma delas dá à Sua Palavra quando esta lhes é apresentada ou lançada no seu coração, à semelhança do lavrador que lança a sua semente no solo, e também nos mostra porque tão poucas são receptivas a ela.

A receptividade neste ensino varia muito. Por um lado vemos que algumas pessoas estão abertas para ouvirem e receberem o Evangelho enquanto que outras estão completamente “hermetizadas”, lacradas, fechadas para ele. Portanto, nesta parábola poderemos observar “As Condições Espirituais do Coração” conforme nos relata o nosso Senhor Jesus Cristo.

Vejamos os tipos de solo que indicam a condição de cada coração:


I – O SOLO DO DESINTERESSE TOTAL
Os vv. 3,4 e 19 dizem: 3.
“E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.4. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. 19. A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.” (ERA)

Vv. 3,4 e 19:

“O que vocês acham? Um agricultor estava semeando. Enquanto fazia seu trabalho, algumas sementes caíram pelo caminho, e as aves as comeram.” 19 “Reflitam sobre a história do agricultor e as sementes. Quando alguém ouve as novas do Reino e não se apropria delas, elas permanecem na superfície, então vem o Maligno e as arranca do coração do ouvinte. Essa é a semente que o agricultor espalhou pela estrada.” (A MENSAGEM)

A Estrada é o Solo dos Corações Endurecidos.
Uma vez que as Sagradas Escrituras nos dizem que confrontamos, diariamente, com o diabo, a carne e o mundo, vemos neste solo, neste coração endurecido, um campo bem apreciado pelo maligno. Estes são aqueles que reagem com indiferença autodestruidora na recepção do evangelho.
Dois agentes são destacados no texto:

a) A pessoa que não se apropria dela, deixa-a na superfície: “Quando alguém ouve as novas do Reino e não se apropria delas, elas permanecem na superfície,...”

b) O Maligno a arrebata. “...então vem o Maligno e as arranca do coração do ouvinte.”

II – O SOLO DA EMOÇÃO MOMENTÂNEA
Vv. 5-6, 20-21: 5. 
“Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. 20. O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; 21. mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza." (ERA)

Vv. 5-6, 20-21: 5.
“Outras caíram no meio dos pedregulhos. Brotaram rapidamente, mas não aprofundaram raízes. 6. Com o calor do Sol, secaram tão rapidamente quanto haviam brotado. 20 “A semente lançada nos pedregulhos corresponde àquele que ouve e instantaneamente recebe a mensagem com grande entusiasmo, mas a Palavra não cria raízes. 21. Assim, diante de algumadificuldade ou quanto passa a emoção, a mensagem é esquecida, e não sobra nada.” (A MENSAGEM)
É o solo dos corações superficiais.

Ficam entusiasmados, apenas, pela beleza da mensagem do evangelho; da pregação e do ensino da Palavra. Ficam entusiasmados com a adoração, a comunhão e a união dos crentes.

Duas coisas acontecem:

a) Recebe logo com alegria, mas não tem raízes; ouve e instantaneamente recebe a mensagem com grande entusiasmo, mas a Palavra não cria raízes.

b) Por não ter raízes é de pouca duração. diante de alguma dificuldade ou quanto passa a emoção, a mensagem é esquecida, e não sobra nada.” Se escandaliza com qualquer coisa. Se embrutece com os problemas. Se entristece com as coisas, as picuinhas da vida e quando se defronta com a perseguição, por causa do evangelho, bate em retirada.

O Rev. A.W. Pink escreveu que: “Há pessoas que dizem estar salvas antes mesmo de ter a sensação de que estão perdidas.” (g.n.)

II – O SOLO DA PREOCUPAÇÃO MUNDANA
Vv. 7 e 22: 7. 
“Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. 22. O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.”(vv 7,22).

Vv. 7 e 22. 7 
“Outras ainda caíram no meio das ervas daninhas. As sementes chegaram a brotar, mas foram sufocadas”.22. “A semente lançada no meio das ervas daninhas é aquele que ouve a mensagem do Reino, mas é vencido pela preocupação e pela ilusão de manter o que tem e de ganhar mais. A mensagem é sufocada, e não sobra nada.”

Este é o solo dos corações preocupados com bens materiais.

São aqueles que são atraídos, iludidos, enganados “pelos cuidados do mundo e a fascinação das riquezas.” Ou pela preocupação e pela ilusão de manter o que tem.

A Palavra nos diz que Jesus não admite que a pessoa divida com o mundo aquilo que deve ser integral ao Reino. Ou agradamos a Deus ou a Mamom. Este tipo de pessoa é tentada pelo mundo, o terceiro elemento no confronto.

Duas coisas se destacam:

a) Cuidados do mundo – É o afã, o tempo integral à “mundaneidade”. É um coração totalmente secularizado. Há tempo para o trabalho, para a família, para lazer, menos para Deus. Há um Cântico de Reavivamento da década de 70 que diz: “Senhor, dá tempo prá mim, de ocupar minha vida contigo. Senão eu vou pelo vento e perco o meu tempo, caindo em perigo.”

b) Fascinação pelas riquezas – A ansiedade pelos bens materiais. Estes dois elementos: cuidados do mundo e fascinação das riquezas, são os espinheiros, a praga do solo do coração que sufoca a Palavra e a torna infrutífera na vida da pessoa.

O interesse do mundo demanda uma devoção total em contraposição à Palavra de Deus. Lemos, ainda nesta semana a meditação do seguinte texto:

“É como alguém observou, dinheiro pode comprar uma cama, mas não o sono; jóias, mas não a beleza; e uma casa, mas não um lar. Dinheiro consegue adquirir entretenimento, mas não a felicidade; religião, mas não a salvação; e um passaporte para todo lugar, menos o céu. O tesouro mais bem guardado na terra de fato nunca sairá daqui. Se é para o céu que um dia pretendemos ir, não devemos procurar acumular nosso tesouro lá?” (Hermenêutica, 5/2/2012)
IV – O SOLO DA RECEPÇÃO VERDADEIRA
Vv. 8,23: 8.
“Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um. 23. Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.”(vv. 8,23)

Vv. 8,23: 8.
“Por fim, algumas, porém, caíram em boa terra e produziram uma colheita que superou todas as expectativas. Vocês estão entendendo?” 23 “A semente lançada na terra boa é a pessoa que ouve a Palavra e a acolhe, e a colheita supera todas as expectativas”.
Este é o solo dos corações receptivos onde o diabo, a carne e o mundo não têm espaço.

Este tipo de coração se destaca em duas esferas:

a) Ouve e Compreende. Há sempre pessoas desejosas de ouvir com atenção a Palavra e recebê-la. é o que ouve a palavra e a compreende;

b) Frutifica. O fruto é o resultado deste terreno fofo, profundo, limpo e fértil que estava ansioso e preparado para a semente do Reino de Deus. e a colheita supera todas as expectativas”.
Este é o verdadeiro e convertido crente.

Conclusão:
À luz deste texto qual é o tipo de terreno que está no seu coração? Lembre-se que o Espírito Santo pode transformar qualquer coração, seja embrutecido, carnal ou mundano, em coração cheio da graça e do amor de Cristo Jesus.

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Antonio Coine é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil há 40 anos. Formado em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - SP. Licenciado em Filosofia. Mestre em Divindade e Doutor em Ministério pelo Seminário do Canadá em Manitoba/CA. Foi missionário da Igreja Presbiteriana do Canadá, plantando e pastoreando a Dovercourt-Saint Paul’s Presbyterian Church.

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